REFLEXÕES IV
Emanuel Medeiros Vieira- Brasília
Para Clarice - sempre claridade: minha filha.
Para Paulão, Pieri e Bailon
Para Clarice - sempre claridade: minha filha.
Para Paulão, Pieri e Bailon
POBRE PDT! O engenheiro Leonel mexe-se no túmulo. Os herdeiros do trabalhismo honrado quando percebem que o PDT- criado pela entrega do PTB, perpetrada por Golbery, às mãos da não-saudosa Ivete Vargas - entrega-se ao governo, em busca de prebendas, "boquinhas" e carros oficiais, devem ficar corados. De vergonha. Na cerimônia de posse, Lula (o rei do lugar-comum e dos discursos vazios), o Napoleão do ABC conseguiu ironizar o "pobre" (para não chamá-lo de despreparado) presidente do PDT (presidente!), dizendo que ele, apesar de indicado para o ministério da Previdência Social, fora transferido para a pasta do Trabalho (que já teve Jango à sua frente!), porque o partido, em suas linhas programáticas, era contra a reforma da Previdência. O novo ministro, com ar de paspalho deslumbrado, só soube sorrir. Parecia Cantinflas (lembram-se do humorista mexicano?), doido para segurar a "boca", o osso carnudo do suor do trabalhador brasileiro. Carro oficial, poder..... o Maquiavel nordestino, reconheça-se, sabe como "ganhar" (o verbo era outro, mas para não parecer ofensivo...) a consciência de muitos seres humanos. Sem amargura, mas infinita tristeza, percebo: são poucos os que se salvam. Em 35 anos de casa política, não consigo contar nos dedos de uma mão, os que não ficaram deslumbrados, os que não mudaram, os que não renegaram as suas origens. O PTB, para quem não sabe, teve (não falo desse arremedo de partido que anda por aí) uma longa tradição de lutas nacionalistas, e quando ocorreu o funesto Golpe de Estado, sua bancada parlamentar era a que mais crescia. Um partido que teve um orador da estirpe de Doutel de Andrade, tem hoje um ministro e alguns quadros que parecem pobres de espírito, desorientados, carentes de leituras básicas, analfabetos funcionais. E onde a ética parece mercadoria a ser negociada. O engenheiro também tem culpa: era um sol que não queria sombra à sua volta. Não conseguiu formar lideranças. E o inventário é tenebroso. Quem ficou? Tal veredicto não invalida a luta de Leonel Brizola pela democracia no Brasil. A única vitória "social" (do povo) que vi no Brasil no meu tempo de vida foi a Legalidade, em 1961. Por resistência. Não acordo. A nobre luta pela anistia, da qual participei intensamente, por mais empenho, não deixou de ser um pacto das elites, um acordo com a grande rede de TV,- percepção. que não desmerece a luta de todos nós, de todos que trouxeram de volta os brasileiros para a casa. LEMBRO DA ESTAÇÃO DE TREM EM BERLIM, NO INVERNO EUROPEU (dez graus abaixo de zero!) DE 1976, E UMA MOÇA, AMIGA DE LUIZ TRAVASSOS, PEDINDO - CHORANDO E ABRAÇANDO-ME: "EMANUEL, LUTA PELA ANISTIA! POR FAVOR, LUTA". Eu já podia voltar. Modestamente, mas diariamente, de manhã, de tarde e de noite, CUMPRI MINHA PROMESSA.
MINISTRA
A ministra da Igualdade Racial A apagada senhora escolhida para o cargo de ministra da Igualdade Racial, deu declarações desastrosas e o pior não foi isso. Mas a retratação. A desculpa de sempre:"Estava fora do contexto." Ninguém se assume! Todos se desculpam! Esta república perdeu a vergonha? Mas por-que a pouca ilustrada senhora se retrata? Para o bem do Brasil? Nada. Para não perder o carro oficial, as beneses, o motorista, o poderzinho, o círculo de "aspones" e aduladores. É preciso informar à ministra que, no abjeto tráfico de seres humanos, havia uma enorme cumplicidade de reis africanos. Insisto: no tráfico, sabe-se,. houve enorme cumplicidade (ler Ronaldo Vainfas) dos reis africanos. (E não me venham com "notas de solidariedade" encomendadas. Conheço de longe, e não vim do PFL, hoje "Democratas".... Minha origem é outra.) Mas o partido no poder só quer saber de reuniões, assembléias, plenárias, uma masturbação eterna, inútil. E a UNE, de tantas lutas, virou um apêndice do PT, uma entidade neo-pelega como a CUT. Qure tristeza! Participei do CPC da UNE, militei ativamente no movimento estudantil de esquerda, estive na frente das passeatas de 68 (e depois) - a AP tinha fibra, coragem, dignidade. E seus membros sempre leram muito. (Entardece e escuto Mozart.)
