ERA FHC
Emanuel Medeiros Vieira -Brasília
para Antonio Albino Pinheiro Marinho
Estimado Cacau Saudações..Brasília, 16 de agosto de 2002.
Acho que somos também a voz dos que não têm voz: sem nenhuma paranóia, creio que a mídia em geral está revelando preferência clara pela candidatura governista de José Serra e demonizando a de Ciro Gomes. Elaborei, sem rigorosa pretensão analítica ou de esgotar a abordagem do período, uma espécie de inventário da “Era FHC” Fernando Henrique Cardoso sempre qualificou seus críticos de “dinossauros”, “neobobos”, “caipiras”, porque os mesmos condenavam o desatino das privatizações sem critério e criticavam a política econômica.
Éramos ridicularizados. Diziam que queríamos um Estado forte.Certos “formadores” de opinião na grande imprensa seguiam a ladainha do “Patriarca da Dependência”.Muitos os que hoje criticam o modelo participavam, felizes, dos leilões de privatização.
Como observou Mauro Santayana, empresas construídas com o sacrifício de várias gerações de brasileiros- como é o caso exemplar da Vale do Rio Doce foram praticamente doadas aos aventureiros nacionais e estrangeiros. Alguém qualificou o empréstimo obtido do FMI de “uma prescrição de cianureto” em doses anuais: teremos que manter o superávit primário de 3,75% do PIB durante os próximos anos. Como o PIB não crescerá na mesma proporção, estaremos condenados a descer abaixo da Argentina, com mais desemprego, mais violência, mais desespero.Não teremos nem mais o que vender; seremos obrigados a entregar mais ativos e a cortar ainda mais fundo os gastos sociais, como os da educação, da saúde, da cultura – para nada porque a dívida será sempre maior, maiores os juros e menores os prazos.Por quanto tempo o País pode manter um modelo econômico fundado no financiamento externo e nos constrangimentos orçamentários? Só de juros da dívida interna e externa, entre 1999 e maio de 2002, o País pagou R$ 357 bilhões, o equivalente às receitas orçamentárias de um ano inteiro, sendo R$ 35 bilhões com títulos pré-fixados, R$ 190 bilhões com pós-fixados, R$ 112 bilhões com, papéis corrigidos pelo dólar e R$ 20 bilhões com a dívida externa. ISSO SIGNIFICA QUE, DOS QUATRO ANOS DO SEGUNDO MANDATO DO GOVERNO DE FHC, UM ANO INTEIRO DE ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS FOI DESTINADO AO PAGAMENTO DOS JUROS DA DÍVIDA PÚBLICA.
A sociedade pode agüentar perder um ano em cada quatro de receitas públicas que poderiam estar financiando o desenvolvimento econômico e social? “Para quem soubesse pensar estava claro, já naquele tempo, que o sistema aplaudido pelo monetaristas brasileiros era desprovido de razão essencial porque desprovido de ética”, resumiu alguém. Creio que a felicidade do indivíduo é a obra-prima do Estado. E sem ética, nenhum Estado pode aspirar à civilização.
Avalio a era tucana como quase uma década de desatino, que nos custou 30 anos de retrocesso econômico e erosão da soberania nacional, que deixou milhões de desempregados e uma guerra civil não declarada com milhares de mortos todos os anos.Um grande abraço deste teu (sempre) ilhéu, Emanuel Medeiros Vieira PS: Mas não leves a sério aquilo que não te faz rir... PS: A gente atrai o que ACREDITA e não o que QUER.
ERA FHC 2
CONFISCO
(O PT E A VITÓRIA DOS BANQUEIROS E DO FASCISMO)
(Medito sobre um tema que parece superado, mas não está: o favorecimento do governo do PT (como ocorreu anteriormente com o PSDB) aos banqueiros e às empresas de previdência privada, contra o servidor público.) A proposta de cobrança do servidor público inativo feita pelo Governo do PT - que foi vitoriosa, com o estímulo dos banqueiros, "donos” da previdência privada (digo: bancos) e da mídia chapa-branca e favorável à exploração dos pequenos e fervorosa defensora do modelo neoliberal -, representa um confisco de renda, que está sendo transferida dos aposentados para os banqueiros e credores internacionais. Além disso, revela uma estratégia covarde: é mais fácil taxar inativos do que brigar com bancos.Agindo dessa forma, o PT praticou um dos maiores estelionatos eleitorais da história do País, além de ferir um princípio jurídico elementar: o do respeito o direito adquirido. Este Governo – aparelhado, direitizado, intrinsecamente traidor dos seus princípios -, está sendo forte com os fracos e fraco com os fortes. Demonstra odiosa subserviência aos organismos internacionais e ao capital financeiro especulativo, que tanto vampirizou nossas riquezas.
