<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685</id><updated>2011-07-29T04:48:34.953-04:00</updated><title type='text'>NOVA KLAXON</title><subtitle type='html'>Literatura,arte</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>38</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-6081037890520222567</id><published>2009-12-19T18:15:00.004-04:00</published><updated>2010-06-02T10:06:42.046-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;Pela primeira vez se tem notícia, nesse país, de que um prêmio literário importante é dado e retirado, as razões podem ser entendidas pelas notícias abaixo e o histórico do fato.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias e histórico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Link para a matéria da Tv Bandeirantes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.bandrs.com.br/bandtv/index.php?n=11349&amp;amp;p=0"&gt;http://www.bandrs.com.br/bandtv/index.php?n=11349&amp;amp;p=0&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Link para a matéria do jornal Correio do Povo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/"&gt;http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correio do Povo&lt;a href="http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/"&gt;Arte &amp;amp; Agenda&lt;/a&gt; &amp;gt; Variedades17/12/2009 20:54 - Atualizado em 17/12/2009 20:58&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaque em prêmio Açorianos é revogado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro dos jornalistas jurados eram da mesma empresa de comunicação&lt;a href="http://www.blogger.com/" name="containerFonte"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de um início de polêmica, o prêmio Açorianos de Destaque em Projeto de Incentivo, Promoção e Divulgação da Literatura, concedido ao projeto Maratona Literária, da Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre foi revogado na tarde de hoje pelo secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga.&lt;br /&gt;“Decidimos tirar dos registros dos vencedores este projeto porque achamos que não ficaria bem para a transparência do evento”, revela Gonzaga.&lt;br /&gt;O secretário esclarece que a escolha foi espontânea do corpo de 27 jurados e que irá enviar uma carta a eles, explicando os motivos do declínio.&lt;br /&gt;“Não havia impedimento no regulamento, mas decidimos não aceitá-lo”, ressalta. Em 1995, a revista Porto &amp;amp; Vírgula havia ganho o prêmio Destaque em Mídia Impressa.&lt;br /&gt;Sergius Gonzaga disse que por falta de cuidado na escolha dos jurados, quatro dos jornalistas convidados eram da mesma empresa de comunicação, mas que isso não refletiu diretamente em nenhuma das escolhas.&lt;br /&gt;“A escolha dos jurados é por notório saber, não pela empresa que representam”, explicou.&lt;br /&gt;Ele anunciou, ainda, que o prêmio Açorianos de Literatura terá prêmio em dinheiro nas próximas edições. A categoria Conto receberá um valor a ser confirmado em na edição de 2010, a Narrativa Longa, em 2011 e a Poesia, em 2012.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Secretário Sergius Gonzaga informou na tarde de hoje (17 dez) a Band News e a jornalista Lucia Mattos que iria cancelar a premiação doAçorianos 2009 a Maratona Literária, em função desta ser uma atividade realizada pela própria secretaria e portanto não poderia ser premiada.Com essa atitude o secretário demonstra que está atento as ponderações que fizemos no texto sobre essa premiação e contou com apoio de vários intelectuais.Textos abaixo, na ordem de seu envio:&lt;br /&gt;----- Original Message -----From: Marco Celso H.ViolaSent: Wednesday, December 16, 2009 3:22 PMSubject:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Maratona Literária-quando o Estado premia a si mesmo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Prêmio Açorianos- de 2009&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se que não existe nenhuma iniciativa importante na área do livro por parte do Estado, nesse caso o muncípio, quando ele premia a si mesmo por ter feito ou fazer aquilo que é sua obrigação. O PrêmioAçorianos desse ano revela isso, a premiação da Maratona Literáriacomo "Promoção e Divulgação da Literatura em Porto Alegre"-, a partir de indicação espontânea. Segundo consta existe um corpo de jurados para julgar as diversas categorias do Prêmio Açorianos e a essa, esse ano, soma-se uma curiosa"indicação espontânea".&lt;br /&gt;Depois de não ter recebido o Fato Literário de 2009, apesar do esforço&lt;br /&gt;realizado junto as urnas colocadas na Feira do Livro e fora dela -com funcionárias da Divisão do Livro destacadas para buscar votos junto aos frequentadores da Feira (se não me engano o dinheiro que paga esse pessoal é dinheiro de impostos) - percebe-se que existe por parte da direção da atual Divisão do Livro bem como adminstração cultural do muncípio a busca de promoção pessoal e de suas atividades e a inexistência total de um plano para a cultura de Porto Alegre onde repetem-se iniciatavas antigas como o Baile da Cidade- cujos custos de um único dia ultrapassam o valor do orçamento anual do Atelier Livre da Prefeitura.&lt;br /&gt;Até quando os intelectuais desta cidade vão permanecer integrando-se em atividades como essas sancionando-as sem nenhuma discussão?&lt;br /&gt;Está na hora de começar a dizer basta para o cumpadrio, para aquelesque fazem do dinheiro público escada para carreiras nem sempre bem explicadas ou com currículo para exercê-las.&lt;br /&gt;Marco Celso Huffell Viola*Fonte a notícia do site da SMC-Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 16/12/09, Celso Sant Anna&amp;lt;&lt;a href="mailto:celsoluizsantana@hotmail.com"&gt;celsoluizsantana@hotmail.com&lt;/a&gt;&amp;gt; escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezado Marco e demais As políticas em âmbito da capital e do governo do Estado na área da Cultura não respiram o que é feito no teatro, música, poesia e por aí vai. Sabe, índio véio, é de desanimar. Nós que transitamos pela construção diária e de formiguinha no mundo das artes, não estamos em consonância com os "grandes projetos" reforçados por setores da mídia que associam o fazer cultural com sucesso. Sucesso esse, que está a serviço de reforçar um status quo, sem um mínimo de questionamento. Há, praticamente, uma censura velada ao diferente.O que vale é o grande, com ampla repercussão, e o tradicional, ambos com a função de reforçar valores cristalizados. Existe espaço para todos, mas quando Cultura é um valor tratado pelo enfoque da diversão apenas, aí épreciso refletir. Buenas, acho que peguei leve. Abraços Celso Lembre-se: O meu pensamento vivo você encontra em: &lt;a href="http://twitter.com/CelsoSantAnna" target="_blank"&gt;http://twitter.com/CelsoSantAnna&lt;/a&gt;-----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Original Message -----From: "Renato Motta" &amp;lt;&lt;a href="mailto:renato.mattos.motta@gmail.com%3ESubject"&gt;mailto:renato.mattos.motta@gmail.com%3ESubject&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;Re: Maratona Literária-quando o Estado premia a si mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos,Faço minhas as palavras do Celso! Não apenas é vergonhosa e imoral a busca de autopromoção através do aparato público. Acho importante ressaltar que "aquilo que é obrigação" de uma secretaria de Cultura ouuma Divisão desta secretaria fazer não pode ser passível de premiaçãopor esse próprio órgão, ainda mais quando quando a obrigação não écumprida e o serviço resulta mal feito.Do que falo?Falo de um evento que conheci, tendo participado das primeiras 2 ou 3edições, que supostamente deveria "promover e divulgar a literatura emPorto Alegre", que aconteceu no Centro Municipal de Cultura, local debaixa circulação de populares, reunindo um grupo seleto de literatos,artistas plásticos, músicos e membros da "inteligentzia"portoalegrense para lerem "Cem Anos de Solidão", "A Metamorfose", "OsRatos" ou "On the Road", livros que - assim como eu - a maioriadaquelas pessoas já leu há mais de 30 anos... quando percebi que oreferido evento não passava de um convescote de notáveis para ver eser visto, que não produzia efetivamente qualquer contribuiçãocultural, deixei de frequentar. Ainda mais quando tive o desprazer dever as funcionárias da Divisão do livro em plena tarde de um dia desemana empenhadas em arregimentar votos populares para fazer daMaratona o "Fato Literário" em detrimento de outros projetos que mepareceram muito mais meritórios e conseqüentes...Não conseguiram o Prêmio Fato Literário. Fazer o que? Usar o PrêmioAçorianos? Este não há como perder, é só mexer pauzinhos, criar uma"indicação espontânea". Não interessa se isto pode denegrir a imagemde um prêmio que até hoje era tido como digno de respeito. Nãointeressa se a ética mandaria recusar mesmo se o júri tivesse sidorealmente espontâneo ao dar esse prêmio. Interessa a satisfação dasvaidades. Interessa a autopromoção. O odor do incenso aceso em causaprópria, o gozo de ganhar um prêmio pela própria mão.E a Cultura, a verdadeira cultura de Porto Alegre?Esta precisa mendigar verbas, esmolar uma centena de cartazes daqui,um xerox dali, ao custo de colocar medalhas de apoio em eventos sériosque o poder público apenas finge apoiar--Renato de Mattos Mottapoeta, artista plástico, publicitário(51) 3024-6221(51) 9237-5646&lt;br /&gt;De: mar.rio &amp;lt;&lt;a href="mailto:mar.rio@terra.com.br%3EAssunto"&gt;mailto:mar.rio@terra.com.br%3EAssunto&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Re: Re:Maratona Literária-quando o Estado premia a si mesmoData:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009, 15:53Olhem, amigos,nosso querido bardo Quintana já dizia que o problema da literaturagaúcha era a "semostrância". Agora, mais esta atitude coronelista da administração de Porto Alegre,uma cidade abandonada aos buracos e descuidados.Como escritor, infelizmente, não posso me valer de entidade algumapara discutir sobre isso.&lt;br /&gt;Posso falar por mim, e devo pedir esclarecimentos aos envolvidos, como cidadão, mas na possibilidade de uma resposta não acredito. Acredito nas pessoas, não dou crédito aos trocados negociados por algumas.&lt;br /&gt;Não poderia esperar nada menos insólito da secretaria de cultura dePorto Alegre, uma cidade atirada aos descalabros.Sem que estejam lançados os dados do imaginário,todo e qualquersistema político é ineficiente e precário.Ainda, e além, há quem queira que esse estado de coisas tome assentosno palácio do Governo Estadual.&lt;br /&gt;O senhor do tempo nos livre disso, a nós, poetas, atores, dançarinos,artistas visuais, músicos e habitantes desta cidade cercada por muros.&lt;br /&gt;Resta rogar ao Papai Noel que devolva o bom senso ao momento e ao movimento criativo da província. Papai do Céu não irá tratar dessas egolatrias.&lt;br /&gt;Corpo Santo e Sepé Tiaraju, estavam certos: esta loucura tem dono!Mario Piratapoeta &amp;amp; brincadeiroEstrada Luiz Bettio, 70(Chapéu do Sol, Belém Velho)Poa, RS, CEP 91787-110(51) – 98144841&lt;a href="http://mariopirata.blogspot.com/" target="_blank"&gt;http://mariopirata.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-6081037890520222567?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/6081037890520222567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=6081037890520222567&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6081037890520222567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6081037890520222567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2009/12/pela-primeira-vez-se-tem-noticia-nesse.html' title=''/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-4626536655238090928</id><published>2009-06-12T21:18:00.001-04:00</published><updated>2009-06-12T23:24:43.884-04:00</updated><title type='text'>A diferença entre produtor cultural e despachante cultural</title><content type='html'>&lt;em&gt;Onde são aplicados os milhões que a Cultura e o Esporte recebem das loterias?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As leis de incentivo a cultura, tanto nacionais como regionais (Lei Rouanet e leis de incentivo a cultura) terminaram por criar uma nova profissão que por falta de uma melhor designação passou a ser chamado de “produtor cultural”. Mas, na verdade, esses “produtores culturais” nada mais faziam/fazem do que preencher corretamente a papelada que visa encontrar a liberação legal para que o verdadeiro produtor cultural possa arrecadar recursos ou das empresas ou do sistema de financiamento estatal, sem nenhuma garantia de efetividade. A correção dos dados exigidos pela lei não significa o acesso à verba.A atividade, na maioria das cidades brasileiras onde a cultura não possui recursos e necessita de financiamento, para fazer livros, jornais, revistas, cinema, teatro,etc, virou um negócio mantido por especialistas capazes de enfrentar a papelada com as absurdas exigências legais (que não eliminam o suborno, o lobby, a transferência de recursos para as mesmas empresas que dizem financiar os projetos culturais) e pago com percentual dos recursos arrecadados, quando não antecipadamente.Com relação aos milhões que a Cultura e o Esporte recebem das loterias, por exemplo, não se tem uma prestação de contas efetiva para a sociedade da aplicação desses recursos, enquanto isso os verdadeiros produtores culturais, aqueles que produzem cultura, tem que ficar na mão desses “especialistas nos meandros burocráticos” para depois mendigar junto a empresas e instituições e assim conseguir realizar o seu trabalho de produzir cultura, quando conseguem vencer a barreiras de gerentes e marketeiros de plantão que manipulam o chamado dinheiro público.Convém começarmos a estabelecer a diferença entre produtor cultural e o mero despachante cultural, (é preciso enfatizar várias vezes isso), o produtor cultural é o que produz cultura, o outro, o despachante cultural é o indivíduo especialista que sabe como preencher a papelada para conseguir ter acesso a liberação das verbas públicas ou leis de incentivo.&lt;br /&gt;O despachante é uma profissão digna e que existe em vários áreas sociais, em Estados excessivamente burocratizados e que sobrevivem como despachantes aduaneiros, de papéis para trânsito, contadores -que preenchem o imposto de renda-, etc ou seja é aquele sujeito que conhece os meandros burocráticos e preenche a papelada necessária para que essa ou aquela atividade possa ser realizada dentro da lei.O despachante cultural definitivamente não produz cultura, quem produz cultura é quem faz cultura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-4626536655238090928?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/4626536655238090928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=4626536655238090928&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4626536655238090928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4626536655238090928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2009/06/diferenca-entre-produtor-cultural-e.html' title='A diferença entre produtor cultural e despachante cultural'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-6821973216567882181</id><published>2008-06-28T17:43:00.001-04:00</published><updated>2008-06-28T17:43:45.146-04:00</updated><title type='text'>Exumando pó ou o filho do barbeiro de Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;em&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia e um círculo de parasitas que navega entre as academias adora comemorar, festejar a obra de autores, sejam quais forem, e os centenários,então, são o motivo ideal, cem anos disso ou daquilo.No ano seguinte a obra é esquecida e, na mesma velocidade, um novo autor “centenário” é rememorado. E, todos esses comemoradores, mordem e ganham alguma coisa com isso, ou seus quinze minutos de fama ou dinheiro mesmo.&lt;br /&gt;Agora chegou a vez dos 120 anos de nascimento de Fernando Pessoa. Por que 120 anos?Não entendo a razão de não comemoraram os 119 anos de nascimento ou 121, ou 119 e um quarto... Um recente documentário da Globonews sobre os 120 anos de nascimento de Fernando Pessoa só mostrou o quão foi pequena ou miúda (como dizem os portugueses) a vida de um dos maiores poetas da língua portuguesa e menor ainda a imaginação do repórter, que a determinado momento chega aproximar o poeta português a Leonardo da Vinci em função de duas invenções dele, a carta-envelope e a máquina de escrever com tipos móveis,invenções essas das quais não existe o menor registro.&lt;br /&gt;Por mais que o jornalista buscasse alguma coisa, revirando velhas anotações, fotos, parentes, mais distante ficava da obra do poeta. E, surge a clássica entrevista com um “estudioso,especialista” junto à estátua de bronze que paralisa em metal uma também fase miúda e magra da vida do poeta como se aquela fosse a verdadeira imagem dele.Uma caricatura em metal como tantas outras que povoam as praças do mundo de fantasmas inúteis que só servem para abrigo das pombas ou para os ladrões de bronze.&lt;br /&gt;Dos especialistas,parentes, sobre a vida de Fernando Pessoa, não havia nada mais a declarar sobre ele que já não se soubesse.Em determinado ponto do documentário o jornalista resolveu entrevistar o filho do barbeiro do Fernando Pessoa...Incrível.Há no documentário, também um filme da ex-namorada, do poeta. Pra quê?Vê-se a distância uma senhora com rosto comum, pateticamente, já morta, abanando de uma janela.Nonsense puro.&lt;br /&gt;O poeta não deixou a guarda de sua alma em fotos, parentes desimportantes ou mesmo no esquema de elétricos feito por ele para encontrar com a namorada.Aquilo tudo está velho desfocado,amarelo. O que ele deixou de importante foi a sua obra, não sua vida.”Viver não é preciso.”E ele viveu pouco, quase nada, o suficiente apenas para escrever.Homenagens nunca as teve,apenas um livro publicado durante sua existência física.Mas isso não interessa esses exumadores de pó como se apenas a realidade vivida pelo poeta possa revelar ou dizer sobre sua identidade,impossível para alguém que em toda a sua obra negou a sua.A vida prática do poeta português, a não ser seu encontro com Alesiter Crowlewy e a correção de seu horóscopo, nada teve mais rumoroso,importante, nada absolutamente nada estranho ou digno de nota, ao contrário da obra. A sua vida pode ser comparada aos brasileiros Drumond e Manoel Bandeira,uma vida comum, banal,cuja vida interior é muitas e várias vezes mais rica e habitada que a vida exterior. &lt;br /&gt;A obra do poeta é sua vida interior,o exterior é apenas um rasgo, uma fresta aonde o verdadeiro poeta espia.Há, as exceções, quando a vida do poeta mistura com sua arte,então, existe algum significado associá-los,mesmo assim não completamente, poesia não é arte da realidade. Recentemente ouvi, também, um desses analistas da obra alheia, ansioso por declarar algo importante,sobre Mario Quintana.Contemporâneo de Mário (eram colegas de redação) ele fala sobre o poeta:“aprendi mais com o silêncio de Mário do com que com suas palavras.” Traduzindo: o poeta não falava com ele. Não dava a mínima importância a esse analista futuro de sua obra.&lt;br /&gt;Não é ótimo?&lt;br /&gt;A necessidade de aduzir, enxertar-se na pessoa da poeta é tanta que vale tudo, mesmo que isso seja completamente insignificante e desnecessário.Mas o que afirmo aqui pode ser associado a outros gêneros de arte, todos têm os seus “especialistas, não criativos” sem luz própria que precisam para sobreviver, se aquecer como mariposas na luz alheia.&lt;br /&gt;Aliás, o filho do barbeiro de Fernando Pessoa perdeu a oportunidade de recolher algumas fiapos do cabelo do poeta ou de sua barba e guardar para posteridade se soubesse, na ocasião, de quem se tratava.E se fosse um filho de barbeiro com imaginação poderia dizer até que Fernando Pessoa pagava com versos ao corte de cabelo do fígaro seu pai.Mas não, tanto ele como o repórter eram, um pouco sem imaginação, e ficamos nós todos pensando o que poderia fazer um poeta dentro de uma barbearia, imagino que ele também poderia ter escrito o poema A Barbearia, auxiliando, e muito, as entrevistas futuras do filho do barbeiro...Ficou-me a impressão (ou me ficou a impressão?) que o poeta não gostava desse barbeiro e preferia o dono da tabacaria, resta saber se existe algum sobrevivente dessa loja onde ele comprava seus fumos, e se ele aparecer, certamente, vai colaborar apenas com a nossa compreensão da capacidade pulmonar do poeta ou vai esclarecer e espalhar mais fumaça sobre a obra de Alberto Caieiro ou Ricardo Reis?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-6821973216567882181?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/6821973216567882181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=6821973216567882181&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6821973216567882181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6821973216567882181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2008/06/exumando-p-ou-o-filho-do-barbeiro-de.html' title='Exumando pó ou o filho do barbeiro de Fernando Pessoa'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-410867734541507177</id><published>2008-04-11T19:57:00.002-05:00</published><updated>2008-04-12T19:27:37.102-05:00</updated><title type='text'>Na soleira da porta</title><content type='html'>&lt;em&gt;Manoel Hygino dos Santos&lt;/em&gt; *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emanuel Medeiros Vieira acaba de lançar, pela Thesaurus, “Cerrado Desterro”, primeiro volume de suas memórias, com orelhas de Victor Alegria. A primeira consideração é de que me parece muito cedo para ingressar nesse gênero.Emanuel nasceu em Florianópolis no ano em que Vargas desceu as escadas do Catete, em 1945, sem descer à sepultura, como na segunda vez, em 1954. O período de vida do autor é relativamente curto para cogitar de reunir lembranças.Mas o escritor de Santa Catarina achou que a hora era chegada, e ele mais do que ninguém sabe de si e de seu cronograma e perspectivas. O primeiro volume soma quase quatrocentas páginas, e há mais três temas nos trilhos.A primeira idéia é de memórias serem elaboradas ou organizadas quando a marcha etária ultrapassa a casa dos 70 anos. Assim fez Pedro Nava, e acertou plenamente. O seu legado para as letras e a história brasileira é fantástico.Mas Emanuel Medeiros Vieira encontrou motivos para deslanchar antes o projeto. Com o primeiro volume se constata que ele tem razão. Viveu momentos difíceis, duros, até horripilantes da crônica brasileira no século passado.Esteve junto aos acontecimentos, sofreu-os, teria o que revelar.Andou por estes Brasis que não são tanto mais de meu Deus, para passar aos numerosos demônios que o habitam. Mudou de acampamento com diploma da Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul e sentou praça em Brasília, o centro do poder.Escreveu muito, vários livros, alguns com títulos cinematográficos. Escreve bem, conhece-se e reconhe-se. O primeiro volume de suas memórias traz uma amostra do que será a obra, como um todo. Reúne lembranças, depoimentos em jornais, pensamentos alheios que o impressionaram, fragmentos, que dão testemunho de uma época.A “revolução” de 1964, com tantos erros cometidos, com crimes e torturas, o pegou em suas malhas. Esteve preso, por motivos em que incorreriam e incorreram homens de bem, jornalistas, escritores, artistas, intelectuais.De uma hora para outra, descobriu que álcool não faz bem. Todo mundo sabe que assim é, mas somente a experiência pessoal, traumática às vezes, convence. Parou de vez. Nem por isso deixou de ter padecimentos. No início de seu livro, afirma:“E a Morte, encostada na soleira da porta, quis dançar comigo um tango argentino. Fingi, disfarcei. Cínica, ela abanou. Fechei os olhos, cama de hospital, botei o cobertor na cabeça. Fui baixando, olhei, ela ainda me contemplava, o sorriso desaparecera, olhar mais grave - alguma compaixão?”À indesejada proposta do tango, disse: “Sou muito desajeitado, não sei dançar, esbarro em todo mundo. Há parceiros melhores”. Mas ela não abria mão de sua preferência. Uma grave enfermidade cardiológica quase o tirou do meio do salão da vida.Encontrou médicos excelentes, enfermagem de alto nível, carinho e apoio da família. A cirurgia foi plena de êxito, recuperou-se. Agora, verifico que as memórias de Emanuel Medeiros Vieira eram inadiáveis, devem e precisam ser lidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*&lt;em&gt;Manoel Hygino dos Santos é escritor e crítico literário mineiro. Escreve no jornal "Hoje em Dia", de Belo Horizonte.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-410867734541507177?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/410867734541507177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=410867734541507177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/410867734541507177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/410867734541507177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2008/04/na-soleira-da-porta.html' title='Na soleira da porta'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-2135891304925894695</id><published>2008-03-17T17:29:00.000-05:00</published><updated>2008-03-17T17:30:25.685-05:00</updated><title type='text'>Lendo  Emily Dickinson</title><content type='html'>Poema de &lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;                                                                        &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Para Célia de Sousa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                    &lt;br /&gt;                    Poderia ser 1830,&lt;br /&gt;                    quando nasceste,&lt;br /&gt;                    mas é 2008,&lt;br /&gt;                    chuvoso domingo de março,&lt;br /&gt;                    não publicaste livro em vida (o que menos importa).&lt;br /&gt;                    “Ela chegou afinal, mais ágil porém a Morte&lt;br /&gt;                    Havia ocupado a casa:&lt;br /&gt;                    A pálida mobília já disposta,&lt;br /&gt;                    Junto com sua palidez metálica” (...).&lt;br /&gt;                    Só poeira e esquecimento,&lt;br /&gt;                    nada dura,&lt;br /&gt;                    Felicidade efêmera – ler teus poemas, Emily.&lt;br /&gt;                   &lt;br /&gt;                    O domingo fluindo,&lt;br /&gt;                    tempo: linha reta de eterna agonia.&lt;br /&gt;                    Não existe presente, só passado.&lt;br /&gt;                    Nem futuro.&lt;br /&gt;                    A namorada de 1968 jaz num cemitério de aldeia.&lt;br /&gt;                    “Empoeirado se mostra o mundo&lt;br /&gt;                    Ao nos deitarmos para morrer”.&lt;br /&gt;                    Sim: “Tão longe da compaixão quanto a queixa&lt;br /&gt;                    Tão frio  às palavras quanto a pedra.&lt;br /&gt;                    Tão insensível à Revelação&lt;br /&gt;                    Como se meu ofício fosse nada.”&lt;br /&gt;                    O empenho diário é inútil?&lt;br /&gt;                     (Para os outros.)&lt;br /&gt;                     Ah, cidade que me atirou seu presságio&lt;br /&gt;                     adverso.&lt;br /&gt;                     Terá termo a espera?&lt;br /&gt;                     Deve-se matar a morte que sobre nós se abate.&lt;br /&gt;                     (Peço desculpas aos poetas que pilhei:&lt;br /&gt;                     confluências.)&lt;br /&gt;                     Aqui jaz a inocência:&lt;br /&gt;                     a morte não existe, nós é que morremos.&lt;br /&gt;       ]            &lt;br /&gt;                    &lt;span style="font-size:78%;"&gt; (Brasília, março de 2008&lt;/span&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-2135891304925894695?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/2135891304925894695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=2135891304925894695&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/2135891304925894695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/2135891304925894695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2008/03/lendo-emily-dickinson.html' title='Lendo  Emily Dickinson'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-7403150744524100860</id><published>2007-09-17T07:44:00.000-05:00</published><updated>2007-09-17T07:47:07.533-05:00</updated><title type='text'>SOBRE CONTOS DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA:</title><content type='html'>Hamilton Alves*&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Emanuel Medeiros Vieira com o conto “Nunca Mais Voltaremos para Casa” (publicado no Jornal da ANE, edição de agosto de 2007) revela-se como um dos grandes nomes da literatura catarinense da atualidade.&lt;br /&gt;           Aliás, temos um punhado de bons escritores pululando por aí. Quando não em jornais, aparecem em revistas ou folhetins que circulam gratuitamente, como é o caso do “Livro na Rua”, editado em Brasília pela Thesaurus Editora, que vem a publicar um dos melhores contos produzidos por Emanuel Medeiros Vieira, que já merecera publicação nas antologias “Esse Amor Catarina”, organizada por Salim Miguel, Silveira de Souza e Flávio José Cardozo (reunindo uma plêiade de bons escritores do Estado de Santa Catarina), e na “Antologia do Conto Brasiliense”, organizada por Ronaldo Cagiano.&lt;br /&gt;           O problema é que tais escritores atuam fora do eixo Rio-São Paulo, que constitui (e sempre constituiu) uma “panela” na qual poucos conseguem entrar.&lt;br /&gt;           Até hoje, desconhece-se o processo pelo qual se obtém acesso a ela.&lt;br /&gt;           Paulo Coelho e escritores do padrão dele o conseguiram (até entrar na Academia Brasileira de Letras foi possível, sabe-se lá como). A política das editoras (a maioria delas) é puramente de caráter comercial.&lt;br /&gt;Dane-se o valor do livro – isso fica em segundo plano.&lt;br /&gt;          É sabido que Paulo é um escritor de fancaria. Uma editora, não faz muito, comprou por quinhentos mil reais o seu passe. Ou seja: ter exclusividade na edição de seus livros. Qual a resposta para esse enigma (não há, na verdade, bem vistas as coisas). O cara vende. Fatura alto. E seu nome, como se sabe, extrapolou nossas fronteiras. Faz sucesso a nível mundial.&lt;br /&gt;          Um escritor (só para citar um de real valor) como Emanuel Medeiros Vieira, que é superior ao Coelho mil vezes, não tem chance de aparecer ou ser editado por uma dessas casas editoriais de alta circulação ou aceitação na praça.. Por que? O editor não tem segredo. Já ouvi a mesma cantilena.&lt;br /&gt;                           –  O seu livro não vende.&lt;br /&gt;Lembro-me que isso me ocorreu quando mandei uma novela para consideração de uma editora de projeção nacional. Disse ao editor: “Se vocês publicaram o livro de François Truffaut (tratava-se de “O Homem que Amava as Mulheres”, uma história marota de um sujeito obcecado por mulheres, que rendeu um bom filme, faça-se justiça a Truffaut), por que não editam minha novela que tem, modéstia à parte, mais peso literário?”&lt;br /&gt;                          A resposta foi lacônica (igual à precedente):&lt;br /&gt;                           –  Truffaut vende.&lt;br /&gt;Emanuel tem um conto recentemente publicado pelo Jornal da ANE.&lt;br /&gt;O conto tem o título de “Nunca Mais Voltaremos para Casa.”&lt;br /&gt;É um conto muito bem estruturado, bem escrito, bem bolado, que nos pega desde a primeira frase pelo rabo da curiosidade. Já em “Este Amor Catarina”, Emanuel publicou um conto igualmente magistral, “Amor aos Vinte Anos”, sobre o qual já escrevi uma resenha, publicada no jornal “A Notícia”, de Santa Catarina, em junho de 1996.&lt;br /&gt;Nesses dois trabalhos excelentes, Emanuel revela-se um escritor detentor de um estilo, de uma maneira própria de expressão, o que não é fácil nem muito comum encontrar-se.&lt;br /&gt;No conto divulgado no Jornal da ANE, trata-se de um de uma história de dois amantes em conflito. Ela cobra dele o tipo de escritura que vem produzindo. A primeira frase o desencadeia:&lt;br /&gt;                        – És um escritor do passado, diz a ex-namorada.&lt;br /&gt;O diálogo cresce a cada lance até o desenlace, quando ela o deixa sozinho e ele paga a despesa de ambos num bar, em que “o frango está frito e cru. Ela reclama que a coca-cola está quente.”&lt;br /&gt;                    “Ela foi embora, sem despedida, sem outras palavras duras. Enquanto se afastava, eu lembrei que já havíamos rido, brincado, feito acampamentos, viagens, planos. Amor.”&lt;br /&gt;                   Caindo em si mesmo, o personagem reage a tais lembranças:&lt;br /&gt;                   “Pára com a autopiedade”, pede uma irritada voz interior.&lt;br /&gt;                  O desfecho do conto segue esse mesmo clima.&lt;br /&gt;                  Nos dois contos (“Amor aos Vinte Anos” e “Nunca Mais Voltaremos para Casa”) nota-se que a linha de ação se assemelha muito. Emanuel se utiliza da linguagem comum, dos lugares-comuns (no sentido de que se vale do que normalmente acontece no dia a dia das pessoas comuns ou dos dramas cotidianos).&lt;br /&gt;                  É o puro retrato da vida, muito prezado por escritores como Nelson Rodrigues. Só que Emanuel o utiliza com mais riqueza de detalhes ou com mais senso psicológico.&lt;br /&gt;                  “Fui para casa, fiquei olhando pela janela, não chovia, ouvindo no mais alto volume, se isso fosse possível em se tratando de Wagner, ‘Tannhãuser’ (e um vizinho berrou: ‘baixa essa merda, baixa essa merda’). Baixei para não ter incômodos com o zelador, com o síndico.”&lt;br /&gt;                Qual o escritor que desceria a tais detalhes triviais?&lt;br /&gt;Já em “Amor aos Vinte Anos” é o mesmo interesse pelas coisas banais que lhe fazem a fortuna literária. Dir-se-á que Emanuel os preza e os prefere à sofisticação ou a ficar lustrando em demasia. Hemingway (diz-se) não gostava de filosofices. Ia direto ao assunto. Emanuel vai ao rebotalho: que se dane a preciosidade. Ou que é tido como tal.