VIETNAM (Sempre)
Emanuel Medeiros Veira- de Brasília
Trinta e dois anos depois do final da guerra e da maior derrota militar dos EUA, os efeitos da dioxina usada no desfolhante agente laranja continuam a afetar regiões que compreendem áreas do Vietnam, do Laos e do Camboja. Os resíduos se entranharam na terra e nas sementes das plantas, e pessoas que as consumiram e consomem, transmitiram e transmitem seus efeitos aos descendentes. Em matéria publicada no Jornal do Brasil , Mauro Santayana escreve: "Com imagens de crianças sem olhos, sem braços, sem ouvidos, com a espinha dorsal dividida em duas, os membros atrofiados, o crânio piramidal, e relatos sobre recém-nascidos com os órgãos genitais na face, volta aos jornais europeus a denúncia conta o mais nefando dos terrorismos. São milhares de seres humanos e, enquanto viverem e continuarem a nascer, representam o libelo mais ácido contra os piores terroristas do século 20: os senhores estadunidenses da guerra." Trinta e dois anos depois da derrota dos invasores na batalha final de Saigon, continuam os tenebrosos efeitos do agente laranja usados pelos EUA. Uma matéria de José Reinoso, enviado do prestigiado jornal El Pais, de Madrid, traz o depoimento "seco e contundente", de médicos do país e de algumas dessas crianças. A história do desfolhante laranja começou na Segunda Guerra Mundial, quando os encarregados das armas químicas sugeriram seu emprego maciço sobre os arrozais japoneses "Ao saber do projeto que mataria os inimigos de fome, Roosevelt - vítima de paralisia infantil - vetou-o, mas Truman, aos substitui-lo, mandou jogar a bomba atômica sobre Hiroshima. Estimulados pelo Pentágono, as maiores empresas químicas do país - tendo à frente a Monsanto e a Dow Chemical - passaram a pesquisar s efeitos do agente laranja contra os seres vivos, não só os da deformação genética, como também os da indução ao câncer. Em 1960 passaram a produzir para a guerra. Em novembro de 1961, o glorificado presidente Kennedy autorizou o uso do produto no Vietnã", relata Santayana. Naquele país, hoje, além das crianças deformadas, a incidência de câncer no útero é 30 vezes maior do que no resto da Ásia. O Protocolo de 1925 que integra os seculares acordos de Genebra sobre a conduta na guerra, proíbe rigorosamente o uso de armas químicas nas batalhas. A decisão foi tomada depois do emprego de gases mortais na Primeira Guerra mundial. "Mas 29 anos depois, os nazistas, para o extermínio 'limpo' do judeus e outras etnias (incluída a 'raça' dos comunistas) encomendaram à IG-Barben a produção do gás Zyklon B, usado em Auschwtiz e em outros campos." Mauro Santayana conclui (depois de acusar os EUA de serem os herdeiros da arrogância nazista): "A IG-Farben - que naceu para produzir anilinas - tem suas sucessoras na Monsanto e na Dow Chemical, orientadas pela mentalidade de que a morte pode ser o resultado de um processo técnico lucrativo, seja na produção da dioxina, ou transgênicos, obtidos mediante essa necrotecnologia que condena as sementes à morte, depois de duas ou três colheitas, a fim de que mantenham o monopólio de sua produção. Não lhes importa a possibilidade de que os transgênicos venham a matar os consumidores ou a condenar as almas das crianças a habitar corpos deformados nas próximas gerações. O que importa é o preço de suas ações, os dividendos aos acionistas e elevada remuneração de seus quadros executivos."


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