Existem abusos nas aposentadorias? Sim, e deve-se corrigi-los, não sendo eticamente aceitável que, como na parábola bíblica, o justo pague pelo pecador. Enquanto isso, a sonegação continua, os fraudadores da Previdência não são punidos, e os banqueiros continuam obtendo lucros exorbitantes e pecaminosos às custas do sofrimento e da humilhação do povo brasileiro. Demonizando os servidores, o governo do PT- como fazia o seu antecessor tucano -, as grandes redes de “desinformação”, a mídia conservadora e seus colunistas “chapa-branca”, os empresários e banqueiros (interessados no próspero mercado da previdência privada), distorcem o problema e fazem vista grossa à sangria das dívidas externa e interna. Foi dito que a contribuição dos servidores inativos geraria cerca de R$ 2 bilhões por ano. Para se ter uma idéia deste montante, vale lembrar uma declaração do ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel: “Nossas empresas sonegam R$ 400 bilhões ao fisco por ano (meio PIB), além de deverem mais de R$ 4 bilhões ao INSS.” Isto sem falar que nossos maiores bancos não pagam Imposto de Renda.
Também foi dito pelo Governo do PT que a reforma economizará R$ 52 bilhões até 2033. Só no primeiro trimestre deste ano, os juros das dívidas interna e externa chegaram R$ 50 bilhões. Em três meses pagamos aos credores o equivalente ao total economizado em 30 anos com os cortes dos direitos da Previdência. E com todo esse pagamento, não foi abatido um só centavo (um só centavo, repito) do principal da dívida.
O governo FHC, a mídia, e agora o PT, têm demonizado o servidor e insistido numa mentira, visando incompatibilizar o funcionário com o povo brasileiro. Os servidores não tem privilégio algum. Eles descontam 11% de seus salários, ao contrário dos celetistas que só deduzem no máximo sobre 10 salários mínimos, o que limita as pensões. Mas o PT prefere taxar os inativos a mexer com os grandes exploradores da Pátria.
O PT prefere bater nos pequenos. O PT está com medo de brigar com os poderosos? Porque não enfrenta os grandes bancos, que têm lucros pecaminosos? Porque não pune os sonegadores? A visão do PT- quem diria... - é meramente contábil, perversa com os pequenos e de completa subalternidade àqueles que sempre nos exploraram. Os cúmplices desta crueldade (deslumbrados com os holofotes das grandes redes, com o apoio dos grandes bancos) deverão ser permanentemente denunciados e execrados em praça pública: os aposentados devem anotar o nome dos parlamentares que votarem a favor desta injusta medida para que não sejam nunca mais votados. Eu sei: o brasileiro esquece rápido. O ser humano esquece rápido. Os velhos exploradores contam com isso. Tenho me repetido? Tenho. Mas como poucos escutam, é preciso falar sempre, mesmo que seja no deserto. Mas velhos humanistas já diziam que o deserto é fértil.
para Antonio Albino Pinheiro Marinho
Estimado Cacau Saudações..Brasília, 16 de agosto de 2002.
Acho que somos também a voz dos que não têm voz: sem nenhuma paranóia, creio que a mídia em geral está revelando preferência clara pela candidatura governista de José Serra e demonizando a de Ciro Gomes. Elaborei, sem rigorosa pretensão analítica ou de esgotar a abordagem do período, uma espécie de inventário da “Era FHC” Fernando Henrique Cardoso sempre qualificou seus críticos de “dinossauros”, “neobobos”, “caipiras”, porque os mesmos condenavam o desatino das privatizações sem critério e criticavam a política econômica.
Éramos ridicularizados. Diziam que queríamos um Estado forte.Certos “formadores” de opinião na grande imprensa seguiam a ladainha do “Patriarca da Dependência”.Muitos os que hoje criticam o modelo participavam, felizes, dos leilões de privatização.
Como observou Mauro Santayana, empresas construídas com o sacrifício de várias gerações de brasileiros- como é o caso exemplar da Vale do Rio Doce foram praticamente doadas aos aventureiros nacionais e estrangeiros. Alguém qualificou o empréstimo obtido do FMI de “uma prescrição de cianureto” em doses anuais: teremos que manter o superávit primário de 3,75% do PIB durante os próximos anos. Como o PIB não crescerá na mesma proporção, estaremos condenados a descer abaixo da Argentina, com mais desemprego, mais violência, mais desespero.Não teremos nem mais o que vender; seremos obrigados a entregar mais ativos e a cortar ainda mais fundo os gastos sociais, como os da educação, da saúde, da cultura – para nada porque a dívida será sempre maior, maiores os juros e menores os prazos.Por quanto tempo o País pode manter um modelo econômico fundado no financiamento externo e nos constrangimentos orçamentários? Só de juros da dívida interna e externa, entre 1999 e maio de 2002, o País pagou R$ 357 bilhões, o equivalente às receitas orçamentárias de um ano inteiro, sendo R$ 35 bilhões com títulos pré-fixados, R$ 190 bilhões com pós-fixados, R$ 112 bilhões com, papéis corrigidos pelo dólar e R$ 20 bilhões com a dívida externa. ISSO SIGNIFICA QUE, DOS QUATRO ANOS DO SEGUNDO MANDATO DO GOVERNO DE FHC, UM ANO INTEIRO DE ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS FOI DESTINADO AO PAGAMENTO DOS JUROS DA DÍVIDA PÚBLICA.