ÁFRICA
O historiador Ronaldo Vainfas afirma: "Essa história de vitimizar a África, ocultando que a África se envolveu no tráfico, é descabida, mistificadora e historicamente frágil. Havia uma cumplicidade enorme dos reis africanos."
"O GRAMSCI DOS PAMPAS"
O ministro da Justiça, tenta camuflar sua vaidade. Podemos ler suas palavras. Espremendo, apesar do tom pedante e pernóstico, cheio decitações, não fica nada. É um discurso,vazio, meloso, vaidoso e medíocre. Agora, renega Lênin. É de bom tom para o momento. Mas Lênin pensava mais... (Mesmo reconhecendo que a semente dos crimes stalinistas possam estar embutidos no seu pensamento e na sua prática.) Mas, reconheça-se, que o partido do "intelectual orgânico" (!) conseguiu criar aparelhos subleninistas tropicais, em que o talento e a ética valem pouco. Importa a filiação partidária. Para essa gente, os fins justificam os meios. Sempre. E não leram Maquiavel...
LULA
O SENHOR JÁ LEU ALGUM LIVRO NOS ÚLTIMOS ANOS?
O senhor já leu um livro neste ano?
O senhor já leu algum livro no ano passado?
O senhor já leu algum livro nos últimos dez anos?
O senhor já leu algum livro na vida?
O senhor acha que literatura é algo importante?"
(Não falo da porcariada ignóbil da dita auto-ajuda.) Mesmo não lendo, o senhor não poderia incentivar o hábito da leitura?
Porque algumas leis de incentivo à cultura, só favorecem os que não precisam, e parecem só ajudar os sobrenomes famosos? E quem vive mamando nas tetas do Estado, mesmo dizendo-ser "marxista" (ah, é muito sofrimento!), bajula o rei para não perder os benefícios, as "bocas polpudas", os incentivos, ah santa Petrobrás, telefônicas privadas que gostam de adular o presidente... sempre os mesmos. Não, nada de parecer inimigo dos prazeres do povo. O churrasco, a pinga, a cerveja, o Corinthians, a música sertaneja (de butique, nunca de raiz).
Mas estudar seria um patrimônio que ninguém tiraria do senhor. Os áulicos passam. Seu cinzento segundo governo logo passará. Seu ministério - um dos mais medíocres da historia republicana- logo irá embora. Triste Brasil! Cinzas e pó. O patrimônio é outro. Não há um só assessor que tenha coragem de sugerir alguma leitura? Uma visão de mundo um pouco mais profunda que o reino sindical de negociações eternas? Todos têm medo? Dos palavrões, dos chiliques, das broncas em público? Que república de puxa-sacos! A imprensa chapa branca e alguns professores universitários, dirão que é preconceito. Nada disso. Insisto. O problema não é de origem. Mas de caráter. Há senhoras colunistas de página 2 que parecem escrever um diário oficial do PT. Camuflam, mas são petistas de carteirinha, fanáticas disfarçadas, e recebem o magnífico "estadista" para rega-bofes em suas confortáveis casas no Lago. E foram comunistas na juventude... Mas Mozart me eleva. E penso que toda luta vale a pena. Penso nos amigos mortos- plantados no meu coração -, alguns nas masmorras da ditadura miliar. A palavra acesa celebra a vida.


1 Comments:
Emanuel: Li, com toda atenção e com todo carinho mais um de teus textos. Firme no combate e na crítica feroz à mediocridade intelectual e governamental. Eu, também, lamento muito que estes nossos chamamentos produzam muito pouco efeitos. O petismo, Emanuel, na Universidade foi e é uma forma disfarçada de fascismo. Provas de autoritarismo, intolerância e exclusões políticas e ideológicas muito fortes. Aqui, em nossa Universidade, já escrevi e já publiquei algumas reflexões sobre os enormes danos do petismo. Assim como também, Emanuel, lamento muito pela relevante mediocridade dos traidores de alguns dos grandes ideais do trabalhismo, do janguismo e do brizolismo. Destacamos, aqui, as relevantes escorregadelas dos novos oportunistas do que foi o pedetismo ensimesmado e do brizolismo de algum respeito. Mas, esta é a vida, Emanuel, na periferia do capitalismo e no centro do Brasil.
Parabens, Emanuel, por mais esta reflexão e até breve do, Gerônimo, de Floripa (SC) BR.
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