TOCANDO EM FERIDAS Consumo de drogas
Emanuel Medeiros Vieira - Brasília
Alguém sobe o morro no sábado. Compra drogas. Vai se divertir.
Ou "pensa que vai se divertir." Encara traficantes armados. Sabe que os "barões" estão no asfalto, na Avenida Vieira Souto, em coberturas bem protegidos. (A degenerescência brasileira contaminou todos os poderes). Bicheiros, donos de escolas de samba, o Judiciário com venda de liminares, advogados intermediando sentenças. Nem falamos do Executivo e do Legislativo, mas a "caixa preta" da Justiça - tarda, não-cega para os poderosos e falha - era mais difícil de abrir. Está sendo desvendada? Só futuro dirá. Interesses maiores se levantam Mas é um profundo deboche, mais uma bofetada no rosto resignado do povo brasileiro.
Voltemos ao início. O bom sujeito de classe média subiu ao morro. Comprou drogas. Vai se esbaldar, dançar, varar a madrugada. No domingo, usará uma camiseta pela paz. Contra a violência. Numa manifestação, dará as mãos para outros companheiros (alguns que estiveram com ele no morro na noite anterior). Ajudará a soltar pombas pela paz. Ele pensará no que fez? Creio que serei acusado de "moralista". Disseram num debate que eu tentava culpabilizar o usuário. É o discurso do senhor Gabeira, mantendo seus votos, exacerbando sua espantosa vaidade. É um direito. O que digo, dando a cara ao tapa? Quem assim age, alimenta a indústria da morte, do horror, da banalização da vida, do sofrimento terrível das famílias. E, depois, fica espantado porque a violência assumiu proporções catastróficas. De sua parte, mesmo com a mais modesta maconha, ele está contribuindo para essa indústria. "Não, eu fico quieto no meu canto, fico sereno." Não. Não fica. Alimenta a indústria de armas, dos "aviões", dos jovens mortos dos 12 aos 24 anos, sem estudo, sem futuro. A morte na rua, a existência sem qualquer esperança. "O que tenho com isso?" Tem sim. Usuário é para ser tratado. Traficante é para estar na cadeia, não usando celular, não aterrorizando a população de dentro dos presídios. O discurso facilitário dos falsos direitos humanos é uma balela. Vamos tocar o dedo na ferida. O usuário - que precisa ser tratado e recuperado- faz a roda da corrupção policial girar mais. Não adianta botar camiseta pela paz, se indignar, soltar pombas brancas, dar as mãos aos companheiros. Camiseta, pombas, passetas, faixas, lágrimas, sempre a mesma coisa.
E a mudança na "práxis"? A mudança de vida? (Não, não poupo o álcool que gera mortos em todos os finais de semana, enquanto a mídia faz publicidade intensa de bebidas alcóolicas, com mulheres gostosas e bundudas, rapazes bonitos, todos sorridentes. Atores famosos que ganham rios de dinheiro não precisam estimular a indústria da morte. É que eles fingem não conhecer clínicas de drogados. Depois, as grandes redes de TV se espantam com a morte de moços de 19 anos, dirigindo embriagados depois de festas e baladas. Até a Rússia - do "homem dos olhos maus", herdeiro da KBG, o autoritário senhor Putin -, proibiu propaganda de bebida alcóolica antes das 9 da noite. Pois o alcoolismo por lá se encontra em dimensões alarmantes. Aqui: tudo é permitido. O lobby da cerveja é maior. É fortíssimo, quase onipotente. A vida que se dane. Podemos pensar nisso? Não aprofundei? Não. Queria apenas refletir.
Só peço isso: que meditem comigo. No fundo, queria fazer um hino em favor da esperança, da vida, tão destruída a cada dia, nas nossas cidades violentas, nas periferias favelizadas. É o reino e a hegemonia do capital, do mercantilismo, do dinheiro. É o hiperindividualismo. É essa chaga do capitalismo que temos que enfrentar: vender e matar.