A sociedade pode agüentar perder um ano em cada quatro de receitas públicas que poderiam estar financiando o desenvolvimento econômico e social? “Para quem soubesse pensar estava claro, já naquele tempo, que o sistema aplaudido pelo monetaristas brasileiros era desprovido de razão essencial porque desprovido de ética”, resumiu alguém. Creio que a felicidade do indivíduo é a obra-prima do Estado. E sem ética, nenhum Estado pode aspirar à civilização.
Avalio a era tucana como quase uma década de desatino, que nos custou 30 anos de retrocesso econômico e erosão da soberania nacional, que deixou milhões de desempregados e uma guerra civil não declarada com milhares de mortos todos os anos.Um grande abraço deste teu (sempre) ilhéu, Emanuel Medeiros Vieira PS: Mas não leves a sério aquilo que não te faz rir... PS: A gente atrai o que ACREDITA e não o que QUER.
ERA FHC 2
CONFISCO
(O PT E A VITÓRIA DOS BANQUEIROS E DO FASCISMO)
(Medito sobre um tema que parece superado, mas não está: o favorecimento do governo do PT (como ocorreu anteriormente com o PSDB) aos banqueiros e às empresas de previdência privada, contra o servidor público.) A proposta de cobrança do servidor público inativo feita pelo Governo do PT - que foi vitoriosa, com o estímulo dos banqueiros, "donos” da previdência privada (digo: bancos) e da mídia chapa-branca e favorável à exploração dos pequenos e fervorosa defensora do modelo neoliberal -, representa um confisco de renda, que está sendo transferida dos aposentados para os banqueiros e credores internacionais. Além disso, revela uma estratégia covarde: é mais fácil taxar inativos do que brigar com bancos.Agindo dessa forma, o PT praticou um dos maiores estelionatos eleitorais da história do País, além de ferir um princípio jurídico elementar: o do respeito o direito adquirido. Este Governo – aparelhado, direitizado, intrinsecamente traidor dos seus princípios -, está sendo forte com os fracos e fraco com os fortes. Demonstra odiosa subserviência aos organismos internacionais e ao capital financeiro especulativo, que tanto vampirizou nossas riquezas.
Existem abusos nas aposentadorias? Sim, e deve-se corrigi-los, não sendo eticamente aceitável que, como na parábola bíblica, o justo pague pelo pecador. Enquanto isso, a sonegação continua, os fraudadores da Previdência não são punidos, e os banqueiros continuam obtendo lucros exorbitantes e pecaminosos às custas do sofrimento e da humilhação do povo brasileiro. Demonizando os servidores, o governo do PT- como fazia o seu antecessor tucano -, as grandes redes de “desinformação”, a mídia conservadora e seus colunistas “chapa-branca”, os empresários e banqueiros (interessados no próspero mercado da previdência privada), distorcem o problema e fazem vista grossa à sangria das dívidas externa e interna. Foi dito que a contribuição dos servidores inativos geraria cerca de R$ 2 bilhões por ano. Para se ter uma idéia deste montante, vale lembrar uma declaração do ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel: “Nossas empresas sonegam R$ 400 bilhões ao fisco por ano (meio PIB), além de deverem mais de R$ 4 bilhões ao INSS.” Isto sem falar que nossos maiores bancos não pagam Imposto de Renda.
Também foi dito pelo Governo do PT que a reforma economizará R$ 52 bilhões até 2033. Só no primeiro trimestre deste ano, os juros das dívidas interna e externa chegaram R$ 50 bilhões. Em três meses pagamos aos credores o equivalente ao total economizado em 30 anos com os cortes dos direitos da Previdência. E com todo esse pagamento, não foi abatido um só centavo (um só centavo, repito) do principal da dívida.
O governo FHC, a mídia, e agora o PT, têm demonizado o servidor e insistido numa mentira, visando incompatibilizar o funcionário com o povo brasileiro. Os servidores não tem privilégio algum. Eles descontam 11% de seus salários, ao contrário dos celetistas que só deduzem no máximo sobre 10 salários mínimos, o que limita as pensões. Mas o PT prefere taxar os inativos a mexer com os grandes exploradores da Pátria.
O PT prefere bater nos pequenos. O PT está com medo de brigar com os poderosos? Porque não enfrenta os grandes bancos, que têm lucros pecaminosos? Porque não pune os sonegadores? A visão do PT- quem diria... - é meramente contábil, perversa com os pequenos e de completa subalternidade àqueles que sempre nos exploraram. Os cúmplices desta crueldade (deslumbrados com os holofotes das grandes redes, com o apoio dos grandes bancos) deverão ser permanentemente denunciados e execrados em praça pública: os aposentados devem anotar o nome dos parlamentares que votarem a favor desta injusta medida para que não sejam nunca mais votados. Eu sei: o brasileiro esquece rápido. O ser humano esquece rápido. Os velhos exploradores contam com isso. Tenho me repetido? Tenho. Mas como poucos escutam, é preciso falar sempre, mesmo que seja no deserto. Mas velhos humanistas já diziam que o deserto é fértil.


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