&lt;br /&gt;Como tantos outros de nossos escritores (acho que ele não está nem aí), se tentar uma dessas grandes editoras, que publicam Paulo Coelho ou Sarney e outros que tais, lhe baterão com a porta no nariz.&lt;br /&gt;               – Você não vende – é o mínimo que ouvirá.&lt;br /&gt;Em grandes jornais (na grande imprensa ou revistas de grande circulação), o fenômeno é idêntico: portas fechadas.&lt;br /&gt;Mas enquanto essa discriminação, para não lhe da outro nome, acontece, nossos escritores vão sendo lidos aqui e ali, gerando a pergunta inescapável: por que o Paulo Coelho, por que o Sarney? Que preferência imbecil é essa?&lt;br /&gt;               “Nunca Mais Voltaremos para Casa” é desses contos que se voltam sempre a ler porque nele o que aflora destacadamente é a vida tal qual é. Sem nenhuma frescura.&lt;br /&gt;                                        &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Hamilton Alves é jornalista e escritor&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;       &lt;br /&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-7403150744524100860?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/7403150744524100860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=7403150744524100860&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7403150744524100860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7403150744524100860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/09/sobre-contos-de-emanuel-medeiros-vieira.html' title='SOBRE CONTOS DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA:'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-1508764264632105658</id><published>2007-08-30T09:33:00.000-05:00</published><updated>2007-08-30T09:34:12.218-05:00</updated><title type='text'>VIETNAM (Sempre)</title><content type='html'>&lt;strong&gt; Emanuel Medeiros Veira&lt;/strong&gt;- de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trinta e dois anos depois do final da guerra e da maior derrota militar dos EUA, os efeitos da dioxina usada no desfolhante agente laranja continuam a afetar regiões que compreendem áreas do Vietnam, do Laos e do Camboja. Os resíduos se entranharam na terra e nas sementes das plantas, e pessoas que as consumiram e consomem, transmitiram e transmitem seus efeitos aos descendentes. Em matéria publicada no Jornal do Brasil , Mauro Santayana escreve: "Com imagens de crianças sem olhos, sem braços, sem ouvidos, com a espinha dorsal dividida em duas, os membros atrofiados, o crânio piramidal, e relatos sobre recém-nascidos com os órgãos genitais na face, volta aos jornais europeus a denúncia conta o mais nefando dos terrorismos. São milhares de seres humanos e, enquanto viverem e continuarem a nascer, representam o libelo mais ácido contra os piores terroristas do século 20: os senhores estadunidenses da guerra." Trinta e dois anos depois da derrota dos invasores na batalha final de Saigon, continuam os tenebrosos efeitos do agente laranja usados pelos EUA. Uma matéria de José Reinoso, enviado do prestigiado jornal El Pais, de Madrid, traz o depoimento "seco e contundente", de médicos do país e de algumas dessas crianças. A história do desfolhante laranja começou na Segunda Guerra Mundial, quando os encarregados das armas químicas sugeriram seu emprego maciço sobre os arrozais japoneses "Ao saber do projeto que mataria os inimigos de fome, Roosevelt - vítima de paralisia infantil - vetou-o, mas Truman, aos substitui-lo, mandou jogar a bomba atômica sobre Hiroshima. Estimulados pelo Pentágono, as maiores empresas químicas do país - tendo à frente a Monsanto e a Dow Chemical - passaram a pesquisar s efeitos do agente laranja contra os seres vivos, não só os da deformação genética, como também os da indução ao câncer. Em 1960 passaram a produzir para a guerra. Em novembro de 1961, o glorificado presidente Kennedy autorizou o uso do produto no Vietnã", relata  Santayana. Naquele país, hoje, além das crianças deformadas, a incidência de câncer no útero é 30 vezes maior do que no resto da Ásia. O Protocolo de 1925 que integra os seculares acordos de Genebra sobre a conduta na guerra, proíbe rigorosamente o uso de armas químicas nas batalhas. A decisão foi tomada depois do emprego de gases mortais na Primeira Guerra mundial. "Mas 29 anos depois, os nazistas, para o extermínio 'limpo' do judeus e outras etnias (incluída a 'raça' dos comunistas) encomendaram à IG-Barben a produção do gás Zyklon B, usado em Auschwtiz e em outros campos." Mauro Santayana conclui (depois de acusar os EUA de serem os herdeiros da arrogância nazista): "A IG-Farben - que naceu para produzir anilinas - tem suas sucessoras na Monsanto e na Dow Chemical, orientadas pela mentalidade de que a morte pode ser o resultado de um processo técnico lucrativo, seja na produção da dioxina, ou transgênicos, obtidos mediante essa necrotecnologia que condena as sementes à morte, depois de duas ou três colheitas, a fim de que mantenham o monopólio de sua produção. Não lhes importa a possibilidade de que os transgênicos venham a matar os consumidores ou a condenar as almas das crianças a habitar corpos deformados nas próximas gerações. O que importa é o preço de suas ações, os dividendos aos acionistas e elevada remuneração de seus quadros executivos." &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-1508764264632105658?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/1508764264632105658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=1508764264632105658&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/1508764264632105658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/1508764264632105658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/08/vietnam-sempre.html' title='VIETNAM (Sempre)'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-7885432625736058671</id><published>2007-07-01T21:50:00.000-05:00</published><updated>2007-07-01T21:51:31.738-05:00</updated><title type='text'>NOVA TRADUÇÃO BRASILEIRA DA ODISSÉIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alberto Crusius&lt;/strong&gt;- de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Um professor universitário porto-alegrense realizou mais uma tradução da Odisséia do grego para o português em que, segundo a notícia em jornal, em 20 de junho deste 2007, uma das características foi o uso de “expressões coloquiais e termos regionalistas.”&lt;br /&gt;            Entre eles, ainda segundo a notícia, estariam expressões como “Guascaços de água arrombaram as paredes”, e também “forraram a pança.”&lt;br /&gt;            Realmente, em termos de Rio Grande do Sul, ensinava-nos o especialista em folclore Paixão Cortes, há expressões como forraram o poncho, decorrente do hábito de se colocar o poncho sobre o chão no local de corridas de cavalos, as chamadas carreiras de cancha reta, e depois se colocar sobre ele o produto da aposta. &lt;br /&gt;            Que são termos regionalistas legítimos, ninguém questiona.&lt;br /&gt;            O que se questiona é, em primeiro lugar, a originalidade. Uma tradução aqui feita de Guerra e Paz (a sugestão de que o uso do itálico para grafar títulos tenha apenas a palavra inicial com maiúscula é, para mim, inaceitável nesse caso em que as duas palavras devem ter o mesmo peso) já falava em coisas como cavalos tordilhos, e em piquetes de baios.&lt;br /&gt;É muito comum encontrar nos sebos deste sul a edição de 1957, mas ela é uma de várias reimpressões. A primeira edição desta antiga tradução de Guerra e Paz feita por Gustavo Nonnenberg a partir de outra francesa, é de setembro de 1942.&lt;br /&gt;Acrescente-se a informação da própria reportagem de que já existem outras traduções diretas do grego da Odisséia no Brasil.&lt;br /&gt;            Sem questionar, lembramos ainda que o mesmo tradutor atual da Odisséia,  quando traduziu parte de Finnegan´s Wake, usou como título a palavra Panaroma, sem que pelo menos a reportagem de então mencionasse que tal “palavra” já havia sido usada por outros dois tradutores, irmãos, que haviam desbravado inicialmente o caminho em conjunto.&lt;br /&gt;O que se questiona em segundo lugar é o próprio fato. Se a moda pega, um dia vamos ler, nalguma tradução nordestina, Ulisses – ou Odisseu, se preferirem a forma grega – chegando a outras praias a caminho de casa recebendo os nativos saudando desde as ondas, com uma expressão muito grata  para ouvidos que apreciam nossos diversos regionalismos, mas que ficará, convenhamos, deslocada, no contexto, até o cômico:&lt;br /&gt;-         O, xente. &lt;br /&gt;Ficaria também muito curioso se, ao sabor do nosso uso antigo daqui, nos pampas, em contrpartida recebessem Ulisses – ou Odisseu, dependendo da forma do nome escolhida, respondendo:&lt;br /&gt;-         Se chegue, compadre.&lt;br /&gt;Então, que se faça de uma vez um Odisseu regionalista, a exemplo do Fausto gauchesco argentino, de Estanislao del Campo, ou do conto Fidêncio Quixote de nosso Darci Azambuja, ora.&lt;br /&gt;Em tempo: declaro, para os devidos fins, que a expressão “saudando desde as ondas”, acima utilizada, ocorreu-me ao escrever isto. É que, em tempos de tanta liberdade tradutória, eu arresolvi também colaborar no livre-traducionismo criativo, em que se escolhe algo pela sua sonoridade, sem que ele exista, necessariamente, no original. &lt;br /&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-7885432625736058671?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/7885432625736058671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=7885432625736058671&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7885432625736058671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7885432625736058671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/07/nova-traduo-brasileira-da-odissia.html' title='NOVA TRADUÇÃO BRASILEIRA DA ODISSÉIA'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-8142837819355697617</id><published>2007-06-18T07:58:00.000-05:00</published><updated>2007-06-18T07:59:09.851-05:00</updated><title type='text'>PIRATAS, ARGOS E NARCISO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;         Alberto Crusius&lt;/strong&gt; -de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvorecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Célere, a galera sulca.&lt;br /&gt;Hierático, o fato: é fenícia. E pirata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argos, com direito à citação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Esbarra com fragor marítimo de espoucada espuma, no sonoro nome de Argos, a idéia de que seja arbitrário o signo. Era Argos, erga omnes, navio de Jasão e patético, oportuno, cão de Ulisses. Ir e retorno, num só nome, reunidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narciso sem plástica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou meu rosto.&lt;br /&gt;São as rugas o derradeiro rastro&lt;br /&gt;dos passados anos em sulco semeados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lenta é a colheita, macias as sombras&lt;br /&gt;Também sabe a mosto&lt;br /&gt;o suave sol posto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(Corrigem-se, nestes poemas, erros de publicação na revista Continente Sul, do Instituto Estadual do Livro do RGS, número 9, de 1998, aproveitando para alterações.)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-8142837819355697617?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/8142837819355697617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=8142837819355697617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/8142837819355697617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/8142837819355697617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/06/piratas-argos-e-narciso.html' title='PIRATAS, ARGOS E NARCISO'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-1133118400864964</id><published>2007-06-15T08:57:00.000-05:00</published><updated>2007-06-15T08:58:42.814-05:00</updated><title type='text'>À MEMÓRIA DE ALICE FLACH BOHRER</title><content type='html'>&lt;strong&gt; Alberto Crusius-&lt;/strong&gt; de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ala&lt;br /&gt;de todos os retratados&lt;br /&gt;pesadamente transformados&lt;br /&gt;na palavra antepassados.&lt;br /&gt;Pupilas em preto e branco&lt;br /&gt;na ala&lt;br /&gt;de todos os retratados&lt;br /&gt;pendentes em parede ampla&lt;br /&gt;de peça  última.&lt;br /&gt;Ala da memória&lt;br /&gt;na sala de olhares fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços para sempre suspensos&lt;br /&gt;na ala de retratados.&lt;br /&gt;Sombras de sussurros&lt;br /&gt;costurados às cortinas&lt;br /&gt;Na ala de retratados,&lt;br /&gt;fútil lâmina de sol,&lt;br /&gt;sulco de coisa última.&lt;br /&gt;Na sala de olhares úmidos&lt;br /&gt;lábios em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente publicado na revista Continente Sul/Sur número 9, 1998, com o título Fotos na sala da avó materna. Contém alterações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-1133118400864964?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/1133118400864964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=1133118400864964&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/1133118400864964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/1133118400864964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/06/memria-de-alice-flach-bohrer.html' title='À MEMÓRIA DE ALICE FLACH BOHRER'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-9135547290349391908</id><published>2007-06-12T14:57:00.000-05:00</published><updated>2007-06-12T14:58:25.295-05:00</updated><title type='text'>Raul Bopp e a relevância da poesia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E. San Martin&lt;/strong&gt;-de Nova Iorque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com apoio de colaboradores da NOVA KLAXON, um grupo de autores que se dedicam ou se interessam por poesia no Rio Grande do Sul lançou o evento PortoPoesia, onde espera-se que dezenas de poetas leiam ou apresentem seus textos ao vivo, disponham seus livros, etc... (detalhes no Portopoesia.blogspot.com). O evento vai homenagear alguns poetas gaúchos, entre os quais o clássico do modernismo Raul Bopp (1898-1984).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma iniciativa como essa vale, sobretudo, por tornar acessível aos interessados esta produção verbal considerada poesia por alguns e, por outros, uma verborréia narcisista e egocêntrica de pouco ou nenhum interesse lingüístico ou relevância cultural (exceto no sentido antropológico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro ou feira PortoPoesia ocorre num momento de grande anemia na cultura literária brasileira. Por mais que os otimistas digam que produção há, mas falta divulgação, investimento editorial – a realidade é que os poucos poetas vivos de valor reconhecido pela técnica e expressividade são antigos, publicados e consagrados quando ainda havia espaço para a cultura literária nos veículos de comunicação social do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta anemia intelectual na nossa era das celebridades sem sentido, por outro lado, integra um processo histórico endêmico desta   “enjeitada na cultura nacional”, a poesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para registro, segue uma citação de carta enviada por Raul Bopp de Mombaça a Jorge Amado em julho de 1932, onde o autor justifica sua relutância em publicar ou divulgar seus poemas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...acho que a época não tá pra versos. Primeiro, pela discordância com o ambiente. Segundo, pela super produção da mercadoria. Terceiro, porque os consumidores preferem aquele lirismo bojudo do poeta Schmidt (Augusto Frederico Schmidt, o poeta da culpa cristã), ou então o verso dengue ‘recamier’ do poeta Paschoal (Paschoal Carlos Magno), o jovem especial para a alta ‘societé’”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta ainda ironiza a repercussão  de “Cobra Norato” (publicada em 1931 financiada por amigos). Sobre o descaso geral na acolhida ao poema hoje integrante do “cânon” modernista, Bopp diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No ajuste de contas, extraindo a raiz quadrada de uns elogiozinhos de rua, o livro foi um fracasso. Talvez o recorde do ano. As livrarias venderam um exemplar. Eu só queria saber quem foi esta besta. Talvez, por engano, uma encomenda do Instituto Butantã de São Paulo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-9135547290349391908?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/9135547290349391908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=9135547290349391908&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/9135547290349391908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/9135547290349391908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/06/raul-bopp-e-relevncia-da-poesia.html' title='Raul Bopp e a relevância da poesia'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-8587486258722956372</id><published>2007-06-03T10:02:00.000-05:00</published><updated>2007-06-03T10:14:04.039-05:00</updated><title type='text'>REFLEXÕES VI</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;INVEJA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo Francisco Alberoni, em Os Invejosos, “a inveja é um mecanismo de defesa que pomos em ação quando nos sentimos diminuídos no confronto com alguém, com o que este alguém possui e com o que conseguiu empreender. É uma tentativa de recuperar a confiança e a auto-estima, desvalorizando o outro.” Segundo o autor, a inveja move o mundo. Ela explicaria a violência, a angústia, a depressão e também a admiração, a ânsia de ter sucesso. “Cada meta auto-imposta e não alcançada traz frustração e, conseqüentemente, raiva da pessoa que a atinge. A inveja é a manifestação inocente e, ao mesmo tempo, socialmente reprovada, da solidão do indivíduo, da perda de um relacionamento autêntico com os outros e com a sociedade.” Um psicanalista afirma que a inveja é uma doença do espírito, do psiquismo: “Ela é a filha frustrada do desejo não-realizado e se manifesta sempre que a pessoa vê outra gozando uma realização que queria que fosse sua.” Inveja: o termo, de origem latina invidia, vem de invedere, isto é, OLHAR COM MAUS OLHOS (propositalmente, com caixa alta). Daí, a inveja ser chamada popularmente de olho grande, olho gordo ou mau-olhado. Portanto, sua função psíquica é indissociável da função do olhar. O antrópologo Levy-Strauss atribui o poder da inveja a um efeito que ele chamou de eficácia simbólica. Esta eficácia simbólica seria o mecanismo psicológico e social responsável pela popularidade dos amuletos, como figas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;AVALIAÇÃO &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; O jornal Los Angeles Times (que não pode ser considerado extremista), edição de 26 de janeiro de 2005, avalia que antigos filiados do PT, favelados, vítimas da violência, militantes do MST, defensores do meio ambiente estão desencantados e irritados com o desinteresse pelos índios e a autorização para fazendeiros plantarem soja transgênica. “O antigo líder sindical adotou políticas iguais às do governo de centro-direita que o precedeu,” avalia o jornal. Alguém confessa “ter sonhado o sonho errado.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;AVIÕES E FÓRUNS&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O avião do Lula só tem a asa da Direita. Haverá salvação fora do neoliberalismo (de um lado, e de outro a intervenção do Estado para extorquir impiedosamente o cidadão)? A mídia hegemônica diz que não há salvação fora do modelo econômico implementado. E baixam os cacete em quem não pensa como eles, os outro são todos dinossauros, adeptos do fracasso, derrotistas. O mal-estar geral seria uma ficção. Os fóruns sociais (tipo FSM) virariam apenas uma espécie de terapia coletiva da esquerda, para exorcizar os desconforto e as derrotas? Espécie de Meca, como disse alguém, onde se jogam pedras em todos os demônios do capitalismo. Nesses fóruns (não o de Davos) haveria só falação e mais falação, tentando anestesiar a agonia generalizada? Ou é mais que isso? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;INÉRCIA &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; O Governo tenta camuflar sua inércia pelo espírito marqueteiro, com reportagens oficiais divulgadas pela mídia, impressa (em forte crise financeira, precisa de dinheiro) ou televisiva. Então, as “ações” do Governo são elogiadas. No fundo é isso, sempre isso: poder e dinheiro. É possível maquiar a ineficiência durante um tempo, um tempão. Mas uma dia essa estratégia de markentig para enganar as consciências, pode virar pó. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-8587486258722956372?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/8587486258722956372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=8587486258722956372&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/8587486258722956372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/8587486258722956372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/06/reflexes-vi.html' title='REFLEXÕES VI'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-6569465579439039747</id><published>2007-05-29T15:59:00.000-05:00</published><updated>2007-05-29T16:00:35.419-05:00</updated><title type='text'>JORGE LUIS BORGES VERSUS WALTER SCOTT</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alberto Crusius&lt;/strong&gt;-de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Raramente ouço falar nas Obras completas en colaboración, de Jorge Luis Borges, cujo primeiro volume contém seus textos escritos em parceria com Bioy Casares. O segundo, com variados colaboradores,  trata de Leopoldo Lugones, do Martin Fierro, dos seres imaginários, do Budismo, e de literaturas nacionais: Uma Breve antología anglosajona, com Maria Kodama e, com outros autores, em verdade autoras, o que é o mesmo; de literatura inglesa e de literaturas germânicas medievais.&lt;br /&gt;            No referido segundo tomo das obras completas em colaboração, aquela de autoria partilhada com Maria Esther Vásquez, denominada Introdución a la literatura inglesa, encontro, sobre Walter Scott, a frase em que algum dos autores, ou ambos, afirmam: “Solo podemos mencionar los nombres de SHELLEY (1771-1832), y de SIR WALTER SCOTT (1771-1832)”, que inaugura la novela histórica.”&lt;br /&gt;Para o leitor, é momento de perplexidade. Noutras palavras, as obras de Shelley e de Walter Scott não mereceriam sequer menção?&lt;br /&gt;            Ora, como todos sabem, ou como muitos admitiram, sem Scott não haveria Balzac, e sem este a literatura contemporânea.&lt;br /&gt;            Assim, Jorge Luis Borges almeja, além do título de venerando e venerado narrador, o de crítico capaz de apagar todo um capítulo na ordem seqüencial da história da literatura contemporânea, onipotente como todos os contemporâneos são hoje e foram em nossos vários passados, particularmente escritores, e entre eles especialmente os do gênero da crítica.       &lt;br /&gt;            Não é sequer o mais famoso nem o mais escandaloso insurgir-se contra outro escritor marcante por parte de Borges, posto que existem suas afirmações desdenhosas sobre Dostoievsky, mais especificamente, sobre Os irmãos Karamazov..&lt;br /&gt;            Mas é igualmente chocante porque, sendo Scott o inaugurador da narrativa histórica, como reconhece Borges, e este um autor que usufruiu da narrativa histórica como forma de autoria, não importa com quanta originalidade o faça, há aqui o sabor suspeito do rancor mal-agradecido.&lt;br /&gt;            Até o reconhecimento de Borges poderia ser um equívoco. Já havia narrativa histórica, como demonstra a existência das Mémoirs de Charles de Batz Castelmore, Comte D`Artagnan, que algumas fontes denominam Memórias do Senhor D´Artagnan, Capitão Tenente da Primeira Companhia do Rei, e que seria de 1700 – setenta e um anos antes do próprio nascimento de Scott. A melhor edição completa de uma tradução do ciclo completo dos livros sobre os três mosqueteiros de autoria de Alexande Dumas, de 1920, do Porto, em Portugal, possui dedicatória de Dumas a Sandras, em reconhecimento da criação dos personagens – os quais incluem Milady e o Cardeal – e  o folheto da Editora Abril, que cita o segundo dos títulos acima, menciona Auguste Maquet, um colaborador de Dumas que lhe trouxe o livro, do qual existe uma tradução brasileira de 1955, assinada por Laurita Richards, talvez completa.&lt;br /&gt;            Nem de longe, este humilde navegador de primeiras águas de web que sou pretende sejam tais informações de grande alcance, e nem tenta acrescer nada a respeito do que acima consta.&lt;br /&gt;            O tema de momento é Scott, que o folheto acima referido menciona ter sido o modelo de Dumas como modalidade de autoria, digamos, assim como o livro de Sandras sugeriu-lhe o tema.&lt;br /&gt;            Se por modalidade de autoria se entender qualidade estética – e não vejo outro entendimento possível – foi Scott o criador da qualidade na novela histórica, e como a qualidade é algo que se constata nas obras, e não na personalidade ou nos temas escolhidos, a afirmativa de Borges e sua colega de autoria é um estrondoso fiasco, se não pelo menos um perfeito equívoco, e não o único (1). &lt;br /&gt;Que Scott era um estilista de primeira linha é indiscutível.&lt;br /&gt;Basta abrir seu Rob Roy, que nosso naturalizado Otto Maria Carpeaux considerava, na única História da literatura ocidental escrita no Brasil,  como sua obra-prima, e ler aqui e ali para o perceber.&lt;br /&gt;Que seja possível  ler aqui e ali para fazer tal constatação é o óbvio. As partes revelam o todo, mesmo quando considerado sem a leitura final, e não vou discutir o fato de que se possa constar algo num livro sem o ter lido porque isto é matéria morta, depois de Borges ter se manifestado sobre Crime e castigo declaradamente sem o ter lido, ou da genial ironia de Fausto Cunha que em algum momento escreveu uma frase que é uma obra-prima de franqueza, para acrescer algo alguma informação: “No título de uma obra que não li...” &lt;br /&gt;Nem de longe pretendo que Scott seja um destes autores que deva ser lido apenas por seu estilo. Buffon, é, afinal, um nome já esquecido porque sua mais famosa tese prescreveu, ou morreu de velha, se quiserem: “O estilo é o homem.”&lt;br /&gt;E olha que Sir Walter tinha, particularmente aqui, uma prosa plenamente à altura dos tempos de origem sobre os quais escreve, e do que Borges menciona na mesma introdução à literatura inglesa: a de que nas origens de cada literatura, poesia e prosa eram o mesmo.&lt;br /&gt;Claro, isso pode não ser tudo. &lt;br /&gt;Não quando sabemos todos nós, os pós-existencialistas, que o todo é o que importa, e que o todo está mais além do estilo, lá onde se pode saudar respeitosamente uma Carolina Maria de Jesus como uma grande dama que, tivesse sua obra Quarto de despejo sido considerada com mais atenção, não teríamos as tragédias diárias daquele Rio de Janeiro destes dias em que escrevo isto.&lt;br /&gt;Aqui também há algo mais a dizer de Scott. Nascido antes da constituição americana, da revolução francesa, ao tempo da tradução de Pierre Le Tourneur da obra de Shakespeare para o francês, e falecido antes da obra de Tolstoi, porque antes de que Tolstoi tivesse atingido os cinco anos, Scott será um contemporâneo destas grandes transformações sociais e estéticas, o primeiro grande escritor a vislumbrar tais transformações como parte da matéria-prima da ficção porque transformam o enredo das vidas.&lt;br /&gt;Mais ainda, em Scott há uma consciência do que seja a história,  a partir do que nela tem consistência, o passado. A importância disto reside inclusive em que o futuro nos é vedado, como reconhece o próprio Borges, e como o reconhece com insistência, aliás, em suas conferências de 1967 que se tornaram obra tão tardiamente publicada, Esse Ofício do Verso (This Craft of Verse, Harvard University Press, 2000). &lt;br /&gt;Assim, se o romantismo se inicia com o reconhecimento de Goethe diante do notável poeta escocês James Macpherson (1736 – 1796), e da inclusão de textos de seu fictício Ossian  que todos ainda líamos com fascínio, inclusos em seu Werther – não me cobrem todo seu longo título – o mundo literário contemporâneo se inicia com Scott, e não quando ele por sua vez traduz versos de Goethe, mas quando reconhece seu país como algo insubstituível, por uma razão comum ao homem contemporâneo: Aquilo que Carpeaux reconhece em Scott como sendo sua principal virtude, um intenso sentimento humano. É algo que em nosso Drummond de Andrade será chamado o sentimento do mundo, certamente não tão próximo ao que Unamuno chamaria Del sentimento trágico de la vida, e mais próximo a algo como um sentimento mágico, e do qual emana o que na América latina chamamos realismo mágico – em Scott algo que acredito perceber como indiscutível. Os temas de Scott não são apenas intenso sentimento humano e pátria, mas a necessidade de que uma pátria seja algo que percebe o mundo como algo a que deve estar integrado.&lt;br /&gt;Logo, a batalha de Borges contra Scott estava perdida desde o início, e ele poderia ter se apercebido disso, curiosamente, se fizesse um pouquinho mais do que tanto fez na vida: leitura, aquilo que nunca se faz em quantidade suficiente.&lt;br /&gt;Explico-me: Borges reverenciava Stevenson. E hoje que Borges já partiu, podemos ler ao final da eficiente nota introdutória de uma edição contemporânea de Rob Roy, em 1995, da Penguin Popular Classics a seguinte frase de Stevenson: Quando penso em Rob Roy fico impaciente com todas os outros romances, eles parecem apenas sombras e impostores; eles não podem satisfazer o apetite que este despertou  (“When I think of Rob Roy I am impatient with all other novels, they seem but shadows and imposters; they cannot satisfy the apetite wich this awakened.”).&lt;br /&gt;Parece-me, portanto, perfeitamente cabível também o meu sentimento humano de estar escrevendo sobre Rob Roy ainda enquanto o estou lendo, naquela um tanto miúda letra da edição popular da Penguin.   &lt;br /&gt;Ela responde parte da pergunta famosa que até o escondido escritor que sou já teve de responder (“O que é que você está lendo?”), e que sempre me dá vontade de responder com uma série de outras perguntas: Em que gênero? Em que língua? Com ou sem interrupção – e curta ou prolongada a interrupção? Profissionalmente, por lazer, por satisfação cultural ou por mero prazer?&lt;br /&gt;            E, sendo em inglês, em letra miúda, e com quinhentas páginas o meu Rob Roy, ele poderá me ocupar pelo menos todo este inverno, longo como todos sempre pareceram, mas agradavelmente longo como nem tantos foram. Para os estatísticos, pelo menos significa daí para mais, e que eu aqui já coloco como sendo daí para fora – eu não me arrependeria de ler Rob Roy pelo resto da vida.&lt;br /&gt;            Em tempo, e fica para outra vez, também insurjo-me, é claro, contra a outra hipótese absurda levantada por Borges, sobre Shelley, a hipótese de que dele restasse também apenas o nome. Fica para a próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1). Certa vez recebi de minha prima Maria Lívia Meyer um exemplar da Antologia personal, de  Borges, com a citação que o mesmo faz de Paul Valéry, no prólogo, com a palavra puissance alterada a caneta para jouissance, sem a menor cerimônia. Diante de meu escandalizado telefonema interurbano, ela respondeu simplesmente: “Borges errou”. Tudo bem. Errar é o que nos torna não-deuses, e portanto humanos. Mas há erros que gritam, mesmo no repousante silêncio do texto impresso dum livro. E diante do erro, importa é a reparação. Mesmo quando parte, diante do silêncio oficial, daqueles que são apenas aplicados leitores.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-6569465579439039747?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/6569465579439039747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=6569465579439039747&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6569465579439039747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6569465579439039747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/jorge-luis-borges-versus-walter-scott.html' title='JORGE LUIS BORGES VERSUS WALTER SCOTT'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-4734387927353552232</id><published>2007-05-26T19:30:00.000-05:00</published><updated>2007-05-26T19:33:23.025-05:00</updated><title type='text'>Porto Alegre vai parar!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt;- Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vai parar de ignorar a poesia que vai invadir as ruas, os becos escuros e sem saída de uma cidade pequena que se pretende grande. Vem aí o Porto Poesia, ancorando nessa cidade que também se pretende alegre e esquece que a poesia é a verdadeira fonte da alegria.Vem aí o Porto Poesia trazendo no bojo a revolução da poesia que acontece em bares nunca dantes navegados, em saraus feitos a dez graus abaixo de zero por poetas loucos, roucos, insones, insanos que gostam de uma arte que ninguém compra e ninguém vende.Vem aí o Porto Poesia que vem para aquecer,desafogar Porto Alegre, desatolar Porto Alegre do seu bem comportado marasmo cultural e, de contrabando,escondido no porão dessa nau capitânia, vem junto a primavera, aquela prima distante de todos os poetas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-4734387927353552232?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/4734387927353552232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=4734387927353552232&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4734387927353552232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4734387927353552232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/porto-alegre-vai-parar.html' title='Porto Alegre vai parar!'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-9000913268489548884</id><published>2007-05-24T07:21:00.000-05:00</published><updated>2007-05-24T07:22:08.049-05:00</updated><title type='text'>HERCULANO FARIAS POR AÍ NO MUNDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        &lt;strong&gt;Alberto Crusius &lt;/strong&gt;- de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Durante muito tempo, foi o primeiro mandamento do leitor que se preza: Não lerás orelhas de livro. E, como qualquer mandamento, largamente descumprido. Mais ainda hoje em dia, quando, freqüentemente, ali constam verdadeiras apreciações literárias sumuladas.  &lt;br /&gt;            Porém, quando recebi, em 1997, as 13 narrativas, de Herculano Farias com dedicatória, nem pensei em prestar atenção à orelha, uma vez que já conhecia seu livro de estréia, Força bruta, editora  Movimento, 1979, em que ainda assinava Herculano Farias Júnior, e também Sagrada família, editora Lavras, 1985, no qual a violência sexual incestuosa nas condições desumanas da miséria na qual vivia parcela do povo brasileiro então como agora, assomava como forte denúncia.&lt;br /&gt;            Sendo uma seleção, 13 narrativas supriria, pelo menos em parte, suponho, meu desconhecimento de O tambor, editora Thesaurus, 1992, como o anterior editado em Brasília – a edição do primeiro fora em Santa Catarina.&lt;br /&gt;            Mas a leitura das 13 narrativas, uma antologia da obra de Herculano numa apresentação gráfica de memorável beleza e qualidade, levou-me muito mais longe do que pensava.&lt;br /&gt;            Havia pelo menos duas obras primas no livro de 68 páginas, O tambor, conto que a abria, e Por aí, no mundo. &lt;br /&gt;            Falei para muitos amigos meus a respeito do livro, e de meu entusiasmo por ele, mas foi numa releitura, em que, já curioso pelo livro como um todo, e portanto também como objeto, que percebi, na orelha, elogio de Fausto Cunha justamente a estes dois contos.  Fausto Cunha foi incisivo: “Admito a segurança de sua linguagem, a perfeição de um texto como Por aí, no mundo, o velho em O tambor, a noção dos detalhes, a frase fincada no verbo concreto, quase sem adjetivos.”&lt;br /&gt;            Ou, como afirma Emanuel Medeiros Vieira também ali, Herculano Farias tem “espantosa obsessão pelo descarnamento, pela secura, pela palavra essencial.”&lt;br /&gt;            Herculano, suponho – não o conheço – como Emanuel, ou como o gaúcho Lourenço Cazarré, faz parte do grande e meritório grupo de escritores brasileiros que, em algum momento de sua vida se deslocaram para Brasília por razões profissionais, onde fervilha uma inquietação intelectual que parece confirmar a vocação política da literatura brasileira, e que tem na preocupação social e política uma característica de escola, e principalmente de escol.&lt;br /&gt;            Brasília pôde contar inclusive com o poeta Domingos Carvalho da Silva, que Fernando Ferreira de Loanda incluiu naquelas duas antologias que talvez sejam as mais famosas e meritórias de poesia da fase recente do Brasil, e conta, desde longe, com o jornal literário da União Brasileira de Escritores, num país em que esse tipo de iniciativa desapareceu, e quando existe é esporádica, e com qualidade também desaparecida.   &lt;br /&gt;            Assinale-se, ainda, que, ao falar na perfeição de um texto como Por aí, no mundo, o admirável Fausto Cunha estava absolutamente despreocupado com uma espécie de acumulação da palavra “se” lá para a parte final do conto. Eu também estava, e ainda estou. É o começo do final da mesquinharia crítica, da rabugice do policiamento palavra-por-palavra, o início da consideração ao que dá a uma obra sua condição mesma de obra: o todo.&lt;br /&gt;            É também o começo da consagração de um autor, aquele em que o todo, a existência de um conceito filosófico primordial da obra, se impõe por sua estética competente no narrar fenomenologicamente. E, como sempre quando não há tese anterior ao texto, e sim despertada por ele, uma fascinante matéria-prima para teses, paradoxo e fascínio ao qual vou resistir optando pela brevidade do texto para meramente noticiar, apontar e sugerir.      &lt;br /&gt;               Por aí, no mundo, com seu bar no meio do descampado, gerido por um casal de velhos que acha até curioso aparecer um freguês, pela rudeza de seus personagens, por sua vez rude e descarnadamente narrada, é um dos meus contos de favorita leitura, por tudo que nele consta, desde o incomum e belo título do bar, repito, incomum, inclusive como tema. Ele torna o conto uma das raras peças contemporâneas que escapa ao Mal estar na cultura a que se refere uma das derradeiras obras de Freud, que é ainda um dos mais famosos enfoques contemporâneos sobre a cultura. &lt;br /&gt;            Acrescente-se que Herculano Farias recebeu  prêmios literários entre os quais menciona-se,  nas 13 narrativas o Prêmio Otávio de Faria e Prêmio Graciliano Ramos, ambos da União Brasileira de Escritores – mais  uma vez percepção a ser feita da movimentação literária em Brasília – e o Prêmio Othon Deça da academia catarinense de letras, além da participação em várias antologias catarinenses, todas elas conhecidas e respeitadas inclusive fora de Santa Catarina: Panorama do Conto Catarinense, Assim Escrevem os Catarinenses, Esse Mar Catarina, Esse Amor Catarina, e de uma Antologia Nacional de Contos, editada em Minas Gerais.     &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-9000913268489548884?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/9000913268489548884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=9000913268489548884&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/9000913268489548884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/9000913268489548884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/herculano-farias-por-no-mundo.html' title='HERCULANO FARIAS POR AÍ NO MUNDO'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-6084638945833481808</id><published>2007-05-20T10:11:00.000-05:00</published><updated>2007-05-20T10:15:07.289-05:00</updated><title type='text'>CELEBRIDADE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; O desejo intenso de obter sucesso na sociedade globalizada é um tema do qual não consigo me afastar. Alain de Botton, que escreveu, entre outras obras, As consolações da filosofia, busca a popularização da mesma. No fundo, pretende oferecer aos leitores “ferramentas para lidar de forma mais consciente com os problemas cotidianos.” Seguiria, na visão de um analista, o conselho milenar de Epicuro, segundo o qual, qualquer argumentação filosófica que não tenha como preocupação fundamental “abordar terapeuticamente o sofrimento humano é inútil.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para que serve a filosofia? Tiraram a matéria do Segundo Grau. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ignorância escolar, que já era enorme, cresceu mais ainda. Mas esse é outro assunto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fugi do tema da busca da fama, a “obsessão” do homem de hoje pela ascensão social a qualquer preço, já abordado neste livro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luciano Trigo detecta que o diagnóstico de Botton é simples: a sociedade nos trata conforme o nosso status. “Até a imagem que construímos de nós mesmos depende dos sinais de respeito do mundo: nosso ego é como um balão que precisa de aprovação externa para continuar inflado e, é vulnerável aos menores sinais de negligência”, interpreta Trigo, que analisa mais: “Além da estrutura meritocrática da sociedade, Botton aponta mais quatro causas para o desejo de subir, a qualquer preço, na hierarquia social: a falta de amor, o esnobismo dos outros, as expectativas demasiado elevadas que temos e a dependência de fatores externos para a conquista do sucesso profissional.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, “a ânsia por status está hoje pior do que nunca, porque as possibilidades de sucesso parecem cada vez maiores”. Assim, escreve o autor: “Estamos rodeados de histórias de quem venceu. Mas é claro que é altamente improvável que possamos chegar ao topo. É tão difícil ser um Bill Gates hoje, quanto era ser um rei no século XVII.” Arremata: “Mas, infelizmente, somos levados a crer na ilusão de que isso é possível. E, dependendo da revista que se leia, pode até aparecer um absurdo não se chegar lá.” Quase todos ficam à margem, e a “celebridade” dura cada vez menos; até abaixo dos famosos quinze minutos de fama. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-6084638945833481808?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/6084638945833481808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=6084638945833481808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6084638945833481808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6084638945833481808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/celebridade.html' title='CELEBRIDADE'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-3023400345243130617</id><published>2007-05-15T09:53:00.000-05:00</published><updated>2007-05-15T15:47:52.339-05:00</updated><title type='text'>O Haiti é aqui</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; - Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Esse país não precisa de heróis, precisa de homens de verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A canção Caetano Veloso e Gilberto Gil é uma acerto inegável sobre esse país.Ela se justifica plenamente.Completamente.&lt;br /&gt;No dia 7 de maio 2007) a RBS (Rede Brasil Sul, a principal rede de comunicações do Rio Grande do Sul) exibiu uma reportagem feita no Haiti pela repórter Rejane Schultz onde ela mostra os brilhantes resultados obtidos pelo exército brasileiro no Haiti na sua missão de paz junto aquele país.&lt;br /&gt;Na reportagem, ela diz que é agora é possível caminhar pelas ruas de Port Príncipe com tranqüilidade e exibe alguns rostos riscados um painel como sendo os dos marginais que atormentavam as populações indefesas que hoje dançam nas ruas com algumas bandeiras brasileiras.Surge também no meio da reportagem um jovem general brasileiro, muito simpático, dizendo que está lá apenas cumprindo a sua missão e que o exército brasileiro quando não está combatendo, está auxiliando a população do Haiti.&lt;br /&gt;Fui ao delírio!&lt;br /&gt;Ao ver uma reportagem assim, a minha antiga profissão de repórter (de repórter policial) baixa como um espírito maligno e começa a querer melhorar a reportagem. E, na verdade, como a profissão de repórter é uma função onde existem mais perguntas que respostas, surge a primeira questão: Porque uma tv do extremo sul do Brasil vai ao Haiti fazer uma reportagem sobre aquele país?&lt;br /&gt;É incomum.&lt;br /&gt;Raramente, pra não dizer nunca, eles fazem reportagens internacionais.&lt;br /&gt;Talvez porque o general que dirige as tropas brasileiras seja oriundo do Rio Grande do Sul, pode ser uma resposta.&lt;br /&gt;Afinal, do Rio Grande do Sul teve por hábito, alguns anos atrás, fornecer generais para governar esse país, bem como civis. E, essa rede de tv não faz reportagem gratuita.Tudo nela é pago, hoje ou amanhã.Seguem a filosofia de que não existe almoço grátis.&lt;br /&gt;Mas isso é apenas uma ilação, sugiro apenas aos leitores que procurem saber e guardar o nome do general, pode ser importante no futuro, o anterior que estava lá, morreu, suicidou-se, parece, em situação muito estranha. Mas quem quer saber a verdade sobre um assunto como esse? Só os arapongas desses departamentos secretos das organizações militares, o respeitável público está se lixando para isso. E os repórteres que passaram por lá, depois disso, não mencionam o fato.&lt;br /&gt;Outra questão: Missão de Paz não é um eufemismo?é uma expressão forçada, pois para conseguir essa paz é necessário guerrear, Missão de Guerra seria mais adequado.&lt;br /&gt;Agora o Haiti.&lt;br /&gt;É um país tão miserável que povo anda comendo barro, (barro com sal, tortas de barro com sal) isso mesmo, barro, aquele coisa que dizem que todos nós somos feitos, de tão miserável que é.&lt;br /&gt;Um povo pobre, autofágico, que não possui nenhuma riqueza significativa, nada, nem em terras, nem em recursos naturais, nada, vezes nada.Só gente faminta e espoliada, desde que os franceses saíram de lá.A colonização francesa teve essa característica, deixar a terra arrasada atrás de si.&lt;br /&gt;E o Haiti só perpetuou o modelo colonialista extrativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Mas porque o grande irmão iria se incomodar em apaziguar um lugar assim? Onde não existe nada para explorar?O país faz fronteira com a República Dominicana que é mais um estado informal norte-americano. E, ali, na República Dominicana está tudo tranqüilo, é possível aos norte-americanos, canadenses e os mais ociosos cidadãos do mundo com muitos dólares na conta aproveitarem o sol fazendo turismo, naturismo, ou simplesmente sendo hedonistas.&lt;br /&gt;Pra que se preocupar com o outro lado da fronteira que só tem vodu?&lt;br /&gt;O grande irmão tem mais o que fazer.Tem que cuidar da paz do mundo, tem que cuidar dos interesses do petróleo, tem que cuidar dos interesses das empresas multinacionais sejam quais forem, esses haitianos...isso é uma África, aqui na América Central, nem consumidores são ah! Pega um exército qualquer sobre a bandeira da ONU e bota lá.&lt;br /&gt;Port Príncipe é menor, aliás, o Haiti inteiro é menor que a grande São Paulo.&lt;br /&gt;Agora vem outra questão, levantada recentemente na Tv Cultura quando foi entrevistado o jurista Hélio Bicudo no programa Roda Vida, quem é o comandante em chefe das forças armadas? Não é o presidente da República? A minha nova pergunta, como repórter é: porque ele, o comandante em chefe das forças armadas não desloca esse exército, esse que apaziguou o Haiti, com experiência em conflitos desse tipo( de rua, dentro de cidades) para resolver o problema das grandes e belas cidades brasileiras onde balas rascantes riscam a noite?Precisa pedir licença pra ONU?Sugiro que nós brasileiros façamos um abaixo assinado para a ONU para conseguir trazer essa força de paz apaziguadora aqui para o Brasil, já que não há vontade política de ninguém para fazer isso.&lt;br /&gt;Basta deslocar esse exército, com esse bonito e generoso general que é guerreiro quando é preciso- como ele afirmou na reportagem- para tomar conta, acabar com as balas perdidas que derrubam mais brasileiros num ano que todos os haitianos que morreram desde que os Ton Ton Macoute largaram aquele lugar esquecido por Deus e feio por natureza.&lt;br /&gt;E, agora perco toda a elegância e mando pra longe a reportagem e chamo esse general as falas, armado, assim, no Haiti, até eu cumpadi, quero ver se neguinho é da porrada mesmo e sobe a Rocinha até o topo, a pé, com a mão na cintura fingindo que está segurando um trinta e oito.&lt;br /&gt;Hoje, não amanhã.&lt;br /&gt;Mas eu não devo entender mesmo de geopolítica e muito menos de relações internacionais para considerar o Haiti mais importante que o país em que vivo. E não conseguir entender que varrer o quintal alheio seja mais fácil que varrer o próprio quintal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Triste o país que precisa de heróis, já dizia Bertold Brecht. Esse país não precisa de heróis, precisa de homens de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-3023400345243130617?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/3023400345243130617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=3023400345243130617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/3023400345243130617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/3023400345243130617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/o-haiti-aqui.html' title='O Haiti é aqui'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-4186765557961170694</id><published>2007-05-11T08:36:00.000-05:00</published><updated>2007-05-13T17:21:29.144-05:00</updated><title type='text'>ISRAEL: EXÉRCITO OU GOVERNO?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“ANTI-SEMITISMO” OU DEFESA DA AUTO-DETERMINAÇÃO DOS POVOS?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça universitária que foi vítima da bala perdida, no final de abril no Rio de Janeiro, na guerra entre traficantes e policiais, procurou atendimento médico por 5 horas. Isso num país de mensaleiros, sanguessugas, de alguns magistrados que não honram a toga, que vendem liminares, de advogados que não cumprem o juramento e fazem a intermediação de sentenças, no vale-tudo geral em que entrou a sociedade brasileira. Mais uma morte que vai para as estatísticas. Até a próxima bala perdida, o próximo velório, a próxima lágrima de um pai, de uma mãe, de um amigo, de um marido ou namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ISRAEL: EXÉRCITO OU GOVERNO?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em memória de Jarbas Benedet Para Urda Alice Klueger e Fernando Evangelista Vieira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o governo de Israel unido à extrema-direita americana, qualquer crítica a violência praticada pelo exército daquele país em relação ao palestinos, é tachada de anti-semitismo. É o argumento mais facilitário, mais gasto, lugar comum cheio de cupins: é arma dos que não têm argumentos.&lt;br /&gt;Qualquer crítica a Israel vira anti-semitismo. Não suporto mais essa mistificação, esse engodo, esse desrespeito à nossa inteligência. Sempre tiram da manga. Mas não convencem ninguém: só iludem os fanáticos de sempre. Israel, no fundo, não parece Estado, mas um Exército.&lt;br /&gt;Essa lenga-lenga acusatória vem desde os tempos de faculdade, desde a Guerra de 67. O sionismo não é um humanismo. Em verdade, é uma afronta ao verdadeiro humanismo humanismo judaico. Mas fechar os olhos para as atrocidades desse Exército, como faz a mídia mais parcial, mistificadora, reacionária ao extremo, alinhada aos setores fascistas do governo norte-americano; essa mídia - porta-voz do capital financeiro internacional – fecha os olhos às piores atrocidades cometidas contra o povo palestino, é de doer na alma, é uma negação do próprio humanismo judaico. (Minha combativa amiga e colega de ofício (a quem dedico estas meditações), Urda Alice Klueger, conhece profundamente o tema – bem mais que este escriba -, e foi vítima de duríssima injustiça por verbalizar o que sentia em suas inesquecíveis crônicas em jornal de nossa querida terra- Santa Catarina. Mas manteve a altivez, a espinha dorsal e não se calou, mesmo às custas da perda de uma coluna em conhecido jornal do Sul do Brasil.)&lt;br /&gt;A maioria fica calada. Tem medo. Sabe onde o Poder está. O verdadeiro: do  dinheiro. Do capital, do mercantilismo. Sabe com quem estão os bancos, as grandes redes de TV, de jornais, de rádios. E onde estão as armas mais mortíferas. Tem consciência da montanha de dólares que o Império manda para Israel. Dizem que é apenas um lugar-comum- mas verdadeiro: Israel não virou um enclave imperialista no Oriente Médio? Não? Onde está dinheiro, onde estão as armas mais poderosas? Nas mãos de quem estão os jornais mais influentes? De quem a chamada opinião pública recebe a chamada informação – diária, intensa, massiva? Manipulada, parcial, reacionária? De quem? Se tentasse dizer o que escrevo aqui, por exemplo, na mídia hegemônica, duvido que os maiores jornais permitiriam. Publicariam? São realmente democratas ou me incluiriam no index dos chamados “anti-semitas”? Creio que gostariam de me enfurnar atrás do muro que o Exército de Israel está está construindo na região. O Muro de Berlim não pode. O de Israel pode.&lt;br /&gt;O Irã não pode enriquecer o urânio. Só Israel pode, e é o Estado militarmente mais poderoso da região e um dos mais fortes do mundo. Suas bombas reduziriam a região e parte do mundo a pó. Quero deixar claro (e não por medo de me chamarem de “anti-semita”, mas de rir -, mas por esclarecimento), que me repugnam igualmente as ditaduras árabes, no geral aliadas dos EUA, corruptas, feudais ou medievais. Como não defendo a corrupção que existente em segmentos da Autoridade Nacional Palestina, enquanto seu povo vive na miséria e sob os tanques de Israel. Para quem vive em Israel, a democracia pode existir. Existe. Mas não para “os outros”. Para os outros povos, não. É a diplomacia do cacete. Defesa prévia? Defesa prévia eterna? Defensor das bombas? Eu? Como seria a favor da destruição da vida? Defendo sim a auto-determinação dos povos. Quando alguém oferece a própria vida é porque não tem mais nada a perder. É porque não tem mais esperança no cumprimento de tratados (como os de Oslo), em negociações, em nada. E são meninos aindas os que não se submetem ao cruel exército de ocupação. O que foi a revolta dos jovens palestinos? A Intifada? Época da pedras contra os tanques. Quem oferece a própria vida, não tem mais nada a perder.&lt;br /&gt;Ao governo (“Exército”) de Israel interessa REALMENTE a paz? Israel sempre arruma um pretexto. Sim, pretexto camuflado em retórica vazia. A opção preferencial é pela truculência, pela brutalidade, pelo assassinato em massa. Conversem com jornalistas independentes e imparciais que estiveram por lá, como Fernando Evangelista. Perguntem sobre o tratamento dispensado pelo Exército de Israel a esses profissionais? Estariam repetindo, de certa maneira – a indagação perturba certa parcela da mídia, que logo parte para a agressão verbal - as práticas infames sofridas por seus honrados seus ascendentes nas mãos dos nazistas? Enquanto não for resolvido conflito no Oriente-Médio e o povo palestino não viver “soberanamente” num Estado realmente seu, sem as botas da ocupação, o banho de sangue continuará. Não tem jeito Um povo que não lute pela sua soberania, um povo que não lute para ter seu “lar” – e um lar que já foi seu- não merecerá ser lembrado com respeito pela História. Palavras anti-semitas? Por favor: arrumem outro argumento. Não subestimem nossa inteligência. E que novamente é preciso repetir: nenhum povo tem o monopólio da dor, do sofrimento, da humilhação. Na Segunda-Guerra mundial TAMBÉM foram mortos, ciganos, comunistas, cristãos e diversos povosa. Ou não? O sofrimento só atingiu um povo? A mídia hegemônica quer dizer que sim* *Uma pergunta que não quer calar: A resistência francesa que combateu heroicamente a invasão nazista seria chamada hoje de “terrorista” pela mídia hegemônica?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-4186765557961170694?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/4186765557961170694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=4186765557961170694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4186765557961170694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4186765557961170694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/israel-exrcito-ou-governo.html' title='ISRAEL: EXÉRCITO OU GOVERNO?'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-7641237587219001995</id><published>2007-05-09T15:59:00.000-05:00</published><updated>2007-05-09T18:56:28.907-05:00</updated><title type='text'>Cultura não é entretenimento- ou então vamos criar o ministério do entretenimento</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; - Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fã de carteirinha de Gilberto Gil há muitos anos, compositor e músico sensível como raros no Brasil, não fiquei admirado com a sua aproximação com o atual governo. Gil sempre foi um artista engajado nas lutas sociais, sofreu com a censura no período da ditadura e mesmo depois continuou atuando politicamente, além de manter a sua carreira de músico e compositor. Atitude incomum nos artistas brasileiros, contemporâneos, que preferem ignorar o seu em torno ou então, mantém atitude de alienação, como se o artista estivesse fora do mundo,quando não têm atitudes meramente reativas ao noticiário da mídia, porque perderam a capacidade de refletir sobre a realidade adjacente.&lt;br /&gt;Não sei se Gil precisou assinar ficha em algum partido para atuar como ministro da cultura, o que não chega a ser relevante. Também não achei inadequada a sua indicação, li várias entrevistas onde ele dizia acreditar ser possível atuar dentro do governo e auxiliar a melhorar a realidade do país.&lt;br /&gt;Houve ocasião em que ele foi vaiado por estudantes insatisfeitos com o seu ministério e do da educação.Pensei que depois disso ele iria se afastar do governo já que como artista popular nunca havia sofrido uma vaia ou condenação do seu trabalho pelo público. A ligação entre política e a arte quando se torna muito presente na obra do artista, acaba prejudicando a arte do mesmo.Fica mais difícil separar os dois, quando o artista põe a sua arte a serviço da política.E, nessas ocasiões, raramente o público separa o artista do político que exerce um papel momentâneo na vida do país.&lt;br /&gt;Minha admiração pelo seu status de político aumentou depois disso, mesmo sabendo que o Estado que ele representa quase nada tem feito de importante para a cultura, é possível contar nos dedos as novidades surgidas nesse governo na área cultural.As leis de incentivo continuam a mesma droga de sempre, a do livro, não afetou em nada o preço final do livro, teatro, música clássica, todas as artes e artistas, todos, invariavelmente, continuam correndo atrás de patrocínio privado, não existe realmente uma política pública real de apoio à cultura nesse país.Não posso condenar o ministro por esse quadro que vem de longa data e não sei mesmo o quanto de novo ele tem feito para modificar essa situação ou apenas segue apagando incêndios.&lt;br /&gt;No dia 8 de maio ele deu uma entrevista ao Observatório da Imprensa sobre as novas políticas para tv e internet.Durante a entrevista mostrou todo o seu entusiasmo com a criação desse novo sistema que começa a ser apoiado pelo atual governo e que pode realmente possibilitar a democratização e a pulverização da cultura no país, através da facilidade do acesso ao uso maciço da tv e internet, se tudo o que se diz sobre o assunto for realmente verdade.Na longa entrevista que o ministro deu a Alberto Dines, na minha opinião, resvalou em apenas um assunto: Confundiu cultura com entretenimento.&lt;br /&gt;Mas essa não é uma confusão só dele, o repórter Dines, mesmo com larga experiência que tem, entrou na do ministro e pareceu acreditar que cultura é sinônimo de entretenimento ou as duas são a mesma coisa.Se alguém tem alguma dúvida sobre isso basta ir atrás do dicionário para conhecer a distância abissal entre as palavras e o significado de cada uma.&lt;br /&gt;A noção que cultura é entretenimento (ou diversão, para usar um sinônimo mais adequado) começa a partir da segunda guerra mundial com o predomínio cultural norte-americano sobre a arte. E nenhum segmento artístico ficou imune a isso e, a televisão brasileira, que era o assunto em debate do ministro com o jornalista, seguindo o mesmo padrão da tv americana tornou-se sinônimo de diversão ou entretenimento.&lt;br /&gt;Mas é preciso que alguém diga ao ministro, que também, até onde se sabe, ele não é um ministro do entretenimento e sim da cultura, que a cultura está acima, além e também subjacente ao entretenimento.&lt;br /&gt;Você pode ver um programa de televisão na Bósnia, cópia de um programa de televisão americano que, mesmo assim, os bósnios vão se comportar como bósnios e falar como bósnios, ou seja, cultura é o que faz um sujeito ser bósnio ou não bósnio.Entretenimento é o que os bósnios fazem pra se divertir, ocupar seu tempo ocioso como bons bósnios que são.&lt;br /&gt;O entretenimento é um aspecto da cultura e não a cultura em si.Será preciso ser mais específico que isso?&lt;br /&gt;Se a arte, a filosofia ou a educação, por exemplo, fossem feitas apenas para entreter talvez vivemos no melhor dos mundos e a nossa vida fosse um show permanente onde passaríamos cantando e abanando os braços para cima, feito idiotas, ou num filme hollywoodiano onde viveríamos iluminados pelos  holofotes.&lt;br /&gt;Continuo fã do artista, do ministro nem tanto apesar da confusão sobre esse assunto não ser só dele.Agora, que esse país está precisando muito de cultura isso está.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-7641237587219001995?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/7641237587219001995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=7641237587219001995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7641237587219001995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7641237587219001995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/cultura-no-entretenimento-ou-ento-vamos.html' title='Cultura não é entretenimento- ou então vamos criar o ministério do entretenimento'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-1365416399593223428</id><published>2007-05-06T17:24:00.000-05:00</published><updated>2007-05-06T17:35:51.925-05:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;PRAGA DO DIA DAS MÃES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                 Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como a chegada do verão, do outono. De cada dia. O mercantilismo não pára. Agora é a praga do "Dia das Mães". (Entendam: a praga não é a mãe. É o mercado do capitalismo tapuia.) Nada que eleve o espírito humano. Nada que dignifique o ser. A impressão é que todas as mães querem um celular. Que todas mães querem "coisas". (Talvez, na internalização desses valores, queiram mesmo.) Muitas são fúteis, tratam melhor seus cachorros que os meninos de rua; pagam pessimamente as domésticas, mas não deixam de lado a jóia e o vestido novo, além da plástica anual. (Não adianta, senhora: ficará velha de qualquer jeito.)&lt;br /&gt;E as empresas privadas de telefonia (protegidas por gente graúda do "país cordial"), privilegiadas no reinado de privatização do "príncipe" FHC - o dia em que forem abertos os arquivos das privatizações do reinado tucano será descoberto um dos mais profundos e tenebrosos escândalos de corrupção e favorecimento da República -, onipotentes, cobrando caro, apenas "respeitando" o consumidor em propagandas maciças na TV, se dão bem às custas da ignorância ou da sede de consumo. "Troquem seu celulares e sejam felizes". Ou as duas coisas juntas: infinita ignorância e enorme vontade de consumir. (Tente reclamar de uma conta errada, de algum, engano. Mergulhe no inferno tecnológico. Disque 3. Disque 4. Disque para o inferno. Escute uma musiquinha, a voz mecanizada, plastificadamente erotizada de uma moça terceirizada. A ligação cai. Se conseguir outra, terá que novamente passar todas as informações que já deu, identidade, endereço, CPF, o diabo.)&lt;br /&gt;É o inferno refrigerado, de que falava Henry Miller. Tenha o seu carrinho, o seu empreguinho, faça amor 3 vezes por semana com sua mulherzinha. Tudo no diminutivo... Dê-se bem na vida às custas da desgraça de todos os danados do Brasil. E vá levando sua vidinha; veja a novela das 9, o "Jornal Nacional"- espremendo, ele também faz jorrar sangue. Como entende-se a angústia de um Nietszche diante da mediocridade humana! Quem se lembra? Transamazônica (que o mato comeu), Capemi, Proer, Grupo Delfin, Anões do Orçamento, República de Alagoas, sanguessugas, mensaleiros, correios, compra de votos para a reeleição de FHC, o abafamento de CPIs, concessão de canais de rádios e de tevê o perdão de um "impoluto senhor do Pará", hoje deputado federal, pelo governo Lula- cada vez pior, cada vez dizendo mais baboseiras, cada vez mais incompetente e narcísico. E, gravíssimo: a contaminação de parcela de altos escalões do Judiciário nas teias de uma corrupção, que parece cada vez maior. Sim: quem se lembra? Compre uma TV e seja feliz! Não pense! Dê um celular para a sua querida mamãe e faça um mulher feliz! Livro não. A vista da genitora ficará cansada. "Livro é caro": o álibi dos que não suportam ler. (É caro sim, mas não pelas razões dos analfabetos funcionais.) E vá à tripa forra no espeto-corrido do domingo das mães ou no macarronada com a sogra, antes do Faustão. E eleve seu espírito com o grande humanista! Cresça mais um pouco com o "Fantástico". Parabéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AINDA SOBRE DROGAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A postura de passar a mão na cabeça de viciados, não é humanista, não ajuda o dependente. É uma maneira de exorcizar culpas: pela ausência, pelo egoísmo, pelo desinteresse real em relação à educação do filho, pela desustruturação familiar, celebrando casamentos às pencas como se o ritual fosse um piquenique. A hegemonia absoluta do meu prazer é sempre a negação do outro. Sim, uma geração foi brutalmente reprimida. Uma outra, pegou o rescaldo. É essa, talvez, a que mais me entristece, que viveu muito tempo num purgatório existencial, sem projeto, impotente, calada, restando o "consolo" das drogas, do vazio e da poesia neo-parnasiana, conretista (essa é o horror dos horrores!), realmente ruim e alienada. Essa geração - que tem hoje, arredondado, uns 50 anos -, pela impotência, me parece mais sofrida que a minha, a que nasceu no final da guerra, em 1945. (Sim, viveu na clandestinidade, foi torturada, foi para o exílio, mas - para o bem ou para o mal - tinha um projeto para o Brasil.) "Mas perderam", dirão. Sim. Perdemos. Mas isso faz parte da vida. A anterior à nossa, gerou epígonos do concretismo, professores universitários medíocres mas presunçosos, e uma gigantesca massa de vis imitadores de Guimarães Rosa ou adeptos de um psicologismo que pensam ser herança de Clarice Lispector. Ah, existem também os imitadores de Osman Lins e João Cabral. Pobre Clarice, tão maior que essa gente presunçosa e, literariamente, tão ruim. (Uma das experiências mais dolorosas é ler um imitador de Guimarães Rosa. Talvez seja pior que ler uma tese de mestrado...) Voltemos ao pai que foi reprimido e quer "compensar" o filho: crê que exorcizará a dura educação que recebeu, fazendo tudo o que o filho quer ou "manda". Dá presentes, faz agrados, aumenta a mesada, é pai complacente, idiotizado, sem autoridade. Ou tem medo do filhote. (Sim, autoridade. Não falo de autoritarismo, não estou falado de Médici.) O que este perdido pai está deixando? Uma geração desfibrada, covarde, "corajosa" só em gangues ou grupos; o guri crê que é muito "macho" se beijar 100 mulheres numa festa. (Não sabe que quem beija 100, não beija nenhuma..) Sim, houve uma ditadura. Mas isso não é alibi para pais,- que fumaram "baseados", acharam que Florianópolis era um paraíso (foi um lugar bom para se viver, mas há muito tempo, antes de ser loteado pelos ricos de todos os lugares, inclusive meus conterrâneos, não só gaúchos e paulistas e a praga dos argentinos - que nunca leram Borges, mas sabem invadir terrenos de vizinhos); e acenderam "incenso", internalizando um misticismo de araque, lendo idiotices de auto-ajuda. De calças ou de saias: estas são supostamente mulheres mais profundas, mas que só escrevem platitudes, lugares-comuns sentimentais, melosos, enriquecendo e dando palestras a peso de ouro às custas da burrice geral brasileira. Posso e devo ser amigo de meu filho. Mas ANTES sou pai. Para agradar, os chamados modernosos, permitem que a filhinha durma em casa com o namoradinho. Tudo no diminutivo. É obrigado a ver o garotão andar de cuecas pela casa, abrir a geladeira, refastelar-se no sofá. E agüentar calado. Sem trazer o chicote... Nada disso. Và à luta, rapaz! Não moraram em repúblicas, ganham mesadas, não fazem um trabalho de voluntariado, têm o seu carrinho e não conseguem tirar uma nota digna na escola. É preciso, tendo consciêntica ética e não sendo um sepulcro-caiado, remar contra a corrente, mesmo recebendo pauladas à direita e à esquerda. É o preço a pagar pela nossa autenticidade. É essa complacência que gera esse conformismo propício à germinação de formas novas de fascismo. A rapaziada vira uma massa amorfa. Podem vestir uma camiseta com a foto do Che, como fosse sinal de inconformismo. Como se o guerrilheiro fosse um moleirão passivo e não renunciasse à vida fácil. Pobre Che, incorporado ao mais sórdido capitalismo. Enternecer-se sem peder a dureza. Nunca. Cada governo tem o povo que merece...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-1365416399593223428?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/1365416399593223428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=1365416399593223428&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/1365416399593223428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/1365416399593223428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/praga-do-dia-das-mes-emanuel-medeiros.html' title=''/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-5294771490484508510</id><published>2007-05-03T17:33:00.000-05:00</published><updated>2007-05-07T20:14:50.379-05:00</updated><title type='text'>Um textinho de Cecília Meireles-e um pouco de tv aberta</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt;- Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pedro Bial em um dos últimos episódios da série BBB7, para criar um clima na despedida de mais um participante, resolveu ler um “textinho de Cecília Meirelles”, os participantes que não tinham a mínima idéia de quem é/ou foi Cecília, ficaram sem entender a razão da leitura do “textinho”, o respeitável público também não entendeu, porque também não conhece uma da maiores poetisas da língua portuguesa e sem exagero da poesia ocidental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bial que foi um dos jornalistas importantes desse país, parece que resolveu jogar o seu currículo de grandes reportagens e entrevistas como as realizadas com Darcy Ribeiro, João Cabral de Mello Neto, entre outras, no lixo da comunicação imbecil e rasteira. E tem surtos como esse, onde tenta aparentar algum aspecto de intelectual e acaba atirando na banalidade o nome de Cecília Meireles em um programa realizado para 50 milhões de semi analfabetos ou analfabetos culturais, com participantes semi-analfabetos apresentado por um jornalista que esqueceu ou nunca teve a noção entre o importante e o fácil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É fácil enganar um povo como o nosso, carente de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Basta brincar com a esperança daqueles que nada tem, constranger mulheres de poucos recursos a mostrar seu corpo e o diabo dá risada feliz a cada domingo que os índices de audiência empatam entre as mais importantes emissoras do país.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, essas emissoras, sem nenhum compromisso com nada a não ser com o seu faturamento, exploram a credulidade, empurram pseudomúsica, pseudocantores, pseudo-atores guela abaixo dessa multidão de miseráveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E vamos rir do sujeito que caiu no chão, que caiu do telhado, que caiu, que caiu de algum lugar, que levou uma pancada, tudo narrado por um apresentador mal educado e grosseiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, a grosseria é marca registrada de alguns programas, onde a grosseria intitucionalizada tenta aparentar independência dos valores mínimos de convivência social e respeito físico pela integridade do próximo quando na realidade demonstra é falta de inteligência em fazer algo melhor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o resto da programação segue num ritmo de gincana, de todo o tipo, cada uma mais infantil que outra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando não aparece um padre cantor, numa emissora católica, travestido de padre, usando um sobrepeliz vermelho que canta rebolando em cima do altar em meio a uma missa, cantando canções que ofendem a mínima noção do que seja música e letra. E outro, na mesma emissora católica, oferece à venda uma jóia em forma de cruz com terra recolhida em Israel.O clip da busca dessa tal “terra santa” pelo padre nada fica a dever aos clipes mais bregas da MTV, é de arrepiar, chega a ser pornográfico, o padre caminhando descalço, olhando para o infinito, entre as águas do Rio Jordão.Repulsivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto isso, a igreja diz que faz, esse ano, a campanha da fraternidade sobre a Amazônia e essa emissora de tv não realiza um documentário, uma notícia, uma pesquisa sobre a Amazônia e, depois da missa, volta o padre cantor a repetir ladainhas para uma imagem de um santo pregada na parede.E repete suas frases com tanta veêmencia, que só sendo santo pra aguentar um chato daquele tamanho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, enquanto a tv católica ignora a Amazônia, a outra, para enfeitar a sua grade de programação, gasta alguns milhões para produzir uma série sobre da Amazônia com veleidades sociais, utilizando uma mistura de textos que a autora não credita a ninguém a não ser a sua genialidade. Mas isso é para ser exibido às 23 horas, quase proibido para os menores em inteligência e percepção que podem interpretar mal aquelas questões de conflitos agrários que terminam por glamourizar e mitificar a luta de Chico Mendes e tantos que morreram naqueles conflitos que continuam ocorrendo, tornandos palatáveis e de fácil assimilação, tirando desses conflitos agrários o que tem de importante em troca de uma maquiagem mal feita, mas de aparente bom gosto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em nome da audiência criada e forjada pela estrutura dessas programações, há personagens como Jô Soares cujo programa copia os modelos de talk show norte-americanos, e que tem por objetivo de fazer rir permanentemente uma platéia escolhida de estudantes, que autentica a mediocridade das entrevistas. Quando eles riem, a entrevista vai bem, quando eles ficam quietos é hora de chamar as vinhetas e trocar o entrevistado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em recente entrevista realizada com o poeta Affonso Romano Santana que divulgava dois livros seus de poesia, na ânsia de agradar o auditório, ele pergunta se o Affonso não conhecia nenhuma quadrinha de banheiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pior que essa, só a tv italiana ou da Libéria, se a Libéria tiver tv aberta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-5294771490484508510?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/5294771490484508510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=5294771490484508510&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/5294771490484508510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/5294771490484508510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/05/um-textinho-de-ceclia-meireles-e-um.html' title='Um textinho de Cecília Meireles-e um pouco de tv aberta'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-710541378441813199</id><published>2007-04-30T21:01:00.000-05:00</published><updated>2007-04-30T21:03:32.415-05:00</updated><title type='text'>Primeiro de maio, 2007</title><content type='html'>&lt;strong&gt;E. San Martin&lt;/strong&gt; de Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é primeiro de maio e queria registrar na NOVAKLAXON o Canto dos Carregadores de piano de Recife. É do final da década de 30 do século passado. Foi recolhido e registrado em disco de acetato por um folclorista histórico: o escritor Mário de Andrade, que muito admiro e repito (e que foi corrigido por algum motivo antropológico ou antropofágico na própria NOVAKLAXON, mesmo sendo predra angular da Revista KLAXON dos modernistas da modernidade antiga. Ele e outros, com sua competência e independência, criaram as bases culturais para que ainda se auspire ou busque a liberdade de pensamento no Brasil, deixando alguma forma de  documentação “do que faz do Brasil, Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que hoje é Dia do Trabalhador, em grande parte do mundo. Quem trabalha é que tem razão, no entender de um malandro carioca “pedra 90” ou quilate poético aos poemas de M.A., Wilson Batista, que acrescentou: “Digo sem medo de errar. O bonde de São Januário, leva mais um operário. Sou eu que vou trabalhar”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CANÇÃO DOS CARREGADORES DE PIANO DE RECIFE*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi batida no pau&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi duro p’a ti&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi lá nos pé do cachorro&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi lá nos “tadinho” dos dedo&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi corda queimada&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi chumbo derretido&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tira de lado&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Tira de frente&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Tira de banda&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi duro p’a ti&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Canção de trabalho dos carregadores de piano de Recife, 1938, resgistro de Mário de Andrade, transcrição incompleta e imperfeita, por limitações da fonte de audio, ou deste ouvinte que a copia. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-710541378441813199?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/710541378441813199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=710541378441813199&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/710541378441813199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/710541378441813199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/primeiro-de-maio-2007.html' title='Primeiro de maio, 2007'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-6830631519415723481</id><published>2007-04-28T18:30:00.000-05:00</published><updated>2007-04-28T18:39:51.527-05:00</updated><title type='text'>Vamos tirar os espinhos dessas periferias – miseráveis, fisicamente e  culturalmente</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; -Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Emanuel tocou em seu último post num assunto espinhoso, a droga.&lt;br /&gt;        Como havia terminado recentemente a leitura do  livro Abusado&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=38040685#_edn1" name="_ednref1"&gt;[i]&lt;/a&gt; do jornalista Caco Barcellos resolvi falar também sobre o assunto. No livro, Caco  realiza uma reportagem investigativa sobre a vida de Juliano VP, codinome de um dos “donos” do morro Santa Marta no Rio de Janeiro entre a década de 80 e os primeiros anos do novo século quando foi morto na prisão de “segurança máxima” Bangu 1, em julho de 2003.&lt;br /&gt;Caco reconstitui a história desde os primeiros habitantes do morro Santa Marta, imigrantes nordestinos que se estabeleceram ali com a ajuda de don  Helder Câmara e passa pelos  sucessivos “donos” do morro até chegar a Juliano VP que se torna “famoso” quando consegue a presença no morro do cantor Michel Jackson para a realização de seu clipe musical, garantindo também a sua segurança, o que foi considerado uma afronta direta a Secretaria da Segurança do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;      O livro é uma reportagem longa  sobre o que todos sabemos, que o Brasil vive hoje em duas sociedades distintas com leis e comportamentos completamente diversos.&lt;br /&gt;No Rio de Janeiro 2,5 milhões de pessoas residem nas 400 favelas da cidade.&lt;br /&gt;Esses enclaves periféricos nas grandes cidades são resultado de todos os múltiplos desacertos sociais -políticos e econômicos - dos diversos governichos que conduziram esse país nos últimos 50 anos e terminou por fortalecer a criação de sociedades paralelas, estados autocráticos tão fortes que podem enfrentar o chamado Estado de direito ou a sociedade, sem receio, com recursos e armas superiores.&lt;br /&gt;      A noção do Estado de direito, uma das conquista da democracia, bem como noções básicas de justiça não existe nessas realidades.  A lei e a justiça é executada de acordo com vontade dos donos do morro e seus prepostos, e a ela estão sujeitos e envolvidos todos os  que ali residem, homens e mulheres.Numa das batalhas travadas para devolver a liderança do morro para Juliano VP a organização da mesma ficou a cargo de mulheres ligadas a ele que se associaram a um grupo de outra favela que as apoiou com homens e armas.&lt;br /&gt;     As estatísticas e notícias a respeito disso são tão comuns que terminam tornando indiferente a sociedade que vive em torno dessa realidade, realidade essa que também é  glamourizada pela mídia ávida de lucro atrás de “sucessos” musicais,  e de novas “tendências” nessas periferias miseráveis  fisicamente e  culturalmente. E a mídia, também, apresenta como novidade inserção dos menores de idade no circuito da droga, que só tem a porta de entrada, não a de saída. &lt;br /&gt;Mas vamos falar um pouco mais de violência. Um trecho do livro:&lt;br /&gt;“Uma implicância sem fundamento ou a necessidade de provar o seu poder de perversidade também eram motivos pra Raimundinho multiplicar os &lt;strong&gt;&lt;em&gt;tribunais&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Ele chegou a executar uma mulher Irana, de 50 anos, apenas para competir  com  os carrascos do Cerro Corá, gerenciado pelo amigo Bruxo, que havia matado uma adolescente chamada Choquita. Raimundinho soube  que o corpo fora esquartejado em trinta pedaços, postos dentro de uma mala e desovado no meio caminho no meio da floresta, ligação ente o Cerro Corá com o Santa Marta.Dias depois Raimundinho fez a mesma coisa com Irana, que alegou ser informante dos inimigos.Mas para impressionar os amigos do morro vizinho, em vez de trinta, esquartejou em cinqüenta pedaços e mandou jogarem a mala na mesma trilha da floresta”.(pág 220 )&lt;br /&gt;Os exemplos de crueldade se multiplicam, não apenas no livro. Essa crueldade é diária e constante e, é apenas caricatura de uma sociedade cujos únicos valores perenes são o poder do dinheiro e das armas que o garantem.&lt;br /&gt;A droga é elemento secundário em todo esse processo, pode ser qualquer uma, maconha ou cocaína, como era o álcool na década de 30 nos  Estados Unidos.&lt;br /&gt;          Segundo o livro de Caco, em setembro  2002 a renda mensal de um desses donos do morro com a droga era de 2 milhões de dólares.É importante notar, também, que os “donos” desses morros estão a serviço de patrões  que estão fora dessa periferia.No caso de Juliano VP, ele fazia parte da estrutura do Comando Vermelho.&lt;br /&gt;         O Comando Vermelho foi criado em 1979 no presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande (RJ) a partir da relação entre presos comuns e militantes da Falange Vermelha  que combatiam o regime militar.O Comando surgiu  com o lema "Paz, Justiça e Liberdade" e  criou o mito das organizações do tráfico do Rio.&lt;br /&gt; De acordo com o ex-secretário  de Segurança do Rio, Luiz Eduardo Soares&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn2" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=38040685#_edn2" name="_ednref2"&gt;[ii]&lt;/a&gt; “esses nomes funcionam mais como linhas de demarcação que aproximam e opõem os atores coletivos, do mundo criminal do que como representação de organizações sólidas bem estabelecidas. Quanto valem, de fato, depende do contexto, da circunstância específica, do tema em foco".&lt;br /&gt;       Ou seja, não houve nenhuma politização ou conscientização de realidade nenhuma, apenas o fortalecimento desses grupos que já existiam.Se tivesse surgido a menor organização em torno de uma plataforma política dentro desses grupos, eles já teriam sido exterminados e provavelmente as favelas teriam se tornado terra arrasada. O estado policial (não o de direito) costuma se autoproteger  muito bem.E não se sente ameaçado com esses tiroteios. Esse estado só sente ameaçado se houver política no meio, como não há, pra que intervir?&lt;br /&gt;É preciso desmistificar e descriminalizar a venda e o uso das drogas.&lt;br /&gt;       A nova lei dos tóxicos sancionada em 2006  criando o   Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas, tem como objetivo “prescrever medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelecer normas para a repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas.”&lt;br /&gt;A principal característica é a descriminalização da posse de droga para consumo pessoal. Outra mudança é o aumento da pena para o tráfico de drogas de 3 a 15 anos para 5 a 15 anos, além de 500 a 1.500 dias-multa. O uso não é proibido, a venda sim, não é uma maravilha de legislação?O texto diz que são estabelecidas normas “para a repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas”, mas existe produção e  tráfico autorizado e lícito?&lt;br /&gt;A estrutura da droga é a mesma de qualquer produto, transformação, distribuição e venda.&lt;br /&gt;É um processo ligado agroindústria e também a indústria química, desde de sua origem até a venda ao varejo.&lt;br /&gt;Faz mal a saúde, faz, como o cigarro, como álcool. Compra e usa quem quer.Apesar de ser reconhecido o uso da nicotina nos cigarros nunca ouvi notícia do fechamento de uma única fábrica de cigarros.&lt;br /&gt;O grande exemplo da década de 30 nos Estados Unidos com o álcool também não serviu para os legisladores.&lt;br /&gt;         Há alguns outros interesses atrás destas questões, além do lucro brutal. Certa vez escutei de um ministro da República que um dos cartéis da Colômbia aplicava dinheiro no mercado brasileiro com a devida anuência do governo (que ele representava) que buscava avidamente esses dólares.Como essa revelação já foi há algum tempo e mudaram alguns governos acredito que os que se seguiram estão mais criteriosos com relação aos capitais que atraem para o mercado brasileiro.&lt;br /&gt;Será que não?&lt;br /&gt;         De onde saem esses grandes capitais de risco que circulam o mundo atrás de mais lucros?&lt;br /&gt;Podemos somar a esses interesses, em não resolver a questão da droga,  o comércio de armas, o comércio de segurança pública e privada, o suborno e alguns preconceitos religiosos. Já ouvi argumentos que a droga pode destruir a família. O mesmo argumento era usado contra o divórcio e até hoje  contra o aborto.&lt;br /&gt;           O livro de Caco Barcelos não traz nenhuma novidade além do já sabido, da interelação de uma classe alta e média permissiva,  o sofrimento dos mais pobres e desamparados.&lt;br /&gt;Temos, hoje, cerca de 27% da população economicamente ativa, cerca de 24 milhões de pessoas, jovens, ou desempregados ou subempregados que ajudam a alimentar  essa máquina de moer de gente.&lt;br /&gt;             Não há vontade política, nem econômica, nem nada, para resolver essa questão.&lt;br /&gt;            O exército vai para as ruas pela segunda ou terceira vez, vai resolver? Não. Vai gastar alguns milhões como já gastou nas outras vezes que saiu dos quartéis, conforme relato no livro.&lt;br /&gt;Não há verdadeiro interesse em resolver isso.&lt;br /&gt;Já se disparou  mais tiros nessa guerra que em algumas batalhas históricas do Brasil.Segundo dados do livro de Caco um dos hospitais do Rio de Janeiro é uma dos maiores especialistas do mundo em atender gente ferida em tiros de fuzil.&lt;br /&gt;            Criar leis mais duras não adianta nada!&lt;br /&gt;            Passeatas, manifestações, menos ainda.&lt;br /&gt;            Se algum desses traficantes tivessem conseguido fazer acordos internacionais como o biografado de Caco Barcellos queria, ou mesmo o tal de Fernandinho a Beira Mar com as FARC, como eles chegaram a tentar, a situação ia ficar complicada para esses legisladores em causa própria e para um estado- policial, ótimo para cobrar impostos de quem trabalha e produz e não devolver nada a sociedade, quando não ajuda a engordar essas quadrilhas apoiando a impunidade com o amparo da lei e tirando proveito do status e foro privilegiado.&lt;br /&gt;A única saída para toda essa questão é  a legalização da compra venda e uso da droga e deixar de hipocrisia.&lt;br /&gt;O Estado e o cidadão só têm a ganhar com isso, o Estado ganha mais uma fonte de renda para tapar seus eternos buracos de caixa e o cidadão, sossego para caminhar nas ruas das grandes cidades brasileiras.&lt;br /&gt;O resto é bobagem eletiva ou assunto para os pregadores atrás de ovelhas para pastorear. Conversa fiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=38040685#_ednref1" name="_edn1"&gt;[i]&lt;/a&gt; ABUSADO-Caco Barcellos-Ed. Record-564 pg - R$ R$ 55,00&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn2" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=38040685#_ednref2" name="_edn2"&gt;[ii]&lt;/a&gt;  Folha On Line-15-04-2004 Segurança&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-6830631519415723481?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/6830631519415723481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=6830631519415723481&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6830631519415723481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/6830631519415723481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/vamos-tirar-os-espinhos-dessas.html' title='Vamos tirar os espinhos dessas periferias – miseráveis, fisicamente e  culturalmente'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-8352231042163162424</id><published>2007-04-26T13:39:00.000-05:00</published><updated>2007-04-26T13:47:58.819-05:00</updated><title type='text'>TOCANDO EM FERIDAS    Consumo de drogas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém sobe o morro no sábado. Compra drogas. Vai se divertir.&lt;br /&gt;Ou "pensa que vai se divertir." Encara traficantes armados. Sabe que os "barões" estão no asfalto, na Avenida Vieira Souto, em coberturas bem protegidos. (A degenerescência brasileira contaminou todos os poderes). Bicheiros, donos de escolas de samba, o Judiciário com venda de liminares, advogados intermediando sentenças. Nem falamos do Executivo e do Legislativo, mas a "caixa preta" da Justiça - tarda, não-cega para os poderosos e falha - era mais difícil de abrir. Está sendo desvendada? Só futuro dirá. Interesses maiores se levantam Mas é um profundo deboche, mais uma bofetada no rosto resignado do povo brasileiro.&lt;br /&gt;Voltemos ao início. O bom sujeito de classe média subiu ao morro. Comprou drogas. Vai se esbaldar, dançar, varar a madrugada. No domingo, usará uma camiseta pela paz. Contra a violência. Numa manifestação, dará as mãos para outros companheiros (alguns que estiveram com ele no morro na noite anterior). Ajudará a soltar pombas pela paz. Ele pensará no que fez? Creio que serei acusado de "moralista". Disseram num debate que eu tentava culpabilizar o usuário. É o discurso do senhor Gabeira, mantendo seus votos, exacerbando sua espantosa vaidade. É um direito. O que digo, dando a cara ao tapa? Quem assim age, alimenta a indústria da morte, do horror, da banalização da vida, do sofrimento terrível das famílias. E, depois, fica espantado porque a violência assumiu proporções catastróficas. De sua parte, mesmo com a mais modesta maconha, ele está contribuindo para essa indústria. "Não, eu fico quieto no meu canto, fico sereno." Não. Não fica. Alimenta a indústria de armas, dos "aviões", dos jovens mortos dos 12 aos 24 anos, sem estudo, sem futuro. A morte na rua, a existência sem qualquer esperança. "O que tenho com isso?" Tem sim. Usuário é para ser tratado. Traficante é para estar na cadeia, não usando celular, não aterrorizando a população de dentro dos presídios. O discurso facilitário dos falsos direitos humanos é uma balela. Vamos tocar o dedo na ferida. O usuário - que precisa ser tratado e recuperado- faz a roda da corrupção policial girar mais. Não adianta botar camiseta pela paz, se indignar, soltar pombas brancas, dar as mãos aos companheiros. Camiseta, pombas, passetas, faixas, lágrimas, sempre a mesma coisa.&lt;br /&gt;E a mudança na "práxis"? A mudança de vida? (Não, não poupo o álcool que gera mortos em todos os finais de semana, enquanto a mídia faz publicidade intensa de bebidas alcóolicas, com mulheres gostosas e bundudas, rapazes bonitos, todos sorridentes. Atores famosos que ganham rios de dinheiro não precisam estimular a indústria da morte. É que eles fingem não conhecer clínicas de drogados. Depois, as grandes redes de TV se espantam com a morte de moços de 19 anos, dirigindo embriagados depois de festas e baladas. Até a Rússia - do "homem dos olhos maus", herdeiro da KBG, o autoritário senhor Putin -, proibiu propaganda de bebida alcóolica antes das 9 da noite. Pois o alcoolismo por lá se encontra em dimensões alarmantes. Aqui: tudo é permitido. O lobby da cerveja é maior. É fortíssimo, quase onipotente. A vida que se dane. Podemos pensar nisso? Não aprofundei? Não. Queria apenas refletir.&lt;br /&gt;Só peço isso: que meditem comigo. No fundo, queria fazer um hino em favor da esperança, da vida, tão destruída a cada dia, nas nossas cidades violentas, nas periferias favelizadas. É o reino e a hegemonia do capital, do mercantilismo, do dinheiro. É o hiperindividualismo. É essa chaga do capitalismo que temos que enfrentar: vender e matar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-8352231042163162424?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/8352231042163162424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=8352231042163162424&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/8352231042163162424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/8352231042163162424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/tocando-em-feridas-consumo-de-drogas.html' title='TOCANDO EM FERIDAS    Consumo de drogas'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-7507306392531191147</id><published>2007-04-23T11:06:00.000-05:00</published><updated>2007-04-23T11:13:05.129-05:00</updated><title type='text'>ERA FHC</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; -Brasília&lt;br /&gt;para &lt;em&gt;Antonio Albino Pinheiro Marinho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estimado Cacau Saudações..Brasília, 16 de agosto de 2002.&lt;br /&gt;Acho que somos também a voz dos que não têm voz: sem nenhuma paranóia, creio que a mídia em geral está revelando preferência clara pela candidatura governista de José Serra e demonizando a de Ciro Gomes. Elaborei, sem rigorosa pretensão analítica ou de esgotar a abordagem do período, uma espécie de inventário da “Era FHC” Fernando Henrique Cardoso sempre qualificou seus críticos de “dinossauros”, “neobobos”, “caipiras”, porque os mesmos condenavam o desatino das privatizações sem critério e criticavam a política econômica.&lt;br /&gt;Éramos ridicularizados. Diziam que queríamos um Estado forte.Certos “formadores” de opinião na grande imprensa seguiam a ladainha do “Patriarca da Dependência”.Muitos os que hoje criticam o modelo participavam, felizes, dos leilões de privatização.&lt;br /&gt;Como observou Mauro Santayana, empresas construídas com o sacrifício de várias gerações de brasileiros- como é o caso exemplar da Vale do Rio Doce foram praticamente doadas aos aventureiros nacionais e estrangeiros. Alguém qualificou o empréstimo obtido do FMI de “uma prescrição de cianureto” em doses anuais: teremos que manter o superávit primário de 3,75% do PIB durante os próximos anos. Como o PIB não crescerá na mesma proporção, estaremos condenados a descer abaixo da Argentina, com mais desemprego, mais violência, mais desespero.Não teremos nem mais o que vender; seremos obrigados a entregar mais ativos e a cortar ainda mais fundo os gastos sociais, como os da educação, da saúde, da cultura – para nada porque a dívida será sempre maior, maiores os juros e menores os prazos.Por quanto tempo o País pode manter um modelo econômico fundado no financiamento externo e nos constrangimentos orçamentários? Só de juros da dívida interna e externa, entre 1999 e maio de 2002, o País pagou R$ 357 bilhões, o equivalente às receitas orçamentárias de um ano inteiro, sendo R$ 35 bilhões com títulos pré-fixados, R$ 190 bilhões com pós-fixados, R$ 112 bilhões com, papéis corrigidos pelo dólar e R$ 20 bilhões com a dívida externa. ISSO SIGNIFICA QUE, DOS QUATRO ANOS DO SEGUNDO MANDATO DO GOVERNO DE FHC, UM ANO INTEIRO DE ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS FOI DESTINADO AO PAGAMENTO DOS JUROS DA DÍVIDA PÚBLICA.&lt;br /&gt;A sociedade pode agüentar perder um ano em cada quatro de receitas públicas que poderiam estar financiando o desenvolvimento econômico e social? “Para quem soubesse pensar estava claro, já naquele tempo, que o sistema aplaudido pelo monetaristas brasileiros era desprovido de razão essencial porque desprovido de ética”, resumiu alguém. Creio que a felicidade do indivíduo é a obra-prima do Estado. E sem ética, nenhum Estado pode aspirar à civilização.&lt;br /&gt;Avalio a era tucana como quase uma década de desatino, que nos custou 30 anos de retrocesso econômico e erosão da soberania nacional, que deixou milhões de desempregados e uma guerra civil não declarada com milhares de mortos todos os anos.Um grande abraço deste teu (sempre) ilhéu, Emanuel Medeiros Vieira PS: Mas não leves a sério aquilo que não te faz rir... PS: A gente atrai o que ACREDITA e não o que QUER.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ERA FHC 2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CONFISCO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O PT E A VITÓRIA DOS BANQUEIROS E DO FASCISMO)&lt;br /&gt;(Medito sobre um tema que parece superado, mas não está: o favorecimento do governo do PT (como ocorreu anteriormente com o PSDB) aos banqueiros e às empresas de previdência privada, contra o servidor público.) A proposta de cobrança do servidor público inativo feita pelo Governo do PT - que foi vitoriosa, com o estímulo dos banqueiros, "donos” da previdência privada (digo: bancos) e da mídia chapa-branca e favorável à exploração dos pequenos e fervorosa defensora do modelo neoliberal -, representa um confisco de renda, que está sendo transferida dos aposentados para os banqueiros e credores internacionais. Além disso, revela uma estratégia covarde: é mais fácil taxar inativos do que brigar com bancos.Agindo dessa forma, o PT praticou um dos maiores estelionatos eleitorais da história do País, além de ferir um princípio jurídico elementar: o do respeito o direito adquirido. Este Governo – aparelhado, direitizado, intrinsecamente traidor dos seus princípios -, está sendo forte com os fracos e fraco com os fortes. Demonstra odiosa subserviência aos organismos internacionais e ao capital financeiro especulativo, que tanto vampirizou nossas riquezas.&lt;br /&gt;Existem abusos nas aposentadorias? Sim, e deve-se corrigi-los, não sendo eticamente aceitável que, como na parábola bíblica, o justo pague pelo pecador. Enquanto isso, a sonegação continua, os fraudadores da Previdência não são punidos, e os banqueiros continuam obtendo lucros exorbitantes e pecaminosos às custas do sofrimento e da humilhação do povo brasileiro. Demonizando os servidores, o governo do PT- como fazia o seu antecessor tucano -, as grandes redes de “desinformação”, a mídia conservadora e seus colunistas “chapa-branca”, os empresários e banqueiros (interessados no próspero mercado da previdência privada), distorcem o problema e fazem vista grossa à sangria das dívidas externa e interna. Foi dito que a contribuição dos servidores inativos geraria cerca de R$ 2 bilhões por ano. Para se ter uma idéia deste montante, vale lembrar uma declaração do ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel: “Nossas empresas sonegam R$ 400 bilhões ao fisco por ano (meio PIB), além de deverem mais de R$ 4 bilhões ao INSS.” Isto sem falar que nossos maiores bancos não pagam Imposto de Renda.&lt;br /&gt;Também foi dito pelo Governo do PT que a reforma economizará R$ 52 bilhões até 2033. Só no primeiro trimestre deste ano, os juros das dívidas interna e externa chegaram R$ 50 bilhões. Em três meses pagamos aos credores o equivalente ao total economizado em 30 anos com os cortes dos direitos da Previdência. E com todo esse pagamento, não foi abatido um só centavo (um só centavo, repito) do principal da dívida.&lt;br /&gt;O governo FHC, a mídia, e agora o PT, têm demonizado o servidor e insistido numa mentira, visando incompatibilizar o funcionário com o povo brasileiro. Os servidores não tem privilégio algum. Eles descontam 11% de seus salários, ao contrário dos celetistas que só deduzem no máximo sobre 10 salários mínimos, o que limita as pensões. Mas o PT prefere taxar os inativos a mexer com os grandes exploradores da Pátria.&lt;br /&gt;O PT prefere bater nos pequenos. O PT está com medo de brigar com os poderosos? Porque não enfrenta os grandes bancos, que têm lucros pecaminosos? Porque não pune os sonegadores? A visão do PT- quem diria... - é meramente contábil, perversa com os pequenos e de completa subalternidade àqueles que sempre nos exploraram. Os cúmplices desta crueldade (deslumbrados com os holofotes das grandes redes, com o apoio dos grandes bancos) deverão ser permanentemente denunciados e execrados em praça pública: os aposentados devem anotar o nome dos parlamentares que votarem a favor desta injusta medida para que não sejam nunca mais votados. Eu sei: o brasileiro esquece rápido. O ser humano esquece rápido. Os velhos exploradores contam com isso. Tenho me repetido? Tenho. Mas como poucos escutam, é preciso falar sempre, mesmo que seja no deserto. Mas velhos humanistas já diziam que o deserto é fértil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-7507306392531191147?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/7507306392531191147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=7507306392531191147&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7507306392531191147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7507306392531191147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/era-fhc.html' title='ERA FHC'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-3798030302286662035</id><published>2007-04-20T08:24:00.000-05:00</published><updated>2007-04-20T08:26:32.226-05:00</updated><title type='text'>FRAGMENTOS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CABRAL (Pedro Álvares)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois desta terra, ele não quis mais saber de caravelas, nem Caminha (Pero Vaz) escreveu mais nada. E mais tarde: chacinas/propinas - só rimas. Nós? Ainda escrevemos, mesmo que ninguém queira mais saber da gente. Mesmo para os fúteis, bobos (só vaidade e pecúnia), haverá a hora derradeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MORTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sempre ganha: tem mais tempo.  DEFINIÇÃO  Enternecer-se sem perder a dureza. Assim, velho Che?  DEMÔNIO MODERNO  Ele aposta na escassez de inconformismo; consumista, desmobilizador, cínico, chic. Soará pomposo, eu sei, mas tenho que dizer: faltarão tumbas para colocar os sonhos amontoados de tantas gerações. Tão comprido o túnel. Tiro o pó das lombadas: sou mortal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BERLIM, JANEIRO DE 1976&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inverno, dez graus abaixo de zero, neve. Vindo de Paris, estou na casa de cômodos que Alberto Albuquerque e Cleide haviam alugado (estudavam lá). Na vizinhança, muitos exilados, fugidos da ditadura de Pinochet, no Chile, de outros países, sobreviventes de tantas ditaduras; muitíssimos eram sul-americanos. Os gêmeos Carlos e Marcos, filhos da Cleide e do Alberto (dos mais queridos amigos que tive na vida e que partiu para sempre na ilha de Santa Catarina, no início de dezembro de 1991 era 12 dias mais velho que eu, nascido em 19 de março de 1945), vindos ao mundo em 5 de maio de 1973), brincamos, conversamos eu tinha trinta anos, levara cachaça brasileira, livros, um disco de Elis Regina, outros mimos. A gente se dava maravilhosamente bem. Ríamos muito. Até dos malefícios da ditadura, forma de exorcizar os fantasmas e não enlouquecer (Anos depois, insisti para que o Alberto fosse morar na ilha, batalhei por emprego para ele. A família toda foi, moramos juntos, na Lagoa da Conceição, primeiro na bela casa do André e da Martha, na Praça da Igreja  que provisoriamente estavam em Londres e, a convite do casal, nós ficamos morando lá, curtindo e cuidando da casa  lá em cima, com tão bela vista; depois numa casinha de madeira, que aluguei embaixo; depois Alberto e Cleide construíram a sua, bela e sólida, também na Lagoa.) Berlim: Olhávamos mapas, andávamos pela cidade, fazendo bonecos de neve, eu tentando não escorregar naquela neve toda; vivia caindo... Falamos da vida, do Colégio Anchieta, onde estudamos juntos, dos amigos, dos projetos, dos sonhos que tínhamos em relação ao Brasil, da minha literatura, de sua Ciência Política, de tudo, conversas que varavam a noite, com vinho, chucrute, salsichão, pão preto, cerveja, muito afeto.&lt;br /&gt; Fomos visitar Luiz Travassos, que também já era amigo do Alberto e estava exilado em Berlim. Recebeu-nos com muito carinho, mas senti um olhar triste, uma espécie de banzo, tomamos vinho. Conversamos bastante. Com uma espécie de brilho melancólico, relemos alguns manifestos da AP, que nos energizavam tanto até há pouco tempo (já na época: esse diálogo intenso ocorreu em Berlim em janeiro de 1976). Ironia. Escapou da tortura, enfrentou a solidão e o frio de Berlim, e acabou morrendo num prosaico acidente de automóvel no verão de 1982, no Rio de Janeiro. É muito absurdo. Senti o Travassos muito saudoso do país, ele com um sorriso doce e um tanto (seria isso mesmo?) melancólico.&lt;br /&gt;Já na Ilha, Alberto me mostrou um documento, acho que o passaporte, com foto, da sofrida exilada Dorinha, que não suportou tanta dar e se jogou nos trilhos do metrô de Berlim, e era tão moça ainda. Para a minha memória, esses crimes, enquanto eu estiver vivo, nunca prescreverão. A ala fisiológica do PT (espécie de Arenão contemporâneo), aliado à mídia mais chapa-branca e venal, dirá que isso é revanchismo.Não, não é. O que seria da gente sem memória? O que seria de uma nação sem essa lembrança?)&lt;br /&gt;Mais tarde, em 1980, encontro Luiz Travassos no finado restaurante Coisas da Terra, de comida natural, em Brasília eu freqüentava-o para, de vez em quando, dar uma limpada no organismo e aliviar os efeitos do álcool. Já havia saído a Anistia.&lt;br /&gt;Luiz Travassos estava mais quieto, mais triste. Aquele que havia sido o maior orador estudantil de minha geração (com tantos oradores de grande talento); que conseguia que uma multidão ficasse toda quieta com suas palavras, faltando uns dois anos para a sua morte, já não parecia ter a energia fundamental para suportar as asperezas desta jornada, a nossa travessia na terra num país periférico para o capitalismo hegemônico, de raiz católica, classe média baixa, pai doente, enfrentando uma das elites mais perversas do mundo, e um golpe de Estado que durou vinte e um anos, que nos deu um violento chega pra lá e feriu, como ferro em brasa, nossos anos jovens (voa, pássaro da juventude...), uma juventude toda, liquidando lideranças, destruindo sonhos. Não se passa por isso impunemente. Travassos foi um dos mais belos agitadores que conheci.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-3798030302286662035?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/3798030302286662035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=3798030302286662035&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/3798030302286662035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/3798030302286662035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/fragmentos.html' title='FRAGMENTOS'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-5304108984301389153</id><published>2007-04-18T15:00:00.000-05:00</published><updated>2007-04-18T19:03:57.787-05:00</updated><title type='text'>Tenho medo é desses amarelos. A nova neo-literatura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; - Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em post recente o Emanuel propõe algumas questões simples ao presidente da República e que ele, com certeza, terá dificuldade em responder:&lt;br /&gt;O senhor já leu um livro, neste ano?&lt;br /&gt;O senhor já leu algum livro, no ano passado?&lt;br /&gt;O senhor já leu algum livro, nos últimos dez anos?&lt;br /&gt;O senhor já leu algum livro na vida?&lt;br /&gt;O senhor acha que literatura é algo importante?"&lt;br /&gt;Emanuel, agora existe também uma nova praga, a neo-literatura. Leitura fácil e rápida, disfarçada de paradidática.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, ele pode ter lido, afinal, o governo compra livros desse tipo, as toneladas, todo o ano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essas questões lembraram-me uma entrevista que demos para a TV Educativa, Paulo Markun, Nei Duclós e eu, em 2004, durante a Feira do Livro, em Porto Alegre.&lt;br /&gt;Na ocasião, nós três promovíamos nossos livros.&lt;br /&gt;Nei, o seu romance &lt;strong&gt;Universo Baldio&lt;/strong&gt;, eu, &lt;strong&gt;Poemas para Ler em Voz Alta&lt;/strong&gt; e Paulo Markun, &lt;strong&gt;O Sapo e o Príncipe&lt;/strong&gt;, onde ele, Markun, traçava um paralelo sobre as carreiras de Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva. Dois presidentes brasileiros oriundos da esquerda e que chegavam ao poder, um após o outro.&lt;br /&gt;Apesar de não estar participando da entrevista como jornalista perguntei a Markun que tipo de repercussão o seu livro tivera junto aos biografados.&lt;br /&gt;Ele respondeu que recebera os cumprimentos de Fernando Henrique e do Lula estava aguardando que a esposa, dona Marisa, lesse o livro para ele:&lt;br /&gt;-"Porque é ela quem lê”, -respondeu Markun, finalizando.&lt;br /&gt;Seria cômico se não fosse trágico.&lt;br /&gt;Dois presidentes que saem da esquerda e se atiram num projeto neo liberal sem escalas para governar o Brasil,  afirmando que são sociais -democratas.&lt;br /&gt;Um, o Sapo Barbudo (como o chamou, certa vez, Brizola) que não precisa e nunca precisou de leitura porque tem uma intuição do cão e uma percepção extra-sensorial para a oportunidade e o peleguismo, desde seus tempos de operário. "Flor estranha criada na estufa da ditadura” clamava, também Brizola, enquanto alguns outros líderes sindicais amanheceram com boca cheia de formiga ele prosperava, engordava o seu discurso e sobrevivia a tudo.&lt;br /&gt;Alguém aí lembra de Manoel Fiel Filho? Preso em 1976, sob a acusação de pertencer ao PCB e que apareceu morto, enforcado em sua cela, poucos dias depois da prisão.&lt;br /&gt;E, em 1980, depois de um brilhante carreira como líder sindical, Lula lança um partido com uma bandeira vermelha, em plena Guerra Fria (e o Golbery no seu&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Geopolítica e o Poder&lt;strong&gt;,&lt;/strong&gt; dando risada).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Suassuna em sua obra prima O Auto da Compadecida, botava na boca do cangaceiro Severino, o que ele pensava sobre João Grilo:&lt;br /&gt;“-Tenho medo é desses amarelos!”&lt;br /&gt;Essa gente amarela, que vem do nordeste, capaz de sobreviver a qualquer coisa, não pela violência, nem pela leitura que não tem, nunca teve e até não tem nada contra, não ( é capaz até de ler um bom cordel) mas pela esperteza e sagacidade, capaz de meter medo em cangaceiro.&lt;br /&gt;O outro presidente, é o príncipe, segundo identifica Markun em seu livro, Fernando Henrique. Enquanto o amarelo tem uma intuição do cão, esse tem uma formação do cão, com leitura, com vários doutorados honoris causa das mais importantes universidades do mundo.&lt;br /&gt;E o país?&lt;br /&gt;Bom, o país é discurso, é fazer o que todos os outros fizeram anteriormente.Transferência de recursos, etc, mas o importante não é o país e, vamos fazer uma fundação com meu nome...Afinal eu criei isso eu criei aquilo. O plano real é plano com mais mães e pais que conheço. Tem o Ciro Gomes, o Itamar, tem o Rícupero, lembram dele? Que ganhou depois da genial jogada da parabólica como prêmio a embaixada em Lisboa. E não vamos esquecer também o Fundo Monetário Internacional,verdadeiro progenitor de todos os planos econômicos anteriores e posteriores.Se não fosse assim Israel não teria realizado o mesmo plano de confisco de moeda, idêntico  ao Collor, tal e qual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada se inventa, tudo se copia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Criou nada, princípe cara pálida.Obedeceu indistintamente a tudo e a todos...&lt;br /&gt;Nem se deu o trabalho de se definir politicamente depois de ter abandonado a esquerda, virou o quê? Social democrata? Mas o que é social democracia, afinal? Algo que faz acordo com os liberais? Pra que se definir? Sem definições podemos fazer acordos á vontade&lt;br /&gt;Deixa assim, melhor assim, ninguém entende nada mesmo..&lt;br /&gt;Economia, então.&lt;br /&gt;Até 1990, ninguém no governo sabia o que era dívida pública.&lt;br /&gt;Isso eles afirmam num documentário feito pela TV Senado ou TV Câmera, onde os bem penteados ex-ministros Fernando Henrique, Bresser Pereira, e o hacker, ex-diretor do Banco Central, Gustavo Franco (esse Gustavo é um ET, era garoto quando assumiu a direção do principal Banco de uma das sete maiores economias do mundo, sem nenhum mérito aparente ou posterior-até agora não ganhou nenhum Nobel de economia- só posso atribuir o fato, a ele ter um padrinho maior que a mãe dele, nunca vi coisa igual no mundo) explicam o que houve em mais essa década perdida do país.&lt;br /&gt;Só para lembrar:Os bancos privados vão incorporar ao seu patrimônio, até o final desse ano (2007) alguns bilhões de dólares que pertenciam aos poupadores e que foi literalmente surrupiado por um dos planos verão do senhor Bresser e et caterva.&lt;br /&gt;Vejam os presidentes dos principais bancos centrais no mundo, cada um com cem anos de atividades e serviços prestados as suas nações e com 1200 pós-graduações.&lt;br /&gt;Aqui eles entregam a direção desse banco pra qualquer um, agora é a vez de um ex-gerente geral do Banco de Boston, bem falante, e que deu um lucro louco pra esse tal banco, aqui no Brasil, sabe como? Só aceitava como cliente do banco (quando era gerente do mesmo), salários confirmados acima de 5 mil reais, além de emprestar dinheiro ao governo que é onde os bancos fazem muito dinheiro, melhor que isso só fabricando dinheiro por conta própria. Entrevistei o homem quando ainda dirigia o tal banco norte-americano.&lt;br /&gt;Vai ver se ele também não é um amarelinho.&lt;br /&gt;Mas voltando ao príncipe.&lt;br /&gt;Ele sai do governo e sua missão é explicar, como o personagem de Lampesusa: “Fizemos tudo pra deixar tudo como está.Vem aí outro, com um discursinho mais à esquerda pra fazer a mesma coisa”.&lt;br /&gt;E vamos aproveitar e dar algumas palestras cobrando bem caro e fazendo graça pro diabo rir.&lt;br /&gt;Em país de cego.&lt;br /&gt;Ninguém pergunta nada.&lt;br /&gt;E, parece que agora, o partido do sapo e do príncipe são sociais democratas.&lt;br /&gt;Está na hora de começar a cobrar essas definições, de verdade, dessa gente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de não teres dirigido a pergunta a mim, entro na conversa e respondo Emanuel: leitura pra quê?&lt;br /&gt;O exemplo dos dois presidentes, é bem claro, um leu o suficiente pra procurar deixar seu nominho na história, mentindo que fez um plano real, uma pirâmide com vista pro nada e o outro, um amarelinho que escapou da fome, da pobreza, da exclusão, porque tem uma esposa que sabe ler.&lt;br /&gt;Pra isso, serve a leitura e também pra distinguir essa gente.&lt;br /&gt;Pra apontar quem são uns e quem são outros.&lt;br /&gt;E pra que serve a cultura? Goering, já dizia: me falam em cultura e puxo um revólver!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje não precisa nem puxar o revólver, a cultura está tão elitista e tão sem acesso a maioria da população como estava no Quatroccento ou na baixa idade média.&lt;br /&gt;Cultura virou questão de muito dinheiro.&lt;br /&gt;Os livros para irem para as prateleiras de algumas livrarias, têm pagar mensalidade, senão nem passam pela porta.&lt;br /&gt;Nas livrarias de aeroporto, se não for auto-ajuda, eles não querem.&lt;br /&gt;E as editoras?&lt;br /&gt;Essas, estão sendo adquiridas por multinacionais ou se tornando mega editoras que crescem vendendo milhões para as compras estatais de livros chamados didáticos e para-didáticos.&lt;br /&gt;Nesses últimos anos as editoras brasileiros descobriram um novo veio, reciclar autores como Machado de Assis. Recentemente uma grande editora encomendou a vários autores nacionais textos sobre o personagem Bentinho, do Machado, com novos "enfoques", é claro&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E quem vai comprar essa droga?&lt;br /&gt;O governo.&lt;br /&gt;E quem vai ler?&lt;br /&gt;Aparentemente os neo-leitores do primeiro e segundo grau.&lt;br /&gt;E quem paga essa nova neo-literatura?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Advinhem...&lt;br /&gt;O governo, com suas maravilhosas compras anuais e cujos critérios precisam ser urgentemente reavaliados.Basta tentar entrar no site de registro dessas compras pra ver que há alguma coisa estranha acontecendo por ali.&lt;br /&gt;Ninguém fala nada porque para o mercado livreiro está bom, e num país em que nem o presidente lê e, quando, havia um presidente leitor, ele também nunca deu importância ao livro, pra que alguém vai se preocupar com isso?&lt;br /&gt;E o dinheiro é de quem botar a mão primeiro.E pelo jeito está sobrando pra encher as prateleiras de bibliotecas que ninguém vai consultar.&lt;br /&gt;Quanto aos amarelinhos, por favor, não confundam o que disse aqui com preconceito, afinal, Suassuna falou neles primeiro, e esse povo tem sobrevivido a essa raça de cobras criadas porque também é todo ele um pouco amarelinho e resiste a tudo.&lt;br /&gt;E, talvez, seja até por isso que votaram nele, até descobrirem que por baixo daquela barba ele já renegou a sua gente e mudou de cor há muito tempo, se é que algum dia teve alguma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-5304108984301389153?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/5304108984301389153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=5304108984301389153&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/5304108984301389153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/5304108984301389153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/tenho-medo-destes-amarelos-nova-neo.html' title='Tenho medo é desses amarelos. A nova neo-literatura'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-4214171230696169446</id><published>2007-04-17T08:54:00.000-05:00</published><updated>2007-04-17T09:00:27.346-05:00</updated><title type='text'>REFLEXÕES V ("Uma Tragédia Americana e outros temas".)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt; Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- Brasília&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais uma tragédia americana. Alguém sai atirando numa universidade. Morrem trinta e poucos estudantes. Outros, mataram em escolas secundárias. Sobem nos correios e matam. Sobem em lanchonetes e matam. Atiram de qualquer lugar. Repulsa, análises. Depois: esquecimento. Até a próxima tragédia. É a cultura da morte, do revólver, do hiperindividualismo. Sim. Mas será só isso? O Anjo da Morte conhecido como Bush confessa-se "horrorizado". Não deveria. Pois, a cada dia, ele alimenta a indústria deste "horror" que ele, hipocritamente, condena; enriquece a indústria dos armamentos, os barões do petróleo. Não está ao lado da vida. Está contra um princípo que, na consciência civilizada, não pode prescrever: o da auto-determinação dos povos. Não, não quero pessoalizar. O presidente (vitorioso em eleições fraudadas) encarna um tipo de valor. Antes, davam golpes de estado: nossa América era mero quintal. Foram ao Vietnam. Mataram, jogaram as bombas mais potentes que o mundo já havia conhecido. Mataram, continuaram e mataram. E saíram derrotados. O Iraque é um massacre diário. Ninguém se espanta mais. Estamos jantando e o notícia informa: 60  pessoas mortas, 80, 100. Todos os dias. Sim, é a mesma cultura que gerou escritores- só citando alguns mais "recentes"- como  Faulkner, Steinbeck. E cineastas da estatura de Orson Welles e John Ford. Sim, o Brasil gerou Machado de Assis, Graciliano Ramos e João Guimarães Rosa. E Drummond, João Cabral, Vinicíus. E Cartola, Villa Lobos, Lupicínio, e Pixinguinha. E Fleury e todos os torturadores do DOPS, da OBAN, do CENIMAR, do Estado-Novo - que levou o velho Graça para a cadeia, onde rasparam seu cabelo como preso comum. E onde Marighela teve o dente arrancado com torquês e, mesmo a direita reconheceu que poucas vezes na história do Brasil houve um homem tão corajoso como ele para enfrentar a tortura. (Só quem a sofreu - e é difícil escrever sobre ela - sabe como é difícil resistir. Às vezes, é praticamente, impossível.) Os antecessores enforcaram Tiradentes, fuzilaram Frei Caneca. Canudos! (Creio que todo o brasileiro tem a obrigação moral  -nem falo da grandeza literária- de ler "Os Sertões", de Euclides da Cunha. E reler.) Os donos do Brasil sempre reprimiriam com violência os movimentos sociais, com o apoio das elites e, quase sempre, (como em 64) da classe média. (Sim, somos poucos sempre seremos. Mas parecemos muitos.) E através da enganação do mito da "cordialidade, do povo "alegre e feliz", foram nos ludibriando, nos livros da história, na falsa convivêcia fraterna. Imperou a lei do trambique, da enganação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;NÃO ESQUEÇAMOS NUNCA DOS QUASE 400 ANOS DE ESCRAVIDÃO. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Internalizada nos corações e nas mentes, no elevador de serviço para empregada, no baixar a cabeça para o doutor. E a degenerescência contaminou todos os poderes. Bicheiros compraram escolas de samba, como manipularam resultados de concursos. Tornaram o carnaval uma putaria para gringos, loiras e ricos. E o narcotráfico penetrou em todas as instâncias. Movimenta bilhões de dólares Penetram no Judiciário, no Legislativo, no Executivo. E aí estamos. São presos pela Polícia Federal. Operações espetaculares com nomes sofisticados. Depois, o "habeas-corpus". Advogados caros que se especializaram em salvar a pele dos grandes ladrões e velhacos da República. Entendo quando Lênin, desconfiado dos advogados, dizia: "Advogados? Nem os do partido..." Lógico, generalizo. Sou bacharel e conheço as entranhas do que chamam de "Justiça": não acredito na prática de um Direito formal que só está preocupado com os rito (e os ricos...) e não com a verdade. A herança maior do Existencialsmo - que muito me marcou, e ajudou a aderir ao movimentode "esquerda" que achava mais digno-  foi a "autenticidade". Falam muito nela. Praticam pouco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PARA QUE SE QUEIRA QUE O OUTRO ACREDITE EM MIM, NO QUE DIGO E NO QUE FAÇO, EU PRECISO ACREDITAR PRIMEIRO. Isso é Bachelard. Isso se chama autenticidade. Teoria e pática. Sim, não basta que nossas idéias sejam justas e boas. E foi nos "contaminando" a cultura da trapaça, das pequenas às grandes: ultrapassar sinal vermelho,falar ao celular no trânsito, furar fila do banco, do mercado, tentar subornar o guarda, quando estacionamos em lugares proibidos, e puxar o tapete alheio. "SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?" A casa grande, a senzala. Vamos germinando a grande tragédia brasileira. Da patifaria institucionalizada. Não, não me importam pesquisas que colocam o presidente nas alturas. Consultas feitas a um povo que recebe um bolsa-esmola, de uma cultura resignada, massacrado por uma midia televisiva dia e noite, que não dorme nunca, colonizando corações e mentes, não me desaninam (antes, me entristeciam- percebia vitória da máquina tenebrosa dos marqueteiros e publicitárioa). E o movimento neo-petencostal de direita entrou em todas as tribos índigenas. Sem teoria conspiratória, fontes confiáveris, dizem que é um projeto da CIA. Tudo fica normal. Um Cristo alineado, um Deus punitivo. Tudo é pecado. E os "bipos universais" enriquecem, compram tevês, rádios, invadem a África. Todos ficamos resignados. Que nos devolvam o Cristo não mercantil que nos foi roubado! O Vaticano acabou com a Teologia da Libertação. Restou a Teologia da Prosperidade. A violenta mídia direitona (como certas revistas semanais, notoriamente sionistas-não herdeiras do humanismo judaico- isso é outra coisa), beirando o fascismo na abordagem da política internacional) colocou ajudou a enterrar o evangelho libertador. E achincalhou padres, missionários e bispos que deram sua vida em busca de um Cristo do povo. E a matança de nossos jovens, nas favelas, nas periferias, continua. Pobres, jovens, negros, vindos de famílias desestruturadas. Diária, anônima, constante. Segundo pesquisa, morreram mais jovens brasileiros que americanos-  que viveram em guerras -, desde a de Secessão até a do Vietnam. A morte banalizada. Preto, pobre, descartável, jovem. (Mas a novela mostrando uma elite trambiqueira, feliz, seduz a platéia, como os programs infames como o do "grande irmão", com seu tipos idiotas, beirando à imbecilidade, mas que se acham o máximo, com corpos malhados nas academias da moda. Que seduzem "pistoleiras", quase  prostitutas de luxo de mente vazia. Afora as idiotices domingueiras, os programas religiosos, os "milagres". Um povo carente e miserável aceita tudo. (Numa igreja de "bispo" aqui em Brasília, onde "templo é dinheiro",disseram que um homem não tinha diabetes, mas sim o demônio, e determinaram que ele parasse de tomar insulina. Morreu pouco tempo depois. Quem fala? Quem se lembrará? Quem chorará por ele? Anônimo, descartável.) Como captar esse "insconsciente coletivo"? Para um romance ou novela. Não, nem peço um romance-cadetral. Nessa miséria mental, hoje talvez ele se impossível. Não, não sai "Guerra e Paz", não sai "Vidas Secas", não sai "Dom Casmurro", não sai "Grande Sertão: Veredas", nem "Quarup". Teremos trágicos como Dostoievski? Por-que a filosofia não prosperou nos trópicos? Mas poderia sair um romance/novela forte, bem escrito, denso. Material temos. Desistimos? Há uma grande fonte para a literatura que queremos inventar. Lógico, literatura de qualidade, plural, sem querer destruir o outro, respeitando os estilos, as gerações. Convergindo. Mas que tenha valor. Não, não tem Adão literário em nosso ofício. Acredito mais em "confluências" que "influências." Reinando a intriga, a "panelinha", o "latifúndio literário", as grandes editoras publicando sempre as mesmas vacas sagradas, não poderemos ir para frente. Mesmo os ditos suplementos literários não enriquecem o debate: consolidam os latifúndios, publicam, sempre os mesmo- que, ocupam espaço como ele fosse usucapião literário,  numa vaidade desvairada, contando com contactos na imprensa ou por filiação. Pais na academia, pais na política, pais no exército ou "esquerdistas profissionais"- filhos de nomes ilustres e honrados, que tergiversam até para chamar "mensaleiros" de ladrões. Até a "unanimidade" Chico Buarque tergiversou, mudou de assunto. Defende Lula e pronto. Vaca sagrada não pode se questionada. Mas vamos questionar. (Prefiro ler Kafka mesmo e não epígonos.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há muita covardia e oportunismo. E nas editorias dos suplementos, há jovens que acreditam que a literatura começou com eles. Precisamos - não desistir-, mas lutar, mesmo com eventuais desânimos de maneira mais forte ainda Romper a crosta do pessimismo imobilizador e segura as pontas das eventuais depressões (normais). Não somos deuses. Somos de carne e osso, num país, no começo de um novo século e, repito, com quase 400 anos de escravidão nas costas. Vamos ler. Vamos escrever. Vamos nos ajudar. Sempre: mal rompe a aurora,  parodiando a expressão de Drummond. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-4214171230696169446?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/4214171230696169446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=4214171230696169446&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4214171230696169446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4214171230696169446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/reflexes-v-uma-tragdia-americana-e.html' title='REFLEXÕES V (&quot;Uma Tragédia Americana e outros temas&quot;.)'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-2579494944036173473</id><published>2007-04-14T15:44:00.000-05:00</published><updated>2007-04-14T20:22:54.098-05:00</updated><title type='text'>REFLEXÕES IV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para Clarice - sempre claridade: minha filha.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para Paulão, Pieri e Bailon&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;POBRE PDT! O engenheiro Leonel mexe-se no túmulo. Os herdeiros do trabalhismo honrado quando percebem que o PDT- criado pela entrega do PTB, perpetrada por Golbery, às mãos da não-saudosa Ivete Vargas - entrega-se ao governo, em busca de prebendas, "boquinhas" e carros oficiais, devem ficar corados. De vergonha. Na cerimônia de posse, Lula (o rei do lugar-comum e dos discursos vazios), o Napoleão do ABC conseguiu ironizar o "pobre" (para não chamá-lo de despreparado) presidente do PDT (presidente!), dizendo que ele, apesar de indicado para o ministério da Previdência Social, fora transferido para a pasta do Trabalho (que já teve Jango à sua frente!), porque o partido, em suas linhas programáticas, era contra a reforma da Previdência. O novo ministro, com ar de paspalho deslumbrado, só soube sorrir. Parecia Cantinflas (lembram-se do humorista mexicano?), doido para segurar a "boca", o osso carnudo do suor do trabalhador brasileiro. Carro oficial, poder..... o Maquiavel nordestino, reconheça-se, sabe como "ganhar" (o verbo era outro, mas para não parecer ofensivo...) a consciência de muitos seres humanos. Sem amargura, mas infinita tristeza, percebo: são poucos os que se salvam. Em 35 anos de casa política, não consigo contar nos dedos de uma mão, os que não ficaram deslumbrados, os que não mudaram, os que não renegaram as suas origens. O PTB, para quem não sabe, teve (não falo desse arremedo de partido que anda por aí) uma longa tradição de lutas nacionalistas, e quando ocorreu o funesto Golpe de Estado, sua bancada parlamentar era a que mais crescia. Um partido que teve um orador da estirpe de Doutel de Andrade, tem hoje um ministro e alguns quadros que parecem pobres de espírito, desorientados, carentes de leituras básicas, analfabetos funcionais. E onde a ética parece mercadoria a ser negociada. O engenheiro também tem culpa: era um sol que não queria sombra à sua volta. Não conseguiu formar lideranças. E o inventário é tenebroso. Quem ficou? Tal veredicto não invalida a luta de Leonel Brizola pela democracia no Brasil. A única vitória "social" (do povo) que vi no Brasil no meu tempo de vida foi a Legalidade, em 1961. Por resistência. Não acordo. A nobre luta pela anistia, da qual participei intensamente, por mais empenho, não deixou de ser um pacto das elites, um acordo com a grande rede de TV,- percepção. que não desmerece a luta de todos nós, de todos que trouxeram de volta os brasileiros para a casa. LEMBRO DA ESTAÇÃO DE TREM EM BERLIM, NO INVERNO EUROPEU (dez graus abaixo de zero!) DE 1976, E UMA MOÇA, AMIGA DE LUIZ TRAVASSOS, PEDINDO - CHORANDO E ABRAÇANDO-ME: "EMANUEL, LUTA PELA ANISTIA! POR FAVOR, LUTA". Eu já podia voltar. Modestamente, mas diariamente, de manhã, de tarde e de noite, CUMPRI MINHA PROMESSA. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;MINISTRA &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ministra da Igualdade Racial A apagada senhora escolhida para o cargo de ministra da Igualdade Racial, deu declarações desastrosas e o pior não foi isso. Mas a retratação. A desculpa de sempre:"Estava fora do contexto." Ninguém se assume! Todos se desculpam! Esta república perdeu a vergonha? Mas por-que a pouca ilustrada senhora se retrata? Para o bem do Brasil? Nada. Para não perder o carro oficial, as beneses, o motorista, o poderzinho, o círculo de "aspones" e aduladores. É preciso informar à ministra que, no abjeto tráfico de seres humanos, havia uma enorme cumplicidade de reis africanos. Insisto: no tráfico, sabe-se,. houve enorme cumplicidade (ler Ronaldo Vainfas) dos reis africanos. (E não me venham com "notas de solidariedade" encomendadas. Conheço de longe, e não vim do PFL, hoje "Democratas".... Minha origem é outra.) Mas o partido no poder só quer saber de reuniões, assembléias, plenárias, uma masturbação eterna, inútil. E a UNE, de tantas lutas, virou um apêndice do PT, uma entidade neo-pelega como a CUT. Qure tristeza! Participei do CPC da UNE, militei ativamente no movimento estudantil de esquerda, estive na frente das passeatas de 68 (e depois) - a AP tinha fibra, coragem, dignidade. E seus membros sempre leram muito. (Entardece e escuto Mozart.) &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ÁFRICA&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O historiador Ronaldo Vainfas afirma: "Essa história de vitimizar a África, ocultando que a África se envolveu no tráfico, é descabida, mistificadora e historicamente frágil. Havia uma cumplicidade enorme dos reis africanos." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"O GRAMSCI DOS PAMPAS"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ministro da Justiça, tenta camuflar sua vaidade. Podemos ler suas palavras. Espremendo, apesar do tom pedante e pernóstico, cheio decitações, não fica nada. É um discurso,vazio, meloso, vaidoso e medíocre. Agora, renega Lênin. É de bom tom para o momento. Mas Lênin pensava mais... (Mesmo reconhecendo que a semente dos crimes stalinistas possam estar embutidos no seu pensamento e na sua prática.) Mas, reconheça-se, que o partido do "intelectual orgânico" (!) conseguiu criar aparelhos subleninistas tropicais, em que o talento e a ética valem pouco. Importa a filiação partidária. Para essa gente, os fins justificam os meios. Sempre. E não leram Maquiavel...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;LULA &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O SENHOR JÁ LEU ALGUM LIVRO NOS ÚLTIMOS ANOS? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senhor já leu um livro neste ano? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senhor já leu algum livro no ano passado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senhor já leu algum livro nos últimos dez anos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senhor já leu algum livro na vida?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senhor acha que literatura é algo importante?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Não falo da porcariada ignóbil da dita auto-ajuda.) Mesmo não lendo, o senhor não poderia incentivar o hábito da leitura?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque algumas leis de incentivo à cultura, só favorecem os que não precisam, e parecem só ajudar os sobrenomes famosos? E quem vive mamando nas tetas do Estado, mesmo dizendo-ser "marxista" (ah, é muito sofrimento!), bajula o rei para não perder os benefícios, as "bocas polpudas", os incentivos, ah santa Petrobrás, telefônicas privadas que gostam de adular o presidente... sempre os mesmos. Não, nada de parecer inimigo dos prazeres do povo. O churrasco, a pinga, a cerveja, o Corinthians, a música sertaneja (de butique, nunca de raiz). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas estudar seria um patrimônio que ninguém tiraria do senhor. Os áulicos passam. Seu cinzento segundo governo logo passará. Seu ministério - um dos mais medíocres da historia republicana- logo irá embora. Triste Brasil! Cinzas e pó. O patrimônio é outro. Não há um só assessor que tenha coragem de sugerir alguma leitura? Uma visão de mundo um pouco mais profunda que o reino sindical de negociações eternas? Todos têm medo? Dos palavrões, dos chiliques, das broncas em público? Que república de puxa-sacos! A imprensa chapa branca e alguns professores universitários, dirão que é preconceito. Nada disso. Insisto. O problema não é de origem. Mas de caráter. Há senhoras colunistas de página 2 que parecem escrever um diário oficial do PT. Camuflam, mas são petistas de carteirinha, fanáticas disfarçadas, e recebem o magnífico "estadista" para rega-bofes em suas confortáveis casas no Lago. E foram comunistas na juventude... Mas Mozart me eleva. E penso que toda luta vale a pena. Penso nos amigos mortos- plantados no meu coração -, alguns nas masmorras da ditadura miliar. A palavra acesa celebra a vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-2579494944036173473?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/2579494944036173473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=2579494944036173473&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/2579494944036173473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/2579494944036173473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/reflexes-iv.html' title='REFLEXÕES IV'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-2585674478641772637</id><published>2007-04-11T19:24:00.000-05:00</published><updated>2007-04-11T19:29:29.508-05:00</updated><title type='text'>Uma aventura no pampa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;                    &lt;strong&gt;Alberto Crusius&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(Mise en scène)&lt;/em&gt;     &lt;strong&gt;Oscar Kern&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(roteiro)-&lt;/em&gt;   Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;em&gt;“Sois prisioneiros dos pampas”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;                                               &lt;em&gt;Personagem de Emilio Salgari, em I prigioneri delle pampas&lt;br /&gt;                                         (Na coleção Terramarear, editada por Monteiro Lobato, com o título traduzido para o singular, O prisioneiro dos pampas.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;         Tudo isso aconteceu há bastante tempo atrás, mas num lugar que quase nada mudou, exceto pelo fato de que a estrada está, há muito, concluída.&lt;br /&gt;Afora, isto, a paisagem, como sempre quando se trata de grandes extensões de campo, permanece intocada.&lt;br /&gt;O local?  Ficava além de Guaíba, e quase na serra que fica à direita, onde havia aquela que foi a primeira propriedade gaúcha a criar exclusivamente búfalos, mais de uma centena deles, e que tão bem conheci porque era de meus pais.&lt;br /&gt;Eu a teria chamado de Fazenda Mediterrânea, em homenagem à principal raça que criávamos, não fosse o protesto de meu pai diante do que achava ser uma extensão de terra muito pequena para ser chamada de Fazenda. Não passava de uma invernada, com denominação que homenageava nossas tradições folclóricas: Invernada Chimarrita.&lt;br /&gt;Mas nossa história de hoje se passa noutra paisagem. Apesar de perto – se é que vinte ou quarenta quilômetros se pode chamar de perto – era noutra  direção, na estrada que sai antes à direita, o entroncamento para Uruguaiana, como dizíamos, depois uma elevada, hoje chamada mais de trevo. O  trevo para Uruguaiana. Era para lá de nossos critérios de cidade, onde os números tornam-se um nada na imensidão, vinte ou quarenta quilômetros, o dobro ou cem por cento a mais nada eram, porque era a visão que via e registrava.&lt;br /&gt;            É uma paisagem em que, como aquela no caminho para Pelotas, a superfície é plana: é o início do pampa, prenunciando os campos de Camaquã, aqueles que não tem elevações. Também na saída para Uruguaiana, pouco depois, o que vemos é o próprio pampa, porque as maiores elevações são, normalmente, apenas pequenos barrancos de verdes com  altura pouco maior do que uma ou duas vezes um homem, e comprimento uma vez e meia maior. Falta apenas a rasura absoluta de Camaquã, onde todos os campos se fundiram no campo, o grande campo, o pampa aberto, a expressão física do que seja o conceito maior, o infinito. Minha memória excluiu as onduladas coxilhas, as suaves grandes ondas de verdes campos, como na vida excluímos as exceções que as contrariam no todo.&lt;br /&gt;            Eu ouvi a história – este tipo de estória é sempre, para mim, história, a verdadeira história, aquela vivida pela gente como você e eu, de vidas comuns – eu não a vivi, como no caso da Fazenda Mediterrânea.&lt;br /&gt;            Como eu a ouvi, bem, foi pura sorte, nada mais do que isso. Uma ida noturna ao amigo que mora no mesmo bairro, nalgum verão daqueles mágicos dos anos que, eles mesmos, falavam de amplidão, porque nos falavam de milênio novo, de história, a grande história, de numeração nova, de recomeço, duma chance para encontrar o que se perdera, o que não se sabia, e, mais ainda, aquilo que sequer se sabia perdido.&lt;br /&gt;            O veterano Oscar a contara para mim um pouco depois da chegada a seu escritório de aposentado cheio de álbuns de quadrinhos e livros policiais, uma estante só de livros de Machado – ele tinha aprendido como contar uma história com mestres reconhecidos, e aquele prêmio nacional como roteirista de histórias em quadrinhos confirmava o quanto ele tinha aprendido. O prêmio era dana mais nada menos do que o Ângelo Agostini! O Oscar das histórias em quadrinhos brasileiras, dissera alguém com fala jornalística. A reação do Oscar? Achava talvez imerecido, e pensava que teria sido mais adequado ele ganhar o prêmio como editor de sua revista editada em fundo de quintal, no pólo sul do mundo brasileiro, onde até revistinha de Disney só é distribuída depois de recolhida no resto do Brasil. E, no entanto, ele lançara gente dali para o resto do mundo. Eu mesmo fora editado na Europa depois de roteirizar uma tira de quadrinhos humorística  para ele próprio.&lt;br /&gt;Falei do mestre maior da digressão, Machado, e parece que lhe repeti a mania. Volto ao nosso tema deste relato. A língua que falamos traz sempre a memória de seus melhores autores na tocaia. Vamos ao que me levara ao Oscar.  &lt;br /&gt;            Eu fora lá, em verdade, porque naquele verão uma de nossas mais admiradas sagas dos quadrinhos, com tema de saga medieval mesmo, completava seus setenta anos, e eu queria lembrá-lo disso, ou sobre isso com ele conversar enquanto estivéssemos no ano da bela data.&lt;br /&gt;            Quando dois amigos quadrinistas se encontram, a memória acende, e, como fogo fátuo, corre atrás do pensamento, querendo voltar à vida, aproximando-se, pela garupa, do tempo atual, meio que exigindo atenção, aliás, meio que completamente, como se dizia.&lt;br /&gt;            Memória, teu nome é história, uma única história que seja, mas uma história boa de ouvir e boa de contar.&lt;br /&gt;            Oscar começava a narrar aquilo de forma exata.&lt;br /&gt;            “Meu pai era capataz da estrada no tempo em que ela estava sendo construída.”&lt;br /&gt;            Quem vai querer deixar de ouvir o resto de uma história que começa assim, com uma única frase que nos fala de tempos lançados no passado de mais de meio século, onde há um pai e um filho no meio do pampa, lá pros lados dum nome como o mero início do caminho para Uruguaiana, o que lembra Uruguai mas não ainda não é, o que faz parte da história porque construiu uma estrada pela qual hoje se passa veloz e silente, em carros que, por mais que corram, nos dão sempre a consciência de que certamente parecemos moscas vistos lá de cima, deste céu azul, em tempos de vistas aéreas, que este executivo tanto apreciava nas poucas viagens que ainda não tinha suficiente status para evitar com alguns telefonemas de palavras cuidadosamente utilizadas.&lt;br /&gt;Sei hoje o quanto, lá de cima, mesmo em momentos de aproximação do solo para a ainda distante mas, no tempo, próxima aterrissagem, somos moscas que se arrastam sobre a linha preta do asfalto que lá dos altos e das nuvens altaneiras ficará certamente reduzido a um fio preto no meio do verde imenso, lá de onde os grandes açudes não brilham em grandes faíscas, mas cintilam como pequenos espelhos num presépio de grande colcha verde cuidadosamente esticada, onde poucas são as curvas do tecido, abrandadas pela visão da altura.&lt;br /&gt;            Pois ali, e por perto de algum daqueles grandes açudes, o velho Kern, pai do narrador que me contava a história de tempos de garoto, era o capataz da grande obra que vinha do longe e se projetava para o ainda muito mais longe, cortada no vermelho alaranjado mas mesmo assim meio sangrento de onde ia para o horizonte, e sendo recoberta pelo preto do asfalto, aliás, preta desde antes do asfalto, que aquela terra é boa, eu me enganei.             &lt;br /&gt;            E o menino Kern olha aqueles açudes e está no pampa, vê a água grande, lisa como um espelho, mas um espelho imenso, imenso e muito manso, liso, onde se pode ver um rosto e até a alma da gente olhando daquele outro mundo que a gente não sabe o que é, feito daquilo que mais sobra na natureza, a imagem, tem imagem até do que não existe, o contra-céu refletido nos açudes, as nuvens flutuando em superfícies abissais que não existem, ilusão? Nada disso, realidade. Imagem, matéria prima do encantamento.   &lt;br /&gt;            Quando ele está me narrando isto, uma rápida chuva bate no telhado, e na parreira ao lado da garagem para onde fica a porta aberta de seu escritório, uma chuva de verão, estalando seus pingos com selvajaria certa e faceira sobre as grandes folhas verdes balançando como pautas acolhendo o respingo das notas,  e nos forçando a um pequeno silêncio, um entreato típico das narrações de histórias de campanha e grandeza de espaços, o silêncio que a assombração do tempo antigo, no retorno, faz instalar com perfeição, recortado em suas bordas sonoras pelo ruído agudo e breve dos pingos de chuva martelando seu ritmo no escuro verdor das folhas que a noite não mais nos permite enxergar.&lt;br /&gt;Não a campanha não é apenas Santana do Livramento e Uruguaiana, a campanha, a terra dos grandes campos, começa muito antes. Só quem, como eu, viu nossa capital do alto da serra de Guaíba, dos altos do Matias, sabe isso com perfeição, porque viu o branco dos edifícios de Porto Alegre tornados minúsculos pela distância, a cidade reduzida a um brinquedo de criança, capaz de caber em nossos braços, senão em nossas mãos, o rio um contorno cheio ao seu redor, pelo menos enquanto não se tratar de uma vista aérea, porque o rio Guaíba lá embaixo se agiganta quando a cidade está à mesma distância da aeronave que baixa em demanda do solo e do pouso, não é a mesma coisa que a visão da serrinha de Guaíba (“Seio das águas”, em língua dos antigos habitantes do mapa, índios). &lt;br /&gt;Certa vez, achei que a cidade, lá longe, os edifícios brancos como lápides a brilhar no meio dos campos da eternidade, era o pequeno cemitério onde, formigas, nem aparecíamos vistos do alto dos gigantes deitados, adormecidos, que eram os cumes verdes e calmos da serrinha.&lt;br /&gt;Nosso pensamento está, todo ele, ainda lá no longe, perdido das verdes canhadas, verdes mares bravios do campo quase sem ondulações, que os temporais mesmo não acirram em fúria. Sempre a calma, a calma para sempre e para nunca que os pequenos por vezes detestam, o enjôo do pampa, o sono imemorial dos sentidos, que precisam do espoucar selvagem da caçada, da carreira de cancha, ou pelo menos da pescaria de algo grande, do alarido do peguei, da exclamação diante do tamanho do bicho fisgado. Nem sempre um peixe... &lt;br /&gt;          E num dia de calor, o pequeno Oscar  sai com pequenos pedaços de pulmão  de gado como isca, comprados em açougueiro. &lt;br /&gt;            Porque aquilo que o garoto vai procurar pescar é aquilo que comparece em nossa linguagem e nossas narrativas em palavra por si mesma um alerta surpreendido: jacaré.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                      2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Jacaré, gente.&lt;br /&gt;            Jacaré de verdade.&lt;br /&gt;            Caçava-se jacaré a laço nos banhados, comentava meu falecido pai, narrando  coisas lá de Cachoeira, da fazenda do velho Noca, onde passava o verão como em sonho, o sonho que a narrativa do Oscar agora adulto contém, transformado mais uma vez em realidade, o sonho de todo menino gaúcho, de uma aventura, de qualquer aventura, mas de uma aventura no pampa. Uma queda do cavalo, uma cascavel de que se escapou por pouco, uma jararaca que se matou a relho, batendo firme e rápido para que ela não tenha o tempo para se enroscar e dar o bote, um laço de couro que carregava o irmão mais jovem coxilha abaixo e que conseguimos deter, uma lida desastrada qualquer de que se saiu ileso.&lt;br /&gt;Quem diria, mais ainda, a aventura de pegar um jacaré. Um jacaré que se laçou, ou que se pescou.&lt;br /&gt;            Como se pesca jacaré?&lt;br /&gt;            Ora, mas que presunção, como assim, “se pesca”, não existe isso, um hábito de pescar jacaré, uma conduta social, um comportamento partilhado e transformado em tradição ou ritual.&lt;br /&gt;            O menino teve que pensar em como fazer.               &lt;br /&gt;            Os pedaços de pulmão flutuam na água. A linha, ora, a linha é amarrada numa árvore.&lt;br /&gt;            “Porque assim, quando o jacaré morde a isca, e procura se afastar, a árvore o puxa para fora.”&lt;br /&gt;            Sim, mais uma vez e sempre aqui aspas, nada de travessão, pois são palavras literalmente transcritas. Leia sempre um texto até o fim antes de reclamar dele.&lt;br /&gt;            Sônia (“a patroa”, costuma dizer, ridente, brincando com a tradição, e, claro, efetivando o afeto), sua mulher, entra neste instante com benvindas pipocas e refrigerante.                    &lt;br /&gt;            Quando sai, Oscar prossegue sereno sua narrativa, o olhar um pouco para cima, como uma foto de Jorge Luis Borges, olhando para nada e portanto para aquilo que é tudo, o que está dentro de nós e volta, assomando e vencendo as décadas passadas, vindo de remotos dez, vinte, trinta, quarenta, quem sabe sessenta anos atrás, o que paira um pouco acima de nós, por estar acima do agora, e faz o olhar ficar neutro porque  voltado para dentro, para a luz real que anima e dá contornos ao que se narra porque se enxerga com a nitidez daquelas manhãs cristalinas e meio-dias modorrentos, em algum açude afastado da gritaria, dos ruídos, e do cheiro do betume que será asfalto sendo vertido quente, fumaçento e líquido, para a estrada já empedrada na base.&lt;br /&gt;            “E quanto mais ele morde e engole, mais é puxado para fora da água pela árvore que se inclina para a frente e de repente dá aquele salto para trás.” &lt;br /&gt;             E assim, em meio aos maricás cheios de espinhos cortantes, o bicho, aos poucos, emerge, as patas enlameadas escorregando sobre o verde das margens quase sem areias, como é comum nos açudes, e o menino avança com uma grande pedra.&lt;br /&gt;            Respiração diminuída, ouço o resto sem poder falar. O jacaré é morto a pedradas.&lt;br /&gt;            Tudo isto estaria terminado, não estivesse o melhor da festa ainda a caminho.&lt;br /&gt;            Sim, senhor, a caminho, a caminho de casa.&lt;br /&gt;            O menino se dirigiu para casa levando sobre o ombro o jacaré caçado e morto.    &lt;br /&gt;            Já em casa, a mãe do menino o interpela.&lt;br /&gt;            A razão é óbvia. Horrorizada com o bicho, apavorada com o risco, recorre à melhor figura de linguagem para encontrar um diálogo entre a velha senhora pacata e o guri criado em meio aos campos, banhados e horizontes, cheios de nuvens:&lt;br /&gt;            “Pode se saber porque é que trouxeste um bicho como este para casa?”&lt;br /&gt;            O menino alça mais os ombros quando fala, com voz calma, segura e orgulhosa como a de um adulto:&lt;br /&gt;            “Mãe, este jacaré fui eu que matei.” &lt;br /&gt;            Alguns xingões depois, e o menino leva o jacaré morto e o joga fora.&lt;br /&gt;            Quando termina sua narrativa, adulto e uns sessenta anos depois, tudo é silêncio. Sua família já foi dormir, como a minha provavelmente também terá ido quando eu chegar em casa. A chuva agora é fina, como se compreensiva, não quebra o silêncio nem o ritmo lento dos gestos que se rendem ao ritmo das recordações, o mesmo ritmo respeitoso com que nos despedimos e sob o qual saio guiando o carro debaixo do céu oculto por ruas vazias duma cidade que é a capital do estado dos pampas, um lugar ao sul da própria América do Sul, em que certas narrativas que fazemos uns aos outros nos reconduzem para o ânimo certo, o estado de espírito atento, a consciência do mundo abrandada, as angústias serenadas, ou até dispersadas pelo contato com algo que somos nós e que nos ultrapassa, a grande noite, o horário, o prelúdio de sono satisfeito, tudo um pouco como palavra apaziguante e derradeira, salmo pacífico e oração interior.&lt;br /&gt;Um calmo e ameno final, apenas e nada mais que amém, um meio sorriso à espera de aurora, o sono aureolado pelo silêncio dos demais aposentos, amaciado pelo  sono familiar coletivo, nosso sono outra vez criança de quem frui – porque recorda.&lt;br /&gt;            Um meio sorriso à espera de aurora na grande cidade que sabemos cercada de campos ainda maiores, ponto em meio ao que é vasto, parte da paisagem maior, integrante de todo maior, em tempo e espaço adequado, memória de sentinela de suas histórias, que são as histórias de sua gente, e que até me fizeram esquecer de falar na velha história em quadrinhos do Príncipe Valente, ficando mesmo com a do menino valente, a história de uma aventura no pampa. Um verdadeiro título. Algo como aquele velho volume 3 da Coleção Terramarear, a qual, apesar dos desaparecimentos temporários, foi editada durante meio século, a última vez ainda nos anos oitenta.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                        &lt;em&gt; (Escrito em Fevereiro/Março de 2007). &lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-2585674478641772637?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/2585674478641772637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=2585674478641772637&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/2585674478641772637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/2585674478641772637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/uma-aventura-no-pampa.html' title='Uma aventura no pampa'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-5476404170859977408</id><published>2007-04-09T14:23:00.001-05:00</published><updated>2007-04-09T14:26:24.385-05:00</updated><title type='text'>HIERARQUIAS, GOLPES E APAGÕES:</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há muita hipocrisia no debate a respeito do apagão aéreo.&lt;br /&gt;O buraco,creio, é mais embaixo.&lt;br /&gt;Não, nem falarei da incompetência governamental.&lt;br /&gt;Todos falam em “quebra de hierarquia”.&lt;br /&gt;Governo e oposição se unem (oposição?).&lt;br /&gt;Subjacente a tudo, camuflado, está um tremendo medo da caserna, pânico das botas-militares.&lt;br /&gt;Todos falam de modo subserviente e “cheios de dedos.”&lt;br /&gt;Lula, dos Estados Unidos, determina que se faça um acordo (assinado!) com os controladores de vôo, subordinados à Aeronáutica.&lt;br /&gt;Volta, percebe a cara feia dos militares, e muda tudo.&lt;br /&gt;Joga no lixo os acordos feitos, como despreza sua biografia.&lt;br /&gt;Suas gestões, também pararão lá, nos entulhos da vida brasileira.&lt;br /&gt;Ele é, constitucionalmente, Chefe Supremo das Forças Armadas.&lt;br /&gt;Ele sabe disso?&lt;br /&gt;O Ministro da Defesa, hierarquicamente, determina ordens aos comandantes militares.&lt;br /&gt;Tais comandantes nunca absorveram a criação do ministério da Defesa.&lt;br /&gt;O ministro, com medo, não enfrenta e não enquadra seus subordinados.&lt;br /&gt;Homem de biografia honrada, poderia preservá-la: deveria renunciar ao cargo.&lt;br /&gt;Nada disso. Aéreo, perde-se em declarações inócuas, não consegue verbalizar o que sente.&lt;br /&gt;Mas quem, hoje, zela por biografias?.&lt;br /&gt;Ele foi consultor-geral da República do governo de Jango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUEBRA DE HIERARQUIA&lt;br /&gt;A mídia impressa chapa-branca e reacionária só toca nessa tecla. Os jornais televisivos também.&lt;br /&gt;“Quebra da hierarquia.”&lt;br /&gt;Ninguém exercita a memória.&lt;br /&gt;QUEM QUEBROU A HIERARQUIA EM 64?&lt;br /&gt;Quem derrubou o presidente João Goulart, o Jango, constitucionalmente presidente do Brasil com a renúncia do Jânio?&lt;br /&gt;Foram os militares.&lt;br /&gt;(A revolta dos sargentos, na época, foi mero pretexto.)&lt;br /&gt;O General Mourão Filho, começando a quartelada em Minas (sempre ela...) definiu-se como uma “vaca fardada.”&lt;br /&gt;Lendo os documentos na época e tendo vivido o momento como estudante de 20 anos, tentando resistir ao golpe, vejo que se alguns escalões militares tivessem reagido, mesmo moderadamente, até com um susto, um “pum”, o golpe não teria ocorrido. Mas são suposições. A História, como um pesadelo, não volta atrás.&lt;br /&gt;O golpe ocorreu, durou 21 anos e seus esqueletos estão nos armários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O BURACO DE QUE FALEI ESTÁ AÍ.&lt;br /&gt;O acordo brasileiro sempre partiu de cima.&lt;br /&gt;As “soluções” sempre vieram de cima: puro acordo das elites.&lt;br /&gt;A aliança-democrática, o acordo tancrediano, o Colégio Eleitoral com a derrota das “Diretas Já”, a Nova República, fazem parte deste contexto.&lt;br /&gt;Não mexer em nada, não tocar nos esqueletos, tentar estancar o sangue com simulacros de esparadrapos.&lt;br /&gt;“Não pode! É revanchismo!”&lt;br /&gt;É UMA ESPÉCIEDE UDENISMO TARDIO OU EPIGONAL.&lt;br /&gt;Os torturadores não foram punidos. Os arquivos militares não foram abertos.&lt;br /&gt;A Guerrilha do Araguaia parece ficção, como a do Vale da Ribeira.&lt;br /&gt;A Argentina que teve – junto com o Chile – o Golpe mais sanguinário do Continente, enfrentou seus esqueletos: prendeu torturadores, puniu generais, revogou a lei da “Obediência Devida”, elaborada pelo governo corrupto de Menen.&lt;br /&gt;Ela enfrentou seus fantasmas.&lt;br /&gt;Aqui, como sempre: o faz-de-conta. Jogar a sujeira para debaixo do tapete.&lt;br /&gt;Alguns presidentes, preferiram o beletrismo, escrevendo livros medíocres e gordurosos.&lt;br /&gt;Era a Academia unida à ditadura.&lt;br /&gt;Fardões, jaquetas, prebendas, bigodes.&lt;br /&gt;Deu no que deu.&lt;br /&gt;A impunidade triunfou.&lt;br /&gt;O que acontece na delegacias desse Brasil é fruto dessa impunidade.&lt;br /&gt;Não se toca mais os filhos da classe média branca.&lt;br /&gt;Mas os danados da terra brasileira continuam apanhando.&lt;br /&gt;Os negros, os desvalidos, os que não têm república que zele por eles.&lt;br /&gt;Continuam sendo açoitados como na escravidão.&lt;br /&gt;Nas humilhações de todos os dias, nos ônibus, nos postos de saúde, na filas do INSS, sofrendo nas mão de policiais e de traficantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lógico, no apagão aéreo quem sofre é o passageiro.&lt;br /&gt;Um senador paulista, com bigodes vastos, ar de galã de subúrbio, filho de militar, reforça: “A hierarquia não pode ser quebrada.”&lt;br /&gt;Ele é do PT.&lt;br /&gt;(Esse mesmo senhor dirigia o carro em que, depois de uma batida, no verão de 1982, morreu o grande líder estudantil e meu amigo querido, Luiz Travassos.)&lt;br /&gt;A hierarquia sempre foi quebrada.&lt;br /&gt;Sempre a favor dos mais fortes, dos donos do Brasil, desde as capitanias hereditárias.&lt;br /&gt;O que faz o governo Lula é manter ou piorar o o legado da brutalidade, da desigualdade e da concentração de renda.&lt;br /&gt;Não, não pedimos revolução.&lt;br /&gt;Reivindicamos o arraigamento de valores éticos, semeando o terreno para que a impunidade não prosperasse mais. Para isso ele foi eleito. E não para ficar deslumbrado por encontrar reis e rainhas, em avião luxuoso, que não enfrenta apagões.&lt;br /&gt;Sem tocar na ferida, sempre com truques, como os governos anteriores, só poderia piorar o dantesco quadro brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEMÂNTICA: Falta de memória?&lt;br /&gt;O PFL mudou de nome. Agora é “Democratas.”&lt;br /&gt;Crêem seu dirigentes e marqueteiros que, mudando o nome, mudarão a sua História?&lt;br /&gt;Que todos esquecerão que foi o partido (ainda não com esse nome, mas Arena, PDS, foi zeloso serviçal da ditadura e fechou os olhos para todos os horrores cometidos contra os que a combateram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crêem que todos esquecerão.&lt;br /&gt;Com programas imbecilizantes, em que o povo alimenta (fazendo ligações telefônicas) o caixa da maior rede televisiva (em uma ocasião, chegou a quase 40 milhões), segue a roda.&lt;br /&gt;Crêem os marqueteiros e publicitários - que continuam “impondo” porcarias ao povo -, que nasce um otário a cada instante?&lt;br /&gt;Sim, nasce.&lt;br /&gt;Mas nem todos.&lt;br /&gt;Marqueteiros e publicitários que, ganhando muito dinheiro, se acham gênios, pois fazem filmezinhos, com truque de câmera. Que o grande Orson Welles fazia há com muito mais talento há 60 anos, e Godard há uns 40.&lt;br /&gt;Alguém lembrou Noam Chomsky e sua obra Manipulação dos Media – Os Efeitos Extraordinários da Propaganda” (Editorial Inquérito, 2003), onde ele diz:&lt;br /&gt;“A PROPAGANDA ESTÁ PARA UMA DEMOCRACIA COMO CASSETETE ESTÁ PARA UM ESTATO TOTALITÁRIO.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-5476404170859977408?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/5476404170859977408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=5476404170859977408&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/5476404170859977408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/5476404170859977408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/hierarquias-golpes-e-apages.html' title='HIERARQUIAS, GOLPES E APAGÕES:'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-7121980224440269468</id><published>2007-04-01T08:35:00.000-05:00</published><updated>2007-04-01T08:43:33.103-05:00</updated><title type='text'>HISTÓRIAS BRASILIENSES</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; -  Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;  Na UnB, incendiaram um alojamento de estudantes africanos. Crime racial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez a notícia só saia num canto de jornal. Mas é preciso lembrar sempre. O projeto da Universidade de Brasília foi, talvez, o mais generoso e efetivamente sul-americano que já tivemos entre nós. A idéia era de "universalidade" e de vinculação com a nuestra América.  (Talvez saibamos o nome do sabonete que Madonna usa, mas não conhecemos nem um pouco os índios desta América) Darcy Ribeiro, Paulo Emílio Salles Gomes, Nelson Pereira dos Santos. Conversas com Niemeyer, Lúcio Costa: foram as cabeças que idealizaram a UnB, e outros que não lembro agora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero homenagear os esquecidos, os que colocaram tijolos, cimento, prego, massa, os que "fizeram" a universidade e nunca puderam pisar (depois) os pés naquilo que construíram. Lembro de um poema de Brecht: quem colocou as pedras nas pirâmides? Não foram os faraós.  Talvez fosse algo bonito demais para durar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Houve o Golpe de 64, expurgos , prisões, torturas, mortes, exílios. Um destes mártires inesquecíveis foi Honestino Guimarães, da minha geração. Então, o que aconteceu na UnB, não foi uma piadinha de mau-gosto, divertimento. Foi mais um crime contra um dos projetos mais belos e humanísticos que já inventaram para a universidade brasileira.  E num progrma jornalístico, escuto um alto burocrata da UnB, confessar sua felicidade pois a administração da UnB tinha conseguido economizar um bom percentual na conta de luz da universidade. É a metáfora do Brasil e de sua universidade: medíocre, mesquinha, individualista, estúpida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Mas a universidade não existe só por si, está num contexto. É "contaminhada" pela sociedade que, afinal, paga os seus custos. Com os faustões, as imbecilidades domingueiras, as analfabetas enriquecidas que comandam, diversos programas que infantilizam corações e mentes (além de empobrecer o cérebro); com as xuxas da vida; com a rede do "bispo", onde "Templo"é dinheiro; com os programações que estimulam o hiperindividualismo, a lei de Gérson, o desrespeito ao próximo, como o culto ao corpo perfeito e à mente vazia- além das revistas idiotasdecelebridades -, o que queríamos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ficção televisiva é apenas um manual de ensinamento de trambiques. Sim, pão e circo. Toda a direita não gosta que usemos o termo, debocham quando utilizamos; afirmam que a queda do muro de Berlim acabou com tudo isso: mas a palavra é alienação! A queda do muro tem virado um álibi para velhacos e patifes de todos os gêneros, como se gostássemos de muros.... Nosso inconsciente foi colonizado. Só restaria esta paisagem melancólica, medíocre, sem projeto, onde triunfam as celebridades vãs, os autores de auto-ajuda, que vibram com a idiotice geral, e crêem (com razão) que a cada minuto nasce um otário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas isso não é motivo de abdicação. A literatura, quando o mergulho é profundo, é um caminho sem volta. Mesmo com o desinteresse dos editores, dos jornalões, dos "latifúndios" literários, há que continuar.  Interessante o "feminismo" de certas pessoas. Acusam os outros de "machistas", dão declarações iradas, pedem penas para os homens, "quase todos maus". Mas uma ex-sexóloga, ex-deputada, agora ministra, não quer tirar o sobrenome do ex-marido, senador, porque sabe que os votos são dele. Coerência? Ela foi "fritada" pelo Lula, que não a queria perto; outra pessoa rejeitaria; mas a sede do poder fala mais alto), plastificada, petista soberba - quase tão arrogante quanto o stalinista caipira que até há pouco "mandava" no infausto governo -, rica, cheia de botox na cara, ex-alcaide; sim, agora ministra deste governo medíocre e mesquinho - que só vive de falação e de proteção aos banqueiros e usineiros (forte com os fracos, fraco com os fortes- um governo, repita-se sempre, de direita).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Esse é o feminismo tropical. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A universidade está cheia dessas pessoas com sede de poder, buscando chefias de departamento, omitindo ou desclassificando quem dela discorde. Dizem-se marxistas. Mas são pobres maquiavéis tropicais. E a prática é fascista. Não falo de toda universidade, é claro. Tem muita gente boa, trabalhadora e e digna. Vivem de teses. Um amigo meu, grande escritor, desconhecido, contou-me que uma ex-namorada, num arranca-rabo berrou: "Eu tenho tese e tu não..." E ele: "Prefiro tesão..."  Capitalismo tupiniquim: sem risco para os grandes do "andar de cima":, usineiros (elogiados pelo Pequeno Napoleão, num deboche tremendo aos que sofrem nas plantações de cana- já escrevi sobre isso, mas é preciso repetir sempre, já que poucos escutam...), banqueiros (Proer) e as "oito a dez famílias", donas da mídia. esmo o pessoal dito de "esquerda" fica bem quietinho quando é convidado a escrever para os jornalões. Conseguindo uma "boquinha", se aquietam.  Quem se lembra dos mensaleiros,`dos sanguessugas, da roubalheira geral? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Collor, quando passa pelos tapetes senatoriais, segue em comitiva, cheio de aduladores, é adorado, tocado, pedem autógrafos, e ele simula pose de estadista. Praticamente santificado... CPI do tráfego aéreo? O PT não quer. Um governo aéreo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A teoria de alguns stalinistas encastelados no poder é a seguinte: o povo já sofreu muito. Vamos botar a classe média para penar. Sofrimento amplo, geral, irrestrito. (Não para eles, que viajam em jatinhos governamentais.) E uma poetisa, vaidosa, que adora holofote, que trabalhou em novelas, contrariou Cazuza e decretou:"Meus amigos estão no poder." Só se forem os dela...  Perdoem o lamento: mas às vezes, nos monólogos noturnos, indago: de onde veio tanta resignação? De onde veio tanta impotência? De onde veio tanta capacidade de engolir sapos? Falo de nós todos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O povo vietnamita enfrentou o maior exército ja visto na a terra, o mais poderoso, com arsenal enorme, o mais bem equipado tecnologicamente, dizimando com napalm tudo o que via, e ganhou a guerra. Destruíam pontes e o povo reconstruía. Todos os dias. Entendo quando um general americanano (sim, americano) comparou Giap com Aníbal. Nunca vira estrategista ou gênio igual. E tinha Ho Chi Min, Vo Giap. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais que isso, a luta de um povo ORGANIZADO para salvar sua pátria e seus valores da garras do império. Já haviam dado uma surra histórica nos franceses, em 1954. E lutaram contra outras invasões.  Um carnaval, um futebol, uma novelinha, programas de auditório da pior espécie, uns telefonemas para palpites no programa dos "grande irmão" (aí as grandes redes simulam democratização e quem ligou acha-se muito importante...). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alimentou o caixa da grande rede e pode dormir tranqüïlo. Brasil!!! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-7121980224440269468?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/7121980224440269468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=7121980224440269468&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7121980224440269468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7121980224440269468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/04/histrias-brasilienses.html' title='HISTÓRIAS BRASILIENSES'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-889850949629344496</id><published>2007-03-26T13:15:00.000-05:00</published><updated>2007-03-26T13:20:33.383-05:00</updated><title type='text'>HISTÓRIAS DO BRASIL</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira &lt;/strong&gt;- Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; O Anjo da Morte já foi embora. O Nosso Pequeno Napoleão, vestiu a roupa da sabujice, da vergonhosa adulação  e da subserviência, com o seu ego inflado pelos áulicos palacianos e por parcela da mídia chapa-branca. Nosso desafortunado presidente quer porque quer que o Brasil integre o Conselho de Segurança da ONU. E ele, para "salvação" da humanidade, seria o secretário-geral... Crê-se uma figura iluminada, vindo ao mundo para salvá-lo. Numa mistura de onipotência com crassa ignorância, só vê e ouve o que quer. E se é contrariado, humilha o assessor e só diz palavrões (em particular). Suas falas diárias são cada vez piores, mais cheias de platitudes, lugares-comuns que infantilizam ainda mais a mente dos brasileiros. Enfim, discursos que beiram à idiotia. São insuportáveis com suas imagens futebolísticas ou eróticas. Tão intragáveis como o óleo de rícino, que mamãe dava na infância para limpar nossos intestinos. (E a literatura, Emanuel, e a literatura?, indaga uma voz interior.) O que Bush/Lula querem é que nos transformemos em um grande plantação de cana-de-açúcar. Como alguém detectou, o risco desse projeto é voltarmos aos primórdios do século 16, "quando a monocultura dessa mesma commodity engessou nosso crescimentos por séculos". (...) A visita do Anjo da Morte, como disse alguém, faz parte de um "road show". Marca-se presença, há declarações vazias  e meramente protocolares, afagos carregados de dissumulação ("diplomacia"), declarações ocas sobre democracia, assinaturas de contratos vagos e que nunca vingarão ou serão cumpridos. Isso não é novo. É sempre assim. E Bush diz claramente: não baixará as tarifas impostas aos produtos brasileiros que chegam ao Império. Sim: é a lógica do colonizador. Outros já perceberam:  o foco da visita de Bush é de natureza geopolítica. Escreve Reinaldo Gonçalves: "O primeiro fato relevante é que o Brasil ocupa posição secundária ou terciária na agenda de política externa estadunidense. A docilidade de Lula rebaixa o Brasil na agenda externa do EUA. (...) É claro. Bush sai do país sem se comprometer. No caso do Brasil, o açúcar (álcool), a soja e outros produtos primários, como complementou Gonçalves, implicam na degradação ambiental e na consolidação de estrutura de produções retrógradas. É nesse processo de expansão das exportações agrícolas que Lula  - crê Gonçalves - está apostando o futuro do país. E a literatura? E Lula elogia os usineiros. Chama-os de heróis. Isso é um verdadeiro escárnio ao trabalhadores de cana, que vivem num regime de semi ou de clara escravidão. Um deboche às mãos que trabalham 14 horas por dia, sem direitos, sem garantias, humilhados, mal-pagos e, muitas vezes, espancados. Resumindo: a presença de Lula  no poder é um dos maiores retrocessos que o país já teve. E um desafortunado e ultra-vaidoso ex-alcaide de Porto Alegre acha que esse é um governo de esquerda... (Esse senhor crê que é um pensador profundo, verdadeiro Gramsci... Pobre homem!) Pobre Brasil! Esse atual ministro subestima a nossa inteligência. o que ele ama mesmo é o poder e os palácios.) A herança, como a anterior, herdada  do "Patriarca da Dependência" (FHC), também será maldita. E a longo prazo estaremos todos mortos... Para recuperar esse tempo, novamente haverá o sacrifício de gerações, como imposto a mim e a muitos brasileiros pelo Golpe de 64. E Lula e Collor se confaternizam. Riem juntos. No fundo, são muito parecidos. Origem não significa nada. Caráter sim. Collor fala no Senado, horas a fio, teatraliza como ator de segunda, manipula emoções, engana os membros de uma das mais infelizes legislaturas que o Brasil já teve (na chamada Câmara Alta, que já teve, entre seus membros, Darcy Ribeiro). Um suplente, sem nenhum voto  (outra excrescência brasileira: alguém assumir um mandato sem nenhum voto popular) - o titular é um "amigo" e antigo funcionário da Rede Globo -  acredita que o "sacrifício" de Collor foi o "sacrifício" de uma geração... Parecia falar de um Che Guevara de Alagoas, amigo dos usineiros.... Meu Deus! Quanta falta de memória! E isso ocorreu há 15 anos. Cobri a chamada  "CPI do Collor" para o "Jornal da Câmara." Memória eu tenho. Os inquisidores eram impiedosos. Talvez, esses "torquemadas",  agora no poder e no partido  dominante, tenham corado, ficado envergonhados pelo que fizeram ou fazem, e devem achar o mal  feito pelo defensor dos usineiros de Alagoas, mera brincadeira de escoteiro...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; E a literatura? Como consolidar nesse universo fragmentário, despedaçado, onde tudo parece descartável, vazio, mesquinho, sem memória, no qual busca-se o prazer imediato, a celebridade fácil,  uma ficção forte densa, que ultrapasse o mero naturalismo? Um  conto/novela/romance que não caiam no neo-paransianismo oco nem no panfletarismo fácil. Optamos por um ofício.  E se o levamos a sério, como prática diária, e não opção que busque prebendas ou glórias acadêmicas,  é preciso - como diziam - estar atento e forte. Sem auto-comiseração. Mas com firmeza e talento. É preciso inventar algo digno, esteticamente valioso. É um desafio. Escolhemos um caminho. Não tem sombra nem água fresca. Vamos tentar? Mesmo que o parto seja árduo, é preciso pegar na flecha. Aceitar no alvo é  conseqüência. Sim, tudo isso gera cansaço, nojo, resignação ou impotência. Mas o pessimismo é desmobilizador e  encolhe a iluminação criativa. Nivelar todo mundo  por baixo só favorece os patifes. Mas de tudo isso - do gosto de fel e vinagre, da destruição de um país, desse ilhamento todo -, quem sabe, possa ser gerado algo belo, que dignifique a  todos nós e a literatura brasileira. Peço perdões -  motivos relevantes (cirurgia)  - por não ter tratado mais cedo da vinda ao Brasil do Anjo da Morte, o marechal texano, o representante provisório doi Império. A reflexão pode parecer superada. Mas isso não é  jornalismo. Não creio que perca a validade. "Viva a morte, abaixo a inteligência",  berrava um general fascista na Guerra Civil Espanhola. Não: viva a vida e a criação! Sempre! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-889850949629344496?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/889850949629344496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=889850949629344496&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/889850949629344496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/889850949629344496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/03/histrias-do-brasil.html' title='HISTÓRIAS DO BRASIL'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-4834022380651470841</id><published>2007-03-12T20:58:00.000-05:00</published><updated>2007-03-12T21:00:56.520-05:00</updated><title type='text'>MEYER,MACHADO, CARROLL, BORGES...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                       &lt;strong&gt;Alberto Crusius&lt;/strong&gt; –Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)`Such a&lt;br /&gt;          trial, dear&lt;br /&gt;              sir, With&lt;br /&gt;                 no jury&lt;br /&gt;                    or judge (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            (Alice in Wonderland)&lt;br /&gt;                                                                                              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendi-me quando me solicitaram obter série de frases para uma reedição de obra do Machado de Assis, de Augusto Meyer, com o que pensaram algumas das grandes personalidades literárias brasileiras sobre o último, em obra para a qual me solicitaram ainda um posfácio.&lt;br /&gt;Grande Augusto Meyer, como o chamou ninguém mais nem menos do que Monteiro Lobato. Grande poeta, acrescentou Mário de Andrade. Não só grande poeta, como grande crítico, emendou Manuel Bandeira.&lt;br /&gt;A poesia de Meyer ganhou adeptos muito respeitados, tais como Vinícius de Morais, que o selecionou para uma antologia argentina com o que considerava nossos grandes nomes. Dela, Carlos Drummond de Andrade afirmou: poesia grave que tem uma doçura meditativa e busca as essências.&lt;br /&gt;Literatura e Poesia, única obra de poemas de Meyer que não utilizava o verso como forma, mereceu de Mário de Andrade comentário entusiasmado: A meu ver, um dos melhores livros de poemas em prosa. Recordo ainda outra frase do admirado Mário a propósito de Meyer: O melhor poeta lírico brasileiro.&lt;br /&gt;                São imagens que referem uma idéia de grandeza, e também a respeito de sua crítica: A grandeza dos Leo Spitzer, Dámaso Alonso, Erich Auerbach, e, entre nós, dos Augusto Meyer e Eugênio Gomes, sentenciou Fausto Cunha. Uma das maiores figuras literárias da língua portuguesa, entusiasmava-se o Érico Veríssimo com o qual Meyer, às vezes, era bastante duro. O letrado por excelência, definia Álvaro Lins. O nosso Erasmo, extasiava-se Alceu Amoroso Lima. Não sei de quem escreva, no Brasil, com mais elegância e, ao mesmo tempo, naturalidade, afirmou Antônio Cândido. &lt;br /&gt;Otto Maria Carpeaux postulava, queixoso, a respeito da obra poética de Meyer, cuja interrupção em plena década de cinqüenta freou conhecimento mais amplo por parte do público, talvez não tenha sido bastante apreciada. O alerta afinava com os apreços de Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Morais citados. E, sobre Meyer como ensaísta, anotava, conciso, o que terminou por se tornar geral consenso: Começa nova época da crítica machadiana.&lt;br /&gt;                Tudo isso sem falar no estarrecido testemunho pessoal de Alexandre Eulálio, secretário pessoal de Meyer, ouvindo pessoalmente de Jorge Luis Borges em Buenos Aires, que o mesmo afirmava, literalmente, conhecer a obra de Augusto Meyer, e que ela não poderia ser ignorada, quando fora obter autógrafos de Borges para este e familiares.  &lt;br /&gt;            Assim, sempre foi um grande impacto, para mim, ler, logo ao início de seu, desde o título mesmo, circunspecto À sombra da estante, seu primeiro livro de ensaios sobre literatura universal – os anteriores eram específicos, aquele sobre Machado e outro sobre regionalismo – o que segue, ainda na primeira página, sobre o ato da leitura: “No tapete voador, só há lugar para dois passageiros: leitor e autor.”      &lt;br /&gt;E praticava o que afirmava: Havia um ensaio intitulado “Do leitor”, outro “Do autor”. Do crítico? Nada.  Aliás, idêntico é o comportamento em Borges, por exemplo no This Craft of Verse, de 1967, editado em 2000, de que li a tradução brasileira, Êsse ofício do Verso, de José Marcos Macedo, editada pela Companhia das Letras em 2001. Borges refere-se antes de mais nada, a “uns poucos críticos como eu...” Adiante, tenta definir-se: Tenho para mim que sou essencialmente um leitor”. Também adiante, esclarece: o que significa ser um escritor para mim? Significa simplesmente ser fiel à minha imaginação.” De passagem, aludira: “A felicidade, quando se é leitor, é freqüente.”&lt;br /&gt;                Só longos anos, e livros depois, o termo crítico foi utilizado por Meyer.&lt;br /&gt;            Hoje, entretanto, eu entendo o que me chocara quando, adulto, passara a ler o livro, que ele, Meyer, meu tio-avô, autografara para sua mãe, minha bisavó, tão intrincado para quem ainda infante vira brilhar aquele ouro de lombada na encadernação ostentando o tão sisudo título que À sombra da estante parecia para mim.&lt;br /&gt;            Num velho armário de livros infantis, dois lances de escada mais abaixo do mesmo casarão intacto, com ligeiras alterações, na Marquês do Pombal, mas vagarosamente se decompondo, em meus sonhos saudosos, com o pior dos terrores, o do tempo real, eu vira, ainda antes, algo que me encantara profundamente, e que nunca mais larguei como devoção e relíquia.&lt;br /&gt;Era a tradução de Monteiro Lobato, de 1930, intitulada “Alice no país dos Espelhos” para o Trough the Looking Glass que Charles Lutwidge Dodgson escrevera sob o pseudônimo Lewis Carroll em 1872.&lt;br /&gt;            Fascinava a criança que eu era,  talvez mais do que tudo, o quase final de uma só linha, quando, após Alice sacudir a gatinha, ao despertar do sonho, encontrávamos o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        “Capítulo XI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                Miau! Miau!          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...e realmente a Rainha-boneca virou num gatinho.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O título original do capítulo era, em Dodgson, Waking, despertando. A linha única de conteúdo do capítulo era “...and it really was a kitten, after all”.&lt;br /&gt;            Da tradução de Lobato, em 1930, no belo livro encadernado originalmente, em bela capa azul escura, até uma tradução editada em 1978, da respeitável Europa-América, a licença poética em prosa não mudou muito. O título, nessa tradução portuguesa, está traduzido por O Despertar. O texto, por “...e afinal era mesmo uma gatinha.”&lt;br /&gt;            Mais tarde, adolescente e depois adulto, lendo Memórias Póstumas de Brás Cubas, eu me deliciava, secretamente, com o final do capítulo VII, o Delírio, quando o narrador, em seu sonho,  vê que “...um nevoeiro cobriu tudo, - menos o hipopótamo que ali me trouxera, e que aliás começou a diminuir, a diminuir, até ficar do tamanho de um gato. Era, efetivamente, um gato. Encarei-o bem; era o meu gato Sultão,  que brincava à porta da alcova, com uma bola de papel...”&lt;br /&gt;            Ora, capítulo de uma só linha, como o de Dodgson, se quiserem, é, também, o CXXXVI, do mesmo Brás Cubas, intitulado Inutilidade, e que se resume a: “Mas, ou muito me engano, ou acabo de escrever um capítulo inútil.”&lt;br /&gt;            Inútil, não, meu caro velho bruxo ápice de nossa literatura. Você sempre dava pistas. &lt;br /&gt;            Deu uma pista a mais sobre um dos mais atormentados e discutidos (literalmente) capítulos da nossa literatura.&lt;br /&gt;            Escrevi há muito tempo que o Delírio de Brás Cubas era quase uma imagem literal da concepção de Spinoza sobre a natureza, que estudávamos em aula. Meyer, que já abordara o tema Spinoza em Machado muito antes de mim, além de lembrar o poema a Spinoza concordara comigo num diálogo pessoal.&lt;br /&gt;            Mas nenhum de nós mencionou nunca o Trough the looking glass como fonte, e nem como semelhança. Ora, é preciso cuidado. Estamos lidando com gigantes, literariamente falando. Machado faz sua referência, ao que tudo indica, espalhada em dois momentos, como descrevi, dois capítulos diferentes. Lobato, especialista brincalhão para crianças, me deixa estupefato com sua capacidade de guardar sigilos. Talvez para sua geração, como para a minha quando criança,  “miau-miau”, com o gesto de levar as mãos à cabeça, fosse sinônimo de, brincadeira plena e total – escárnio absoluto, diria um adulto. E torna o sexo do pequeno felino idêntico ao de Machado...&lt;br /&gt;            O mais discutido texto brasileiro seria, ao final, referência a um texto de uma obra considerada, em princípio, para crianças, embora de muita releitura adulta posterior. A montanha de textos brasileiros sobre Machado ignora o fato, se desconsiderarmos meu posfácio à citada reedição da obra em que Meyer mais trata de Machado Meyer. Naquele posfácio, abordo em nota a semelhança entre o capítulo do nosso Machado e o de Dodgson, posfácio, aliás, escandalosamente, resumido por terceiros. E sem meu consentimento, como em muitos outros casos que me tem sido narrados. Pior: há erro de português na versão resumida. Apesar do volume indicar a presença de duas pessoas em revisão.  E das frases solicitadas para a última capa, nada exceto as que salvei para o meu posfácio.&lt;br /&gt;            Penso ter feito bem chamando a Lewis Carroll, ali, apenas “Dodgson”. É criptografia banal, mas pode ser útil, quando se trata de não confiar. Quem não é confiável para publicar um texto tal como recebido pelo autor, ou que o resume sem concordância do mesmo, e ocasionando erro, não é digno de receber o sigilo que merecem quaisquer revelações antes de estarem editadas. Pelo menos enquanto não soubermos se a semelhança entre Dodgson e Machado nunca foi apontada. Mas, seja lá quem tiver sido o primeiro a mencioná-las, precisamos começar a falar sobre isso.   &lt;br /&gt;            Em tempo, noutra publicação de reedição do mesmo órgão editor de obra escrita por Augusto Meyer, no caso, Prosa dos pagos, menciona-se A sobra da estante (!) para citar o mencionado À sombra da estante, e aliás o erro de revisão está, mais uma vez, em texto que não era do editor, mas autoral, e não meu.&lt;br /&gt;            Constatar que não se trata de algo pessoal, pois outros nomes que respeito passaram pelo mesmo, em tempos recentes, não é consolo. Ouvir, intensamente surpreso, a confirmação do resumo,   quando reclamávamos do fato, e, mais, pedíamos dele a reparação – e até mesmo com testemunha ocasional, é agravante.&lt;br /&gt;            Depois de tantos anos de tanta democracia não temos o direito de nos expressar da forma que queremos? Aliás, nos tempos em que não tínhamos as liberdades atuais, nunca tive textos diminuídos à custa de erros no conteúdo e sem minha autorização – nem mesmo quando um editor me partiu em dois um texto sobre cinema, jogando-o para dois jornais diferentes, por necessidades de tamanho em página jornalística, num deles com título não meu.&lt;br /&gt;Até quando a elegância do silêncio (e o sereno horror ao bate-boca) de quem escreve vai ser usado como tranqüilidade para escarafunchar descarada e predatoriamente em seus textos, numa demonstração de profunda falta de respeito não apenas para com os mesmos textos, mas para o que seja um texto em geral? &lt;br /&gt;Um texto é a expressão da idéia – a matéria-prima de que a humanidade extrai seus variados rumos, e a única forma de fixá-las para tal.                                       &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-4834022380651470841?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/4834022380651470841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=4834022380651470841&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4834022380651470841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/4834022380651470841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/03/meyermachado-carroll-borges.html' title='MEYER,MACHADO, CARROLL, BORGES...'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-7573304700615908833</id><published>2007-03-09T07:27:00.000-05:00</published><updated>2007-03-09T09:46:13.650-05:00</updated><title type='text'>CONFISSÕES</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira- Brasília&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Lembrando Geraldo Vandré, Luiz Travassos, Elis Regina, Raul Seixas, Taiguara, João Antônio, Caio Fernando Abreu, Carlos Carvalho, Paulo Fontoura Gastal, Glauber Rocha e tantos outros.)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No reino da mistificadora "cordialidade brasileira" e da tremenda empulhação de todos (todos!) governos pós-ditadura, fiz um exercício de memória. Eu não quero esquecer.. Anistia? Pensei nos choques elétricos que recebi na OBAN - nas mãos, nos ouvidos, no cacete. Lembrei da "cadeira-do-dragão." Pensei nos meses passados no DOPS paulista. Os torturadores brasileiros sabim detudo. "Gosta de lamber feridas", "quer se auto-louvar", "não consegue esquecer", "vive no passado", "não sabe perdoar, "quer aparecer como nostálgico do sacrifício", "cristão das catacumbas": isso também falaram. Às vezes não diretamente, mas por terceiros que depois me contam. Pela frente são tão gentis.... Pimenta na boca dos outros... Eles foram anistiados e esquecidos. Não por mim. Me responde, de onde estiveres, amigão Luiz Travassos? Você conseguiria esquecer? "Ele anda repetitivo e redundante. É uma obsessão." Outra observação que fazem. E fiquei lembrando também dos que se diziam tão "puros", detentores do monopólio da virtude e do bem, disseminando seu assembleísmo compulsivo, suas taras por reuniões e mais reuniões - tão longas, quanto inúteis e masturbatórias. (Esse efeito patético continua nos partidos, nos departamentos universitários...) O grau de obsessão de poder pelo poder dessa gente excedeu até o pessimismo dos mais céticos. Sua taxa de traição e de podridão interna atingiram graus de ignomínia mais intensos do que o previsto pelos mais infernais prognósticos. Deslumbramento, corrupção, mediocridade, apego voraz a cargos, volúpia por prebendas, comissões, "boquinhas", vil parelhamento do Estado, não pelos melhores, mas pelos mais espertos, com ligações com a cúpula do poder e do partido. Perderam a utopia. Isso é doloroso. Mas pior ainda é perder a dignidade. Mas não abdicaram da tática do hegemonismo e da crença numa onipotência eterna. Não esqueceram também das práticas autofágicas. Para destruir o outro, todo os métodos são válidos. Poderiam repetir as palavras de um (ex) ministro justificando seu apoio ao AI-5, de 13 de dezembro de 1968: "Às favas com os escrúpulos!". Outro que assinou o referido ato - que levou à tortura e à morte tantos amigos - foi "dono" e "czar" da economia brasileira no auge da ditadura, do "milagre econômico" e da tortura -, é amigão e íntimo assessor do nosso pequeno Napoleão. (Que agora quer acabar com o direito de greve do funcionalismo...) Até quando? A ditadura caiu de podre. Mas no fundo, "nunca" acabou. Ela determinou, como num decreto imperial: "cuidem de si; se esqueçam dos outros." E foi assim que aconteceu. Foi a vitória do "salve-se quem puder". da Lei do Gerson, da praga terrível dos vis marqueteiros, do hiperindividualismo do consumismo voraz, "obrigando" os brasileiros a comprar um montão de porcarias. As porcarias continuam. A barbárie venceu, com a violência, com o narcotráfico, com a corrupção policial, com a falência dos três poderes (e com a resignação de quase todos, a mera "reclamação" sem qualquer efeito da classe média), a sede obsessiva de aparecer na TV, em programas imbecilizantes ou na edição de revistas idiotas com suas ilhas fúteis e suas cabeças oligofrênicas. Essa é a herança maior da ditadura. "Eles" foram muito astutos. A guerra não terminou com o acordo tancrediano, o colégio eleitoral, a derrota das diretas- já, com o armistício selado pela aliança "liberal" da Nova República: ficaram as seqüelas, as muletas, os retratos, as viúvas, as cicatrizes. Sim, o Haiti é aqui. E essa gente que está no poder poderá naufragar de maneira ainda mais infamante, pois ao contrário da ignorância de certos membros da caserna, eles prometeram um Brasil "ético". "limpo" e "justo". E juraram criar o partido mais digno do Brasil. E geraram um montão de stalinistas caipiras. Mas irão embora. E e a cultura? O ministro da Cultura continua sendo o bobo-da-corte do nosso Napoleão médiocre e narcísico, paródia melancólica de um sub-Macunaíma. A "Academia" não o critica, pois ele veio "de baixo". Como isso fosse prova de caráter. Sem ser adepto de teorias conspiratórias, creio que têm razão os que diziam que o astuto Golbery queria dividar a esquerda brasileira, e o PT seria a quinta-coluna do projeto. Golbery deve estar sorrindo* *Prometo voltar a falar de literatura**.&lt;br /&gt;**Falando nisso, acho que o ministro da Cultura nunca leu um livro na vida. Um livro inteiro. Não falo das porcariass de auto-ajuda. Só sabe elaborar aquele discurso vazio e pernóstico, como um míistico de butique. Espremendo suas palavras, não sai nada. E consegue enganar os incautos. Tinhorão nele... Eles logo passarão. Mas como disse alguém, o pior é ficar com os herdeiros das capitanias hereditárias, que nunca deixaram de mandar. São os os donos do Brasil. Para sempre? Desse jeito... Nota final: Collor é da base aliada de Lula. O dois têm se elogiado mutuamente. Não importa o que foi dito pelo Fernandinho de Alagoas, hoje senador da República, a respeito de Lula e de sua filha na campanha de 1989. Memória?: para quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-7573304700615908833?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/7573304700615908833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=7573304700615908833&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7573304700615908833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/7573304700615908833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/03/confisses-iv.html' title='CONFISSÕES'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-1180369480546100144</id><published>2007-02-16T07:32:00.000-05:00</published><updated>2007-02-16T07:39:01.161-05:00</updated><title type='text'>REFLEXÕES III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - Brasília&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;BRASIL – A farsa se repete como História; entranhados no espírito, trezentos anos de escravidão. Afora os quinhentos (e pouco) de privilégios, patrimonialismo, fatalismo, cinismo. Falta algo além do pão.  Na memória, os versos de Jorge de Lima: “Há sempre um copo de mar Para um homem navegar.” Só duram no tempo, as coisas que não pertencem ao tempo. Nossas chances de sobrevivência? A do escritor: num mundo que não deseja mais ouvi-lo (só quer saber de imagens). Lógico, as imagens que circulam no mundo são fruto do impulso econômico: criar produtos/mercados de consumo, não para celebrar o espírito humano. Tornamo-nos melhores com a mercantilização? Você seduzirá bela mulher se usar tal perfume. E usa-se o nome de Deus para tanta matança. Tanta intolerância: o homem confere caráter absoluto ao seu ponto de vista. Uma verdade absoluta não pode tolerar outra verdade. Daí: mais intolerância que traz desprezo, que gera agressividade, depois a guerra, pois cada um vive na convicção de ser o povo escolhido. E os outros? Tantos fundamentalismos: o econômico apresenta solução única para os problemas de todos os países. O que queremos para nós e o mundo? Sermos apenas acumuladores de bens e serviços? Falta algo, além do pão, mas “Há sempre um copo de mar / Para um homem navegar.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; ROMÊNIA – Os Cárpatos me levam a um Drácula já envelhecido. Atravessei o Atlântico. Inundo-me de uma Dácia mítica. Romênia, maio de 2000: é primavera. Leste europeu. Parece-me escutar Latim nas ruas de Bucareste e as mulheres são belíssimas. O grande humanista, cultíssimo, Ático Villas Boas da Mota, na época com mais de 80 anos, portador de incrível e cativante vitalidade, anda lépido comigo pelas belas ruas da capital da Romênia; andamos e andamos, fora das rotas oficiais de turismo – vamos a feiras (provo frutas desconhecidas, uma delas, esqueço o nome, com gosto de jabuticaba, outra lembra as amoras da infância) e mercados populares, praças. Conversamos e fico contemplando rostos que, certamente, nunca mais verei. Está ventando naquela manhã: sento numa praça. Caem flores amarelas. Falamos sobre a vida, a morte, a literatura, a presença e a atualidade de Machado de Assis, declamamos poemas líricos de Camões e de Fernando Pessoa. Por onde estou andando, tão longe de casa? Rostos que lembram os gregos. Outros, os latinos. Um nariz turco, as veias latinas encravadas no mundo eslavo.Uma cigana quer ler nossas mãos. O professor Ático fala, com muita fluência, dez idiomas e conversa na língua cigana com a mulher, com vistosas roupas vermelhas, pulseiras e colares. Uma típica cigana: naquela região há muitas, apesar do assassinato de muitos ciganos pelos regimes nazista e stalinista. Quero saber do futuro? Thomas Mann já advertia, em José e seus irmãos, que é muito fundo o poço do passado. O que saberemos do futuro? O professor sabe que irei à Constanza, a belíssima cidade do Mar Negro, na Romênia, onde Ovídio esteve exilado pela Império Romano, e lá morreu. E pede que contemple, numa pracinha (quer que olhe com muita calma), a estátua lá colocada em homenagem ao poeta. Vou de ônibus, com colegas (era uma viagem cultural) à Constanza, onde chego a proferir breve discurso na Universidade daquela cidade. Era um sábado de manhã. E é comovente ver no quadro negro de uma sala de aula, da Universidade de Constanza, no Leste Europeu,  no Mar Negro, versos escritos com giz, de Antero de Quental e Fernando Pessoa, e moças muito belas estudando Literatura Portuguesa. O professor olha para mim, domingo à tarde tomamos água mineral com gás e café num bar que seria uma espécie de “pé-sujo”, quase no centro de Bucareste (região um tanto “pesada”  e não turística), muitos jovens – somos os mais velhos: ele queria me mostrar o crescimento do uso da droga no Leste depois da queda do socialismo real (não o que antes amávamos) e do Muro de Berlim – ali mesmo, a queda de um modelo que misturava corrupção com stalinismo, comandado até a sua execução em 1989, por Nicolae Ceausescu. Com controle brutal imposto por sua polícia política, a “Securitate”. O ditador substituiu o modelo do Partido Comunista por uma ditadura familiar, acumulando  enorme fortuna. Antes de ser executada, a mulher do ditador berrava para a população: “Eu amo vocês, vocês precisam de mim”, como uma Evita Péron do Leste europeu. De nada adiantou – ela e o marido, cruel e corrupto, foram executados em praça pública. Isso me foi relatado em Bucareste por uma romena que assistiu a execução. Essa  senhora, digna, autêntica, de “esquerda” sim, tradutora, socialista, havia sido presa e torturada pela polícia do ditador corrupto. E que se dizia socialista... Conheci na viagem outros socialistas autênticos, cristãos, agnósticos  e marxistas, que também foram barbaramente torturados nas masmorras do regime de Ceausescu. Exorta o professor: “Contempla a imagem do poeta: ele está de costas para o Efêmero e de frente para o Absoluto.” Fiquei intrigado e fascinado – continuo a vital conversa com ele, sobre tudo, sobre a fugacidade da vida, dos regimes, sobre o pó que seremos; sobre o ofício que escolhemos e amamos, apesar de tudo (a Literatura); sobre a loucura na arte, o mundo globalizado, as viagens, os sonhos de  minha geração, da geração dele – ele vindo lá da distante Macaúbas, no sertão da Bahia, perto de onde Carlos Lamarca foi assassinado. Dos grotões da Bahia para o Leste Europeu, com seu  tocante humanismo, integral, orgânico, visceral, com sua vasta biblioteca de mais de dez mil volumes – uma certa “sábia melancolia” no fim da jornada,  dizendo, com outras palavras, que quando adquiríamos um certo tipo de “sabedoria” (falou com tocante sinceridade, sem nenhum ranço de pedantismo), estava na hora de “partir”, de “fazer a última viagem”, falou. Eu estava sem uma mala pequena e queria ir a Budapeste, Hungria, chamada de “Paris do Leste Europeu”, e o professor Ático, sabedor de minhas apertadas finanças, não queria que eu gastasse muito na aquisição de uma e, num mercadinho de Bucareste, compramos uma mala romena, humilde, não sofisticada, até bem popular, mas útil, pequena e barata, e alguém perguntou, em inglês, que língua estávamos falando. Em Constanza, sentado perto da estátua de Ovidio, altamente concentrado, reflexivo, não podia esquecer das palavras do sábio Ático: de costas para o Efêmero; de frente para o Absoluto. Ele ficara em Bucareste. Ando, olho o mar, dou voltas na pracinha, bebo água mineral com  gás – se ainda bebesse, tomaria um vinho romeno, considerado de boa qualidade; caminho mais, outras voltas pela pequena praça. Olho de novo o rosto do poeta, folhas caem na estátua, venta na cidade, contemplo sua bela arquitetura, de vários estilos misturados. Almoço com amigos e fui caminhando; amo andar sem destino pelas cidades, principalmente as desconhecidas; gosto de andar assim fora da temporada turística, fora da agitação, dos gritos, do deslumbramento, das máquinas que não param de fazer barulho, daqueles grupos enormes de japoneses, que parecem robôs, obedientes rebanhos – segundo Edgar Morin, o turista não vê, só registra; caminho assim em Salvador, fora da época dos trios elétricos, do agito turístico, do carnaval, da “macumba  para turista”, aquele montão de europeus deslumbrados agarrando mulatas; prefiro a cidade “normal” (assim, amo-a muito), por exemplo em maio, vendo colegiais com seus uniformes, com seu ritmo cotidiano, pegando ônibus, pego ônibus sem destino definido, apenas para conhecer a  “cidade real”; subindo até em trens para o subúrbio, indo para bairros populares e pobres, onde a prefeitura não gosta de chegar, fora da rota turística, das avenidas  que dão para o mar, bem conservadas. Ando pela Liberdade, o enorme bairro negro de Salvador, talvez a maior concentração negra da América Latina – lógico que de manhã, porque à noite, em certos setores, é impossível, pela hegemonia dos traficantes;  mesmo de manhã, ali todo o cuidado é pouco. Naquele bairro tive um do maiores privilégios desta vida,  enorme bênção: conhecer o sábio seu Claudionor (nunca soube o seu sobrenome; ele nunca informou, e acho que ele queria ficar conhecido apenas como o “Seu Claudionor”, o amorável bruxo da Bahia). Quanta dispersão: escrevia sobre Bucareste e vim parar na Bahia... Nunca esqueço que, um dia, seu Claudionor chamou - sem explicitar o que queria. Não disse: “Vou morrer, Emanuel”, mas era para isso que havia “determinado” minha ida à sua casa. Ele “sabia”, sim, sabia. Queria se despedir. E fui para aquele lugar humilde. Um homem que ajudou a tantos e tantos seres, morria sem nada. Ele não deixava ninguém entrar em seu quarto. Fiquei comovido, honrado e, sim, envaidecido: ele disse para a sua mulher me deixar entrar no tão pobrezinho quarto – apenas uma cama tosca. E a mulher lhe oferece um copinho de leite e uns humildes biscoitos comprados na padaria do pobre  bairro. Tão pouco. No momento, aquilo me revoltou, pois tinha conhecimentos de “místicos de butique”, enganadores, picaretas mesmo com roupagem para enganar os incautos, lá na Bahia, ou em Brasília, na Avenida W-3 Sul, videntes de fancaria enriquecendo às custas da fragilidade e do sofrimento humanos. E o seu Claudionor morrendo assim, sem nada, ele que, durante décadas, ajudou  graciosamente os que precisavam, da maneira mais digna e autêntica possível. Morria assim. Mas um médium, me disse, em Brasília: “Essa era a sua missão. Ele não queria posses.” Ele só queria servir. Casa humilde,  sua família não tinha como pagar a conta da luz, outras despesas e abriram uma modesta serralharia. Se ajudei? Isso não interessa, até me causa constrangimento confessar. Depois que ele faleceu, fui lá varias vezes ainda. Depois daquele encontro inesquecível, o último (nesta dimensão), nesta terra para o qual viemos; olhei para ele naquela hora “extrema”, quis abraça-lo fundamente, o abraço mais agregador, o carinho derradeiro, ele não deixou e eu sei que ele também queria me abraçar, mas alegava que não queria me “contaminar” com sua carga (disse isso com outras palavras). E “entendia”: tinha uma enorme gama de informações; era conhecedor de tantas dores e dramas humanos – tantos sofrimentos que lhe foram contados, tantas revelações e testemunhos de alta gravidade, doenças terríveis, crimes tenebrosos no sertão baiano, sobre os sofrimentos daqueles que o procuraram – ele “trabalhava” há muitos anos. Resumindo: temia que seu abraço passasse coisas ruins para este escriba. E ele gostava  muito de mim. Adeus, amado mestre. Sei que me “escutas” agora. Alto, magro, chapéu na cabeça, olhar de águia, o mais profundo que já contemplei, aquele sorriso tão vasto, o terno já puído. Ter-te conhecido, apenas isso (“apenas?”, meu Deus!), já  legitimaria uma vida. Emociono-me quando escrevo, neste março, nesta manhã planaltina de segunda-feira. Seu último olhar naquele dezembro me comoveu demais – os arrepios que senti naquela hora, parecem estar aqui. Me comoveu seu olhar? Mais que isso, fez sangrar o meu coração. Mas saí abençoado. Ele faleceu uma semana depois. E sabia “quando” isso ocorreria.  Logo depois do Natal: 27 de dezembro de 1999. Seu Claudionor: vela por nós, de onde estiveres (onde estás? – era para teres ficado sempre conosco), ilumina a minha família, não só agora, mas quando este áspero e bobo (de tão sentimental) escriba não estiver mais aqui. Sinto-me novamente órfão. Acho que vivo cheio de orfandades, atravessando meu exílio soberano (não, não há anistia, pois há pleno divórcio entre o sonho e o universo mercantil), trabalhando lutos, um depois do outro, sem sossego. – Não reclama, seu chorão, pois recebeste muita coisa – exalta-se o promotor interno, que quer ocupar o lugar do meu anjo, São Miguel, guerreiro, portador de alta compaixão. O promotor só me dá porrada. “Seu” Claudionor, meus protetores, o velho Arcanjo Miguel, iluminem os que amo, este país. Amado mestre baiano que enxergava o que ia acontecer depois, ser premonitório, luz maior, de onde estiveres, não esquece da gente. Duas, três, quatro lágrimas escorrem. Quatro? Cinco? Embaciam os óculos de um homem quase sessentão, seguem seu curso pelo rosto, que com um lenço enxugo (o rosto). Ajuda tua sofrida Bahia – não a dos poderosos, dos oligarcas, dos cantores medíocres que enriquecem facilmente, com roupagem moderna mas sem talento, mas uma outra Bahia, daquelas ruas onde ainda contemplo o fantasma de Castro Alves, protege os habitantes daquelas ruas escondidas, longe da orla, abandonadas, onde os turistas não passam e os alcaides desprezam; ah! premonitório pai, ajuda a restaurar o sagrado no mundo mercantilizado. Eu muito te “amei”. Mas certamente nunca te conheci. Onde adquriste tal “conhecimento”?. Não foi na academia. Foi de nascença. Não quero explicações intelectuais. Só queria saber: teus dons seriam uma bênção do Divino Espírito Santo ou não teriam nada com isso? – Tens a mania de botar em tudo a religião católica – reclama um diabinho matutino. – Como essa igreja da tua raiz (e sublinhou “raiz”), na qual foste criado e voltaste a amar, poderá sobreviver, com tantos padres pedófilos? – indaga o demônio, rindo. Monologo: torpe Cachorrão. Não sei responder. Ou sei. – Ela resistiu às outras crises – pondero, e aproveito (para ele me deixar em paz) para  criticar de maneira acerba a Inquisição, a catequização forçada de indígenas, o luxo do Vaticano (ri sozinho, lembrando das orações do mano Tarcísio, que todos os dias ora pela “conversão da cúria romana”...) e de outros males praticados pela Santa Madre. O Demo Malvado não desiste: – Teus amigos, agnósticos e ateus, dirão que, com a idade, foste ficando carola, como certos segmentos de tua família, que vão à missa todos os dias. Ele não para de sorrir. Não. Não vou discutir. Ele não quer me deixar escrever. Quer me dispersar. Sabe dos meus pontos fracos: que sou emotivo, dispersivo, que sendo atacado reajo, não de maneira racional e serena, mas devolvendo com verbos fáceis, verdadeiros mísseis verbais, como bicho ferido. –  Aí tua compaixão vai embora e viras também um ser bélico. Te igualas aos que te atacam – reaje o Diabo.  Fico calado. Lembro que o Papa pediu perdão pela Inquisição, aos índios, aos judeus, visitou líderes islâmicos, buscou contacto com os ortodoxos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;AINDA A ROMÊNIA –  Volto às reflexões sobre a viagem à Romênia. Rememorando: estamos naquela pracinha em Constanza, no Mar Negro, com a estátua de Ovídio. Tentava decifrar a charada metafísica: de costas para o Efêmero; de frente para o Absoluto. Volto para Bucareste, os amigos ficam bebendo nos bares da cidade ou tentando conquistar moçoilas bonitas, “não dando bola” para a rapaziada, antibaianas, fechadas, portadoras de pouco sorriso e muita pintura. Uma das mulheres mais bonitas que já vi, fazia um show no hotel para o nosso grupo. Loira e álgida, olhar profundo. Interessante, penso enquanto olho o movimento da porta do hotel; é final de tarde: algumas mulheres são portadoras de rostos maravilhosos, mas não são calipígias... Subo para o quarto, que dá de frente para a principal e larga avenida da capital romena, arborizada e fico rabiscando num papel, tentando interpretar as palavras do digno e culto professor. De manhã cedo ligo para ele, depois do café da manhã.Conto da viagem à Contanza. Marco o encontro. Ático vem ao hotel e indago se estou certo: “De costas para o Efêmero; de frente para o Absoluto”. Sim, a estátua (imagem) de Ovídio, tento decifrar o Efêmero: o Poder, a Glória, Roma (a estátua de Ovídio está de costas para isso).O Absoluto: o mar, a Eternidade e, quem sabe, Deus. (A imagem está de frente para o Infinito, para o mar.) Ático Vilas Boas da Mota ri comovido e me beija na testa, duas vezes, como meu pai sempre fazia. Eu me emociono novamente, e choro, (três lágrimas lentas) no seu ombro. De alegria. – Você entendeu, querido Emanuel – e fico contemplando as flores que caem de uma árvore na primavera romena. Um tremor sul-americano me invade agora; neste domingo à tarde, véspera da partida. Muito andei. Sento num banco de parque e o vento novamente carrega folhas amarelas. Contemplo um casal, outros passantes, alguém rema num lago em frente. E olhando os passantes, medito: Nunca mais estarei com vocês e não será apenas o oceano a nos separar. Qual mímico desajeitado, perdido no velho Leste europeu, faço um sinal para um passante. Saúdo-o, ele retribui, sorri. Acho que é o fantasma de Ovídio, lamentando o vento, escrevendo tristes versos com saudades de casa e de Roma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ILUSÓRIA SATISFAÇÃO – A satisfação prometida, além de ilusória, quebra com facilidade, e os produtos e valores vendidos, como forma de aplacar esse desejo, são cada vez mais descartáveis e perecíveis. Como observou alguém, o discurso continuará mesmo a não dizer nada, além de que somos animais falantes. Lacan  esclarece: “Esse discurso é o discurso comum, feito de palavras para não dizer nada, graças ao qual nos certificamos de não lidarmos frente a frente com o homem é (???) em estado natural, ou seja, um animal feroz.” No modelo vigente, transformou-se o prazer em regra absoluta. O sacrifício, a renúncia e o sofrimento, realidades inerentes ao cotidiano de todos, foram excomungados pelo marketing do consumismo alucinado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-1180369480546100144?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/1180369480546100144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=1180369480546100144&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/1180369480546100144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/1180369480546100144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/02/reflexes-iii.html' title='REFLEXÕES III'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-8643774537011374955</id><published>2007-02-15T07:10:00.000-05:00</published><updated>2007-02-15T07:16:09.101-05:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;REFLEXÕES II   &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;                              &lt;/strong&gt; Emanuel Medeiros Vieira- Brasília&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                 &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;em memória de Myrna Bier Appel&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;COMPETIÇÃO – O psicanalista Eduardo Losicer observa que “a nova ordem é competir, consumir, produzir, lucrar, assistir a(???) tudo, cultuar o espetáculo. Todas estas condutas são movidas por compulsões que tentam preencher um vazio interno, seja com bens de consumo, imagens fúteis ou drogas. (...) Este vazio da alma dá origem a condutas compulsivas para preencher este vazio afetivo com dinheiro, roupas, trabalho, imagens de jornais, cinema e TV, bebidas ou drogas pesadas. Todos lutam compulsivamente para incorporar tudo o que podem. Vem daí o voyeurismo, o espetáculo por si mesmo, a obrigação do gozo, a imposição do prazer. Até hoje o prazer é uma lei. (...) O orgulho está em baixa. Pouca gente se orgulha da vida que leva. No entanto, todos sabem que a autopromoção é fundamental.” Como complementou o referido analista, a aparência de bom moço, adotada por ídolos do esporte, executivos de empresas e apresentadores de TV (poderia acrescentar: por pastores eletrônicos, atores de novelas, industriais, o diabo), encobre um sujeito dissimulado que cumpre um papel pré-estabelecido. É a nova versão do invejoso, que já não deseja ser o outro, mas algo imaginário e, portanto, irreal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; BUDAPESTE (MAIO DE 2000 – Penso no Império Austro-Húngaro e contemplo o efêmero (o Poder). Tão bela esta manhã  primaveril européia (tão clara como as do Planalto Central do meu país). Finitos impérios. Giro de ônibus pela cidade – pessoas que nunca mais verei – e, num sinal de trânsito, esperando que ele abra, vejo uma moça assoando o nariz, olhando o relógio. Para onde ela vai, de onde vem? Gosta de jogar cartas, sabe cozinhar, lê horóscopo, ama alguém às escondidas? Sim, não mais a verei? Terá filhos? Nova travessia do Atlântico e ela continuará andando pelas ruas de Budapeste; abriu o sinal, a moça atravessou a rua, seguiu seu destino, o ônibus continuou. As civilizações também são mortais. Buda e Pest, a ponte Elizabeth, a bela Igreja de São Matias, a espaçosa e impressionante praça dos heróis, estátuas, as guerras, todo o sangue derramado; turista japoneses aos bandos, máquinas fotográficas. Uma folha . Penso em todos os pés que aqui pisaram. Quero dar notícias para a casa, Clarice, Cristiana, para os irmão do Sul, que estão em Porto Alegre, Florianópolis, e também em São Paulo. Folha de papel, também um guardanapo serve,  uma caneta: num centenário café escrevo. Brioches, água mineral com gás, um café encorpado. Uma cigana se oferece para ler meu destino. Recuso de maneira cortês, sorrio, há tantos destinos... Sei que pude amar uma cidade bela e cosmopolita. (Penso também na revolta húngara de 1956 em favor da democracia, desafiando a União Soviética. Mas uma reflexão deste naipe mereceria uma análise profunda. Neste 2006, quando escrevo, faz 50 anos do acontecimento. Meu Deus! 50! Parece mentira. Eu estava no colégio “Menino Jesus”, na Rua Bocaíuva, na ilha natal. Uma linda professora: “dona” Alda. Mesmo que fosse uma normalista de 19 anos, a gente chamava as professoras primárias de “dona.”) BANALIZAÇÃO DE CONCEITOS – As noções próprias da cidadania (conceito fundamental que foi tão horrivelmente banalizado – na TV, qualquer mísero candidato quer “resgatar a cidadania”) vão sendo substituídas por conceitos de consumo, como a de popularidade. Como alguém observou, julga-se o potencial de uma político como se fosse uma marca de tênis ou de sabonete. Tudo vira “marquetagem”, paga a peso de ouro, tudo embrulhado ao gosto do freguês, tudo  camuflado em vã retórica. Os programas partidários ficaram praticamente iguais, neutros, cheios de lugares comuns edificantes, carregados de platitudes(???). Os eleitores viraram meros clientes. Os candidatos se transformaram em massa amorfa, bonecos iguais: produtos genéricos, feitos da mesma forma, como detectou outro analista. Já perceberam que os políticos reagem cada vez menos a fatos reais e cada vez mais a eventos de mídIa. Isto é, na agenda dos políticos assume cada vez mais relevância aquilo que aparece no vídeo ou aquele que tende a merecer a sua atenção. Com isso, a política estaria sofrendo uma espécie de virtualização em relação à sua realidade efetiva. A videopolítica concebe o eleitor não como agente político, mas como paciente, consumidor de imagens que emocionam. Daí os programas políticos de TV venderem candidatos e temas eleitorais como mercadorias. “(...) Isto talvez esteja a provocar o desaparecimento definitivo da política como fenômeno coletivo. Isto coloca um ponto de interrogação quanto à  sobrevivência do Estado concebido como espaço político coletivo de uma comunidade” – percebe alguém. As chamadas pesquisas qualitativas feitas com eleitores, só “vêem” o que eles querem. Vale para o afago e, no geral, para a miserabilidade de idéias, mas não para um país. E triunfam as mistificações, bem encenadas a peso de ouro, sofisticadas, mas sempre mistificações. Como observou alguém, a realidade dos fatos fica à mercê de quem sabe ludibriar melhor. – É o tipo da conduta que não se corrige com a reforma política – percebe uma analista. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;GOLPE DE DE 1964 –  Prendeu, torturou, matou, exilou. Já estava sendo gestado. Agosto de 54, suicídio de Getúlio Vargas; tentativas de impedir a posse de JK- Aragarças, Jacareacanga; o contra-golpe preventivo de Lott, em prol da democracia (“retorno às normas institucionais vigentes”); renúncia de Jânio; ações para impedir a posse de Jango, a Campanha da Legalidade, que postergou o golpe por  três anos. O golpe: democracia rifada, bloqueada; padre Peyton, passeatas em favor da Família, Deus, Pátria e Liberdade, Ouro para o Bem do Brasil; Essa história agente conhece. Quinhentos e quatro anos, meu Deus! Milagre brasileiro, miséria interna. As responsabilidades não foram apuradas: esquecimento, perdão. Não poderia ter dado certo. Não se tem notícia de alguém ter assumido que amarrou seres humanos no pau-de-arara, seviciou-os com choques elétricos, matou-os a pauladas, sumiu com seus cadáveres e tenha requerido perdão legal. “Não há acusação e punição, inexiste anistia” – raciocina Mário Magalhães. Para ele, considerar a anistia como salvo-conduto aos torturadores poderia sugerir um direito non sense: o regime que promoveu a barbárie teria a prerrogativa de se auto-anistiar. “Estimularia o preceito segundo o qual o autor do crime pode ser também autor do perdão a si mesmo”, escreveu o jornalista citado. Na sua visão (na minha também), voltar os olhos para o que passou não é exercício de arqueologia política. Ajuda a entender o presente. Para ele, é difícil acreditar que o emprego disseminado da tortura hoje, em dependências policiais, não seja herdeiro da impunidade que amparou os torturadores de outrora. “Não basta que a história conte a tortura. É preciso conhecer os algozes e puni-los, como exemplo às gerações. Recorrer ainda ao clichê da ‘fragilidade da democracia brasileira’ para desculpar os torturadores é expediente destinado a eternizar o temor de reabrir feridas. Elas nunca cicatrizaram. (...) Ao mandar os velhos torturadores para a cadeia, a Argentina avisa: nunca mais. Ao deixar para lá os seus, o Brasil dá sinal verdade a novas tragédias” – conclui. A serpente estava no ovo. Sempre está. “Mas as telecomunicações melhoraram.” Vale a pena destruir uma geração para obter tal benefício? Só por isso? Pagamos até hoje. Pagaremos mais. Como já foi dito aqui e insisto porque acho valioso: a guerra continua. A guerra é sempre. Ela não termina com o armistício. Ficam as seqüelas, as muletas, as viúvas. Não  seria o reino da democracia formal, a partir de 1985, que mudaria isso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ESPÍRITO DA ÉPOCA – Superlativa exasperação; cinismo; rostos duros; vastos medos/descrença; o sol nasce, o sol se põe; todos parecem mais contraídos, contrafeitos, as relações parecem duras, áridas, cada passo  mais penoso; só colhemos fragmentos da complexidade; o mundo tal como estudávamos (e que os antigos conceberam nas aulas de Filosofia do extinto Curso Clássico (que pena e que burrada terem acabado com ele!) e na Universidade, não existe mais; desapareceram as referências iluministas e humanistas. Salve-se quem puder. Antes, no pôr-do-sol, na “Hora do Angelus”, às seis da tarde, queria-se paz; e dormir pacificado, abraçado a Deus, orando: hoje predomina nos morros das grandes cidades o ruído de balas; gente morrendo a todo momento; a hegemonia é dos traficantes, pastores eletrônicos, corretores da Bolsa, políticos profissionais, loiras oxigenadas apresentando programas de TV; quase ninguém quer mais ler, é muito demorado; tudo é instantâneo e logo se dissolve; é preciso buscar outro prazer, outro ídolo, outra moda, e depois outro, outro, sem parar, numa ansiedade permanente, sem fim, onde não há mais presente, nem passado, nem futuro. Nos programas vespertinos, quase  só baixaria, propaganda de porcaria, exploração dos desvalidos. A aventura acabou no mundo? (Minha  velha indagação.). Não haverá mais nada digno de luta? Entre mortos e feridos, todos perdidos? Estaremos sempre confinados? A História é um pesadelo: tudo será sempre caos? &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;HISTÓRIA DO BRASIL – Tiradentes enforcado,Frei Caneca fuzilado,                                            Maringhela tocaiado. (Não apenas rimas, Carandiru, Candelária, Carajás, Vigário Geral, Diadema – todos os dias, sempre,  nos fins de mundo deste país. Para a classe dominante, o enraizamento do mito da gente sempre alegre, feliz, bem disposta, não poderia ser de mais utilidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; SAMBA DO CRIOULO DOIDO – Mais Golpe de 64: pesquisa com jovens mostra que 72%  não sabem que o golpe militar ocorreu no Brasil há 40 anos. O ditador Franco foi apontado o general mais importante e Tiradentes um dos torturados no período. Professores atribuem o resultado à má qualidade do ensino. Numa redação, um rapaz escreveu que Tiradentes foi torturado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury... Não se estranha quando um jovem universitário (universitário!) afirma que Rimbaud é a versão francesa do Rambo. (É errado dizer que o modelo perdeu a parada. Seus formuladores não queriam isso? Não desejaram a destruição do bom ensino, do talento, da inteligência? Conseguiram. Isso não muda com uma geração. Foram anos de destruição. Perdoem a sinceridade: acho que isso não tem mais volta. Hoje (embutido no que foi escrito acima): a pessoa entende o que ouve, mas não o que lê, pois para ela, apenas a audição está associada ao significante.) DOPS – Natal de 1970, paulicéia, Largo General Osório.  Pela minha Cela 6 passou Flávio Império, já falecido. Vi em outra o arquiteto Sérgio Ferro. E tanta gente anônima. Numa noite de dezembro, algemado, chegou Augusto Boal. Levaram-no direto para a solitária, que ficava no final do longo corredor. Uma fria cela. Fazendo uns sinais (que a longa vivência na cadeia política havia inventado), por intermediário e um modesto suborno de um carcereiro (maço de cigarros), ofereci um paletó para que o teatrólogo pudesse enfrentar a cela gelada, apesar de ser dezembro. (Anos depois, quando saiu a Anistia, em agosto de 1979, depois de assistir em Brasília a um espetáculo teatral de sua autoria, procurei-o, lembrando do episódio. Naquela cela, quando cheguei no Dops, em 19 de dezembro de 1970, estava uma senhora do PCdoB, que tossia muito à noite, arrebentada pela tortura. Na cela 5, ao lado da nossa, de manhãzinha vi chegar um frade franciscano, magro, que havia sido torturado toda a noite pelo delegado Fleury e sua equipe. Ele  chegou carregado. Não sei se agüentou. Acho que não. Nunca soube o seu nome. Nunca mais o vi. Na cela, quando cheguei, havia um grupo que formava uma célula operária do Partido Comunista de uma cidade do ABC, acho que de Santo André. As pessoas que formavam a célula eram muito pobres. Quando recebiam algo dos seus familiares, que vinham de madrugada de trem, era apenas pães e bananas. Como os outros, haviam sido muito torturados. Eu seria o único naquela cela que recebia regularmente “carinhos” e oferendas dos meus irmãos, irmãs: doces, pães, chocolates, cigarros, coisas gostosas (depois de um período, quando os interrogatórios já haviam sido realizados, isso era possível; ainda mais para a gente, que havia vindo da Operação Bandeirantes – Oban, o lugar mais próximo do inferno que conheci em minha vida). Uma vez  me disseram (um delegado que não torturava que se passava por intelectual, que eu poderia trocar de cela. Poderia ir para uma onde estavam alguns universitários. Acho que haviam planejado o seqüestro de um embaixador (Qual? Essa memória dos 60 anos agora falha). Nessa cela, lembro, estava o Sérgio Ferro. Podiam ouvir rádio, receber alguns livros. Haviam apanhado muito. É verdade: foram barbaramente torturados. Naquele período, os algozes já os haviam deixado sossegados. Não aceitei o convite. Se saísse da cela em que estava, os pobres membros daquela célula não receberiam o que minhas irmãs e irmãos traziam. Gesto cristão? Sim. Não deveria contar? Não há, acreditem, qualquer auto-exaltação. Apenas a verdade. Sim: é impossível viver sem compaixão. Os universitários presos naquela cela tinham que escrever muito, a caneta ou numa máquina de escrever portátil, o que os homens da Oban e do Dops, chamavam de “Crítica da Revolução Brasileira”. Em quase todas as madrugadas, escutávamos o tilintar de chaves, levando alguém para  interrogatórios (onde a tortura corria solta)  no 3º andar (as celas ficavam no subsolo) ou de volta (o pavor maior) à Oban. Por incrível que pareça, alguém havia deixado num canto, um volume de Franz Kafka, O Castelo. A capa estava rasgada, edição antiga, já amarela. Não é folclore: é verdade. Eu pedi e a mana Cida comprou (deixaram entrar), A Ilhado Tesouro, de Robert Louis Stevenson. Propositalmente, colocaram na nossa cela um preso comum de apelido Tarzan. Às vezes botavam agentes, alcagüetes (que se diziam  pertencentes a grupos armados de esquerda, para contar aos policiais o que conversávamos na cela). O apelido havia sido dado porque ele era fortíssimo e, segundo me contaram depois, fora brutalmente torturado em delegacias (havia matado o patrão para o qual trabalhava numa fazenda – acho que foi isso) e não abrira o bico. Apanhou violentamente e ficou calado. De extrato humilde, ele estranhava o fato de eu receber cigarros, doces, pães, chocolates, comidinhas gostosas e de distribuir  irmãmente, e ele estava incluído. Um dia, ele me disse: – Falaram (os policiais) que vocês eram maus, que queriam matar muita gente, que comiam criancinhas, que roubavam nossas mulheres, que eram comunistas malvados. Então, porque você me deu cigarros e chocolates e não distribuiu só para seus amigos? – Ele estava absolutamente surpreso. Ele era semi-analfabeto. Um grupo de colegas deu algumas aulas para ele. Na noite em que fui embora definitivamente do Dops, 17 de fevereiro de 1971, cantaram para mim (“Minha jangada vai partir pro mar...”). Todas os presos cantavam, formando uma espécie de coral. O regulamento era esse: quem entrava pela Oban, como eu, tinha que sair por lá; então, tive que dormir mais uma noite, sem tortura, na Rua Tutóia e, no dia 18 de fevereiro de 1971, voltei para casa. Não disseram que eu iria embora, mas eu sabia, porque alguém me falara secretamente. E nessa noite de despedida, Tarzan perguntou se eu tinha algum inimigo. Queria retribuir o que eu havia feito por ele.– Você me tratou bem. Na vida, ninguém me tratou bem – disse. – Se você tiver algum inimigo, você pode me dar o nome que, quando sair daqui, eu vou mata-lo – complementou. E deu o endereço de algumas mulheres, “caso eu precisasse”, me olhando com sorriso malicioso. Ele  falava com muita sinceridade. Antes, escrevera com um canivete (não sei como entrara lá) meu nome numa pilastra que havia na cela. Se não foi demolida, o nome ainda deve estar lá. Quando saí, ele havia dado seu  endereço, eu e a mana Cida, com auxílio de outros familiares, fizemos um rancho para a sua família e fomos levar na sua casa. Acho que o bairro se chamava Casa Verde. Não, Tarzan, não precisas matar ninguém por mim, e ele me deu um abraço que quase quebrou os meus ossos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-8643774537011374955?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/8643774537011374955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=8643774537011374955&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/8643774537011374955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/8643774537011374955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/02/reflexes-ii-emanuel-medeiros-vieira.html' title=''/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38040685.post-116820698798799423</id><published>2007-01-07T16:56:00.000-05:00</published><updated>2007-01-07T16:56:27.996-05:00</updated><title type='text'>LEÃO DE FORMOSA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt;- Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho aqui um livro raro. Um exemplar único de um poeta que poucos escritores/poetas no Brasil tomaram conhecimento: o mineiro Altino Caixeta de Castro (1916-1990) ou Leão de Formosa. Affonso Romano Santa Anna  escreveu sobre ele no Suplemento Literário de Minas Gerais, já há alguns anos, há também um texto sobre ele na Revista Agulha &lt;a&gt;&lt;ahref="http://www.secrel.com.br/jpoesia/ag15caixeta.htm"&gt;&lt;/a&gt;  da poeta Maria Esther Maciel, que vale ser lido por quem quiser conhecer um pouco mais sobre a poesia dele. O título do livro: Cidadela da Rosa:Com Fissão da Flor- Ed. Horizonte Editoral, de Brasília(1980).Altino é natural  de Lagoa Formosa- Minas Gerais- cidade cujo brasão ostenta o dístico criado pelo poeta: “Formosa - Terra do Libertapovo. O que é uma sensível homenagem ao poeta que canta a sua aldeia e, é universal como quer e, é citado por ele Tolstoi.&lt;br /&gt;O exemplar que está sob minha guarda é de José Fonseca é raro porque além de estar revisado pelo poeta, certamente não será encontrado nas boas livrarias do ramo. Leão de Formosa editou dois livros, esse, que é uma antologia de seu trabalho e “Diário da rosa errância e prosoemas”.O fato de ter publicado apenas dois livros, além de colaborações a jornais  é uma boa  demonstração que não é o volume de publicações que faz um bom poeta, mas a essência do que ele escreve.Escolhi alguns trechos e  poemas do livro que talvez possam dar a dimensão da obra  de Altino,que pouco saiu das fronteiras de sua cidade, mas as transcendeu com sua poesia.Entre os poemas escolhidos alguns mostram as ligações com o arcadismo(imagens relacionadas ao pastor, sempre presente em sua obra, como as cabras,ovelhas), sem deixar de ser contemporâneo.Leão de Formosa trafegou por praticamente todos os gêneros da poesia, do tradicional soneto as radicais experiências com  palavra, mas sempre fazendo poesia, só poesia e boa  poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta ser em caminho&lt;br /&gt;dos descampados ali se embosca&lt;br /&gt;se embrusca fauno faminto&lt;br /&gt;em cinzas fezes flores&lt;br /&gt;pastor do labirinto.&lt;br /&gt;                  ( Pastor do Espanto IV- fragmento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Morada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não preciso do tempo&lt;br /&gt;porque sou eterno.&lt;br /&gt;Necessito apenas &lt;br /&gt;os mínimos espaços&lt;br /&gt;que demoram&lt;br /&gt;entre mim e teus braços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cura de Aldeia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele cura de aldeia&lt;br /&gt;andava pelas almas e andava pelas noites&lt;br /&gt;sabendo que as capelas andavam cheias de estrelas.&lt;br /&gt;Aquele cura de aldeia&lt;br /&gt;andava de homem em homem&lt;br /&gt;matando a fome da última ceia.&lt;br /&gt;Aquele cura de aldeia conhecia as aldeias e conhecia&lt;br /&gt;os caminhos de todos os lados,&lt;br /&gt;mas o que ele queria mesmo era guardar&lt;br /&gt;os cordeirinhos tresmalhados.&lt;br /&gt;Aquele cura de aldeia só tinha uma loucura;&lt;br /&gt;nas noites de lua cheia&lt;br /&gt;nas noites de lua escura, subir montanha, andar planuras,&lt;br /&gt;e  no coração de sua aldeia &lt;br /&gt;realizar a  última cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anáforas de minha cartola&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tirou o pombo do meu adejo&lt;br /&gt;Você tirou a face de minha aurora&lt;br /&gt;Você tirou a ganga de minha lavra&lt;br /&gt;Você tirou o umbigo do meu beijo&lt;br /&gt;Você tirou o gume de minha espora&lt;br /&gt;Você tirou a boca de minha palavra&lt;br /&gt;  Você tirou o punho de meu ensejo&lt;br /&gt;Você tirou a face de minha estória&lt;br /&gt;Você tirou o galo de minha garganta&lt;br /&gt;Você tirou o trigo de meu despejo&lt;br /&gt;Você tirou o lume de minha glória&lt;br /&gt;Você tirou a boca do meu espanto&lt;br /&gt;Oferta: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tâmaras furadas de sombras&lt;br /&gt;Há pérolas furadas de areia&lt;br /&gt;Há rosas furadas de rezas&lt;br /&gt;Há ramas furadas de lágrimas&lt;br /&gt;Há faces furadas de facas&lt;br /&gt;Há sonhos furados de azul&lt;br /&gt;Há pólos furados de sul&lt;br /&gt;Há éguas furadas de tacas&lt;br /&gt;             Há risos furados de frisos&lt;br /&gt;             Há cachorros furados de couros&lt;br /&gt;             Há falas furadas de anil&lt;br /&gt;             Há redes furadas de verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É preciso dizer mais alguma coisa sobre a poesia do Leão de Formosa?Sim, só devolvo o livro para seu legítimo dono, sob ameaça, ou no caso de ficar  sabendo o que está acontecendo atualmente com ele em Pequim.  Caso contrário ele não o terá de volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38040685-116820698798799423?l=novaklaxon1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/feeds/116820698798799423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38040685&amp;postID=116820698798799423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/116820698798799423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38040685/posts/default/116820698798799423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon1.blogspot.com/2007/01/leo-de-formosa.html' title='LEÃO DE FORMOSA'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