Alguém sobe o morro no sábado. Compra drogas. Vai se divertir.
Ou "pensa que vai se divertir." Encara traficantes armados. Sabe que os "barões" estão no asfalto, na Avenida Vieira Souto, em coberturas bem protegidos. (A degenerescência brasileira contaminou todos os poderes). Bicheiros, donos de escolas de samba, o Judiciário com venda de liminares, advogados intermediando sentenças. Nem falamos do Executivo e do Legislativo, mas a "caixa preta" da Justiça - tarda, não-cega para os poderosos e falha - era mais difícil de abrir. Está sendo desvendada? Só futuro dirá. Interesses maiores se levantam Mas é um profundo deboche, mais uma bofetada no rosto resignado do povo brasileiro.
Voltemos ao início. O bom sujeito de classe média subiu ao morro. Comprou drogas. Vai se esbaldar, dançar, varar a madrugada. No domingo, usará uma camiseta pela paz. Contra a violência. Numa manifestação, dará as mãos para outros companheiros (alguns que estiveram com ele no morro na noite anterior). Ajudará a soltar pombas pela paz. Ele pensará no que fez? Creio que serei acusado de "moralista". Disseram num debate que eu tentava culpabilizar o usuário. É o discurso do senhor Gabeira, mantendo seus votos, exacerbando sua espantosa vaidade. É um direito. O que digo, dando a cara ao tapa? Quem assim age, alimenta a indústria da morte, do horror, da banalização da vida, do sofrimento terrível das famílias. E, depois, fica espantado porque a violência assumiu proporções catastróficas. De sua parte, mesmo com a mais modesta maconha, ele está contribuindo para essa indústria. "Não, eu fico quieto no meu canto, fico sereno." Não. Não fica. Alimenta a indústria de armas, dos "aviões", dos jovens mortos dos 12 aos 24 anos, sem estudo, sem futuro. A morte na rua, a existência sem qualquer esperança. "O que tenho com isso?" Tem sim. Usuário é para ser tratado. Traficante é para estar na cadeia, não usando celular, não aterrorizando a população de dentro dos presídios. O discurso facilitário dos falsos direitos humanos é uma balela. Vamos tocar o dedo na ferida. O usuário - que precisa ser tratado e recuperado- faz a roda da corrupção policial girar mais. Não adianta botar camiseta pela paz, se indignar, soltar pombas brancas, dar as mãos aos companheiros. Camiseta, pombas, passetas, faixas, lágrimas, sempre a mesma coisa.
E a mudança na "práxis"? A mudança de vida? (Não, não poupo o álcool que gera mortos em todos os finais de semana, enquanto a mídia faz publicidade intensa de bebidas alcóolicas, com mulheres gostosas e bundudas, rapazes bonitos, todos sorridentes. Atores famosos que ganham rios de dinheiro não precisam estimular a indústria da morte. É que eles fingem não conhecer clínicas de drogados. Depois, as grandes redes de TV se espantam com a morte de moços de 19 anos, dirigindo embriagados depois de festas e baladas. Até a Rússia - do "homem dos olhos maus", herdeiro da KBG, o autoritário senhor Putin -, proibiu propaganda de bebida alcóolica antes das 9 da noite. Pois o alcoolismo por lá se encontra em dimensões alarmantes. Aqui: tudo é permitido. O lobby da cerveja é maior. É fortíssimo, quase onipotente. A vida que se dane. Podemos pensar nisso? Não aprofundei? Não. Queria apenas refletir.
Só peço isso: que meditem comigo. No fundo, queria fazer um hino em favor da esperança, da vida, tão destruída a cada dia, nas nossas cidades violentas, nas periferias favelizadas. É o reino e a hegemonia do capital, do mercantilismo, do dinheiro. É o hiperindividualismo. É essa chaga do capitalismo que temos que enfrentar: vender e matar.